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• A Lontra-longicaudis, um carnívoro semiaquático, é um animal discreto e solitário e suas atividades concentram-se durante as primeiras e as últimas horas do dia.
• Podem ser encontradas em diferentes ambientes, desde rios, riachos e lagoas de água doce a estuários, lagunas, manguezais e ilhas costeiras.
• As lontras foram muito caçadas por causa da pele, mas a conseqüência da caça é pequena se comparada com os efeitos negativos decorrentes da poluição e destruição do habitat onde vivem. |
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FAUNA
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DE OLHO
NO BICHO
Projetos voltados à preservação de animais silvestres investem em conhecimento científico e educação ambiental, na tentativa de frear avanço da lista do perigo
Por Fátima Vasconcelos
A sinistra lista de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção contabiliza 627 anfíbios, aves, invertebrados terrestres e aquáticos, mamíferos, peixes e répteis. A lista anterior elaborada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em 1989, continha 218 espécies ameaçadas. Ela não considerava os peixes e invertebrados aquáticos (232 espécies ameaçadas, segundo o relatório de 2008), mas ainda assim o crescimento de lá para cá é assustador. As ameaças são diversas: mudança climática, exploração desordenada, desmatamento, avanço da fronteira agrícola, caça, venda de animais, introdução de espécies exóticas. Um contraponto, entretanto, pode ser observado em alguns dos cases do Prêmio Expressão de Ecologia de 2008. Vários projetos ambientais, de ONGs e empresas, focam a preservação da fauna nativa. Historicamente, são muito mais comuns os projetos de conservação da flora – em muitos casos mais simples de serem desenvolvidos.
Um dos vencedores de 2008 é o Instituto Ekko Brasil, ONG que busca a conservação de espécies ameaçadas através do desenvolvimento de atividades sociais e científicas voltadas à pesquisa da biodiversidade, ecossistemas e auto-sustentabilidade de unidades de conservação. Os trabalhos envolvem crianças, jovens e adultos, além de parcerias com associações comunitárias e organizações internacionais que respondem por programas especiais ligados à área ambiental.
Hábitos alimentares
O Projeto Lontra Brasil, por exemplo – ou River Otter Project, como é conhecido na Europa, Ásia e América do Norte –, funciona em parceria com o Ecovolunteer Program desde 2002 e é um dos mais populares na Europa. O programa, sustentado com recursos próprios, oriundos da participação dos ecovoluntários, venda de produtos e consultorias, começou em 1986, na Lagoa do Peri, dentro de uma área de conservação localizada no sudeste da Ilha de Santa Catarina, a 25 quilômetros de Florianópolis, onde concentra-se a base de operações do trabalho. Hoje abrange também o Vale do Itajaí e o Planalto Catarinense.
A lontra brasileira (Lontra-longicaudis) é considerada pelo Convention on International Trade of Endangered Species (Cites) como uma espécie muito ameaçada. Coordenada pelo professor Oldemar Carvalho Junior, que também é o primeiro pesquisador no Brasil a fazer estudos sobre a ecologia da lontra, a equipe do Projeto Lontra Brasil tem como objetivo aumentar o conhecimento sobre a espécie e garantir sua preservação no país. As atividades incluem análise de freqüência e monitoramento de lontras em tocas, estudos comportamentais e hábitos alimentares. A avistagem dos animais é difícil para o leigo. Algumas amostras são analisadas em laboratório, mas a maior parte das atividades é feita em campo, com canoas e caiaques, caminhadas pela floresta e observações noturnas.
Em sintonia com o Projeto Lontra Brasil são desenvolvidos ainda cerca de 20 projetos de pesquisa científica. O trabalho também envolve a educação ambiental, por meio do projeto Pró-Lontrinha. Para Carvalho Junior, a principal ameaça à biodiversidade é o aumento da população, um problema que poderia ao menos ser mitigado pela educação. “Ela é fundamental, embora em curto e médio prazos não vá impedir o ritmo de extinção das espécies”, afirma. “De nada adianta criar parques e reservas se não houver investimento em educação.”
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Perereca na floresta da Klabin: uma |
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das 881 espécies
identificadas por projeto |
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mantido pela empresa |
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Limites e obrigações
É nessa linha que se destaca o projeto Força Verde Mirim, uma parceria entre o Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde, do Paraná, e a Klabin, maior produtora, exportadora e recicladora de papéis do país. No Parque Ecológico da empresa, na região de Telêmaco Borba, jovens carentes estão participando de encontros regulares com a Polícia Ambiental para adquirir consciência dos seus limites e obrigações para com o meio ambiente. E evidentemente conhecer a exuberância da fauna e da flora da região. Fora do parque, nas regiões de plantio de florestas comerciais, a Klabin se propõe a um desafio bem maior: desenvolver um programa de manutenção da biodiversidade. Como pensar nisso em meio a monoculturas de árvores exóticas?
A resposta está nos corredores ecológicos mantidos pela empresa, obtidos por meio do manejo de paisagem em mosaico. Os corredores são áreas de vegetação nativa entremeadas por plantios florestais em vários estágios, o que proporciona habitats adequados para a preservação da fauna, manutenção da qualidade das águas e equilíbrio do ecossistema. Os corredores, ao contrário das “ilhas” de vegetação nativa, permitem a movimentação de animais em longos percursos, o que é fundamental para a sobrevivência de várias espécies.

Em defesa dos ameaçados
Nessas áreas, em parceria com ONGs e universidades, a Klabin promove o monitoramento da fauna e da flora para realizar pesquisas e levantamentos. Foram identificadas, no total, 881 espécies de mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes, 21 das quais integram a lista dos animais considerados em extinção pelo Ibama. Em Santa Catarina foram reconhecidas 252 espécies. No Paraná, 629 espécies – 75 delas na lista de animais em risco de extinção pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), 15 pelo Ibama e 51 pela International Union for Conservation of Nature (IUCN). A Klabin possui um criadouro científico de animais silvestres e mantém um programa de reintrodução de espécies ameaçadas, como puma, anta, ema, jacutinga e lobo-guará. “Aliamos as atividades produtivas à preservação ambiental, levando em conta a inovação e nosso compromisso com o mercado”, afirma José Totti, diretor da Unidade Florestal da Klabin.
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