Anuário Expressão de Ecologia 2008
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Ações ambientais
® 164 iniciativas que estão transformando a região Sul

 

   
 
  Lago de usina da Tractebel: empreendimentos de grande
  porte exigem preocupação acima da média
   
   
 

 TRACTEBEL

• Programas socioambientais desenvolvidos no entorno
dos reservatórios de usinas são adaptados às
circunstâncias locais.

• Estudos e monitoramentos sobre a qualidade da água e espécies de peixes são constantes.
Ações permanentes de reflorestamento e programa de restituição da biodiversidade de mata ciliar. Financia pesquisas para reintrodução da bromélia Dychia distachya
na região do Alto Rio Uruguai.
   
   
GESTÃO AMBIENTAL
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MUITO ALÉM DA SUPERFÍCIE
Organizações que internalizaram a questão ambiental mudaram na essência seus processos produtivos, demonstrando que ainda é possível salvar a galinha dos ovos de ouro

Por Eliziário Rocha

Na fábula atribuída ao grego Esopo, um fazendeiro descobre que sua galinha bota ovos de ouro. Todos os dias ele pega o produto, vende e aumenta sua fortuna. Certa vez, mesmo já tendo se tornado um homem rico, impelido pela ganância ele decide matar a galinha e lhe abrir o ventre para retirar de uma só vez todo o tesouro que supõe haver em seu interior. Mas nada havia, apenas as vísceras de uma galinha comum. Ao querer tudo, tudo perdera. Durante séculos o homem se comportou com o planeta Terra como o fazendeiro em relação à galinha: pegava um ovo por vez e sua fortuna só fazia aumentar. Com o crescimento da população e a sofisticação do consumo a partir da revolução industrial, o planeta passou a ser explorado com perigosa voracidade. Felizmente, mesmo havendo lhe profanado o ventre, é possível que a humanidade tenha despertado em tempo de estancar a hemorragia e conceder uma sobrevida à sua galinha dos ovos de ouro.
Há apenas quatro décadas, o termo sustentabilidade soaria como mais um daqueles neologismos inventados por consultores decididos a fazer fortuna em cima de muito palavreado e pouca ação. Apesar de iniciativas institucionais em favor do meio ambiente como o Clube de Roma, de 1968, e a conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento, em 1972, o termo “desenvolvimento sustentável” apareceria somente em 1987. O documento Nosso Futuro Comum, da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, o definiu como “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades”. O tema seria incorporado ao dia-a-dia do planeta durante a Cúpula da Terra – Eco 92 (ou Rio 92), servindo de base para a Agenda 21, que obteve a adesão de 170 países.

     
 
 
   
   

Ganhos econômicos
Nesses tempos, entretanto, apesar do avanço das idéias, a maior parte do mundo produtivo ainda mantinha relações toscas com o meio ambiente. Quando o Prêmio Expressão de Ecologia foi instituído, em 1993, as indústrias mais avançadas se limitavam a instalar, muitas vezes a contragosto, estações de tratamento de efluentes líquidos. Antes disso captavam água e devolviam para os rios cargas tóxicas terríveis, como o licor negro (indústria de celulose), corantes (indústria têxtil) e gordura e restos de animais (indústria de alimentos). As primeiras ações ambientais das indústrias foram fruto mais da imposição de órgãos ambientais, como no caso dos programas de recuperação das bacias hidrográficas de Santa Catarina, iniciados em fins dos anos 1980, do que da legítima consciência ambiental.
Mas os tempos mudaram. De lá para cá as imposições do mercado, que passou a exigir mais atitude do setor produtivo, aceleraram o processo de mudança. A tecnologia evoluiu e processos produtivos de menor impacto ambiental se combinaram com redução de custos. “Num primeiro momento as empresas incorporaram a questão ambiental para cuidar da imagem. A diferença é que agora os processos tecnológicos e as ferramentas de gestão ambiental agregaram definitivamente a questão econômica, ou seja, os ganhos ambientais estão associados a ganhos econômicos”, diz Luiz Antônio Garcia Corrêa, diretor de licenciamento urbano da Fatma (Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina).
Empresas abraçaram conceitos como o da ecoeficiência, que visa aumentar a produtividade das matérias-primas; o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite a troca de processos poluentes por outros que seqüestram carbono da atmosfera, e de ciclo de vida do produto, que busca a solução de impactos ambientais desde a fase da matéria-prima até o descarte final de uma mercadoria. O setor produtivo se abriu, passou a ouvir mais a comunidade no entorno e a buscar soluções para problemas ambientais e sociais em parceria. Em suma, o assunto deixou de ser questão superficial, acessória, e passou a integrar a essência dos negócios. “As principais empresas já internalizaram a questão ambiental, incorporando-a ao seu planejamento estratégico”, resume Antonio Odilon Macedo, coordenador do júri do Prêmio Expressão de Ecologia.

Três dimensões
A Tractebel, primeira colocada no ranking das geradoras privadas de energia do país, é um dos tantos bons exemplos de empresas brasileiras em sintonia com os novos tempos. “Conciliar crescimento econômico com desenvolvimento social e ambiental, as três dimensões de desenvolvimento sustentável, são os nossos desafios, a ponta-de-lança do crescimento, do poder competitivo e da garantia da durabilidade”, afirma o presidente da companhia, Manoel Arlindo Zaroni Torres.
A empresa, controlada pelo Grupo GDF Suez, tem consciência de que a sustentabilidade é parte inerente ao seu negócio, uma vez que desenvolve atividades de longo prazo, cujo sucesso depende de conciliar a rentabilidade com a preservação do meio ambiente e a melhoria das condições de vida – e, portanto, de consumo – das comunidades nas quais está presente. “Assumimos esse compromisso em todos os níveis hierárquicos”, garante Zaroni.
A Tractebel está consciente de que atua num ramo de alto impacto. A implantação de empreendimentos de grande porte como usinas hidrelétricas mexe de forma importante não apenas com o meio ambiente, como também com a vida econômica e a organização social das comunidades do local e de seu entorno. Por isso sua preocupação precisa ser igualmente acima da média das empresas de outros segmentos. A organização realiza periodicamente estudos da qualidade da água e dos peixes, a vigilância ambiental dos reservatórios e um conjunto de ações voltadas à educação ambiental.

A serviço do planeta
Se é fato que as leis ambientais tornaram-se mais rigorosas e os consumidores mais atentos, isso explica apenas em parte a mudança de comportamento das empresas. “Há uma expectativa crescente de que as organizações trabalhem a serviço do planeta, e uma consciência cada vez maior por parte delas de que se trata de um bom negócio”, afirma Paul Borawski, diretor executivo e de assuntos estratégicos da Sociedade Americana para a Qualidade. Ele foi uma das estrelas da 44ª Reunião da Qualidade RS, realizada em outubro, em Porto Alegre – o evento é promovido anualmente pelo Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP), sendo que o tema deste ano foi “Sustentabilidade na Prática”.
Na opinião de Borawski, “a reputação da empresa desempenhará um papel mais importante diante dos critérios que os consumidores usam ao fazer suas compras, pois eles esperam que as organizações reduzam seu impacto ambiental”. Ainda para o especialista americano, a escassez ajustará os custos, que por sua vez moldarão o comportamento dos consumidores. O desperdício passa a ser encarado como intolerável.
 “Buscamos a perenidade de nossos projetos, não só por modismo ou imposição legal, mas também por que tudo isso se reflete positivamente, inclusive no valor da marca, e não apenas na comunidade em que estamos instalados”, diz Marília Maya, diretora de recursos humanos para a América do Sul da AGCO, fabricante mundial de equipamentos agrícolas, cujo portfólio inclui as marcas Massey Ferguson, Fendt, Challenger e Valtra.

   
  Foto: Divulgação
  Linha de produção da AGCO e embalagens retornáveis
  (abaixo): diminuição na geração de resíduos
  Foto: Divulgação
   
   
 

 AGCO

• Foco no uso racional de recursos: uso de gás natural, reciclagem e reaproveitamento de resíduos.
• Pressão sobre fornecedores resultou em mudanças de embalagens de peças, que passaram a ser retornáveis, evitando a geração de resíduos.
Sistema de reúso da água permitiu economia de 70%
do insumo.
   

Ações simples
Há mais de uma década a AGCO vem adotando mecanismos cujo foco central é a eliminação do desperdício e o uso racional dos recursos. O gás natural substituiu a eletricidade em vários processos e a reciclagem e o reaproveitamento dos resíduos passaram a ser encarados como ponto de honra. Um dos melhores exemplos da ação sustentável da empresa se verifica no manejo dos recursos hídricos. O reúso da água, desenvolvido a partir de 2005, permitiu que a AGCO atingisse o considerável índice de 70% de economia na utilização desse insumo, por meio de ETEs (Estações de Tratamento de Efluentes) isentas de produtos químicos, nas quais são utilizadas plantas aquáticas na remoção da matéria orgânica. O aproveitamento da água da chuva graças a modernas unidades de captação e a implementação de programas permanentes de redução do consumo tornam o caso exemplar.
Algumas vezes as ações são bem simples. No final dos anos 90, aconselhada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a companhia reduziu a pressão das pistolas de pintura e passou a monitorar a viscosidade da tinta, atitudes que resultaram em significativa redução no consumo do produto. A exigência de que os fornecedores parassem de enviar seus materiais em caixas de papelão e adotassem contêineres retornáveis, outra medida prosaica, porém só viável devido ao poder de pressão que uma companhia do porte da AGCO tem sobre a cadeia produtiva, levou a uma enorme diminuição na geração de resíduos sólidos, além de reduzir os custos em ambas as pontas do processo. Essa é uma tendência muito importante, segundo Luiz Antônio Corrêa, da Fatma. “Os fornecedores investem em melhorias ambientais em um primeiro momento pela pressão dos grandes clientes, mas depois acabam adotando a gestão ambiental porque percebem que ela é associada à maior lucratividade”.

Duas Terras
O fato de fabricar produtos destinados a quem ganha a vida explorando a terra ajuda a reforçar a necessidade de adotar práticas sustentáveis, considera Marília. A diretora da AGCO entende que chegou a hora de a empresa, contemplada sucessivas vezes com o Prêmio Expressão, aprofundar o conceito. “Vamos conceituar sustentabilidade e responsabilidade social, pois, embora já tenhamos feito muita coisa boa nesse sentido, ainda há muito a ser feito”, argumenta Marília. A questão da sustentabilidade, de fato, está diretamente relacionada à responsabilidade social. “Se você chega a uma comunidade que não tem o que comer para falar sobre consumo sustentável, parece um crime”, lembrou com propriedade, durante a Eco 2008, realizada em Brasília, a bióloga e filósofa Michele Sato, docente e pesquisadora das universidades federais de Mato Grosso e de São Carlos.
Segundo estudo da World Wildlife Fund (Fundação Mundial para a Vida Selvagem), a conceituada ONG WWF, o nível atual de consumo da população do planeta ultrapassa em 30% sua capacidade de recuperá-lo. Se o quadro não se reverter drasticamente, daqui a pouco mais de 20 anos seria preciso de praticamente duas Terras para suprir as necessidades humanas. Por isso, iniciativas aparentemente modestas quando vistas de modo isolado, como a separação e a reciclagem do lixo, o reúso da água ou a redução e o reaproveitamento dos resíduos sólidos, são de imensa importância na soma dos esforços globais.

   
  Foto: Divulgação
  Parque gráfico e edição especial de A Notícia (abaixo.):
  Sistema de Gestão Ambiental tem equipe própria e
  conta com assessoria externa
 
   
   
 

 A NOTÍCIA

• Pratica ações como reaproveitamento de papel, reúso da água, eliminação de efluentes na impressão e captação de água da chuva.
• Em 2008, duas edições do AN Verde receberam o selo Carbon Free, atestando a produção com saldo negativo de carbono lançado na atmosfera.
   
   

Selo verde
O caso do jornal A Notícia é exemplar. Em 1999 o veículo de Joinville (SC) lançou um suplemento denominado AN Verde, num tempo em que publicações periódicas voltadas para esse segmento não eram ainda tão comuns. Para sustentar o próprio discurso, começou a observar boas práticas de desenvolvimento sustentável, tanto que já em 2002 seu Sistema de Gestão Ambiental recebeu o certificado ISO 14001. Ao ser adquirida pelo Grupo RBS, em 2006, A Notícia chamou a atenção de seus executivos por ser o único jornal da América Latina a exibir tal certificação.
O Sistema de Gestão Ambiental do jornal, até então atrelado à área de recursos humanos, ganhou equipe própria. Também foi contratada uma consultoria externa especializada em monitoramento e atualização da gestão ambiental. Além, disso, ocorreu a implantação de uma Estação de Tratamento de Efluentes e foram adquiridos diversos equipamentos de controle ambiental. Ações como reaproveitamento de papel, reúso da água, tratamento e reaproveitamento de resíduos sólidos, eliminação de efluentes na impressão e captação de água da chuva ajudaram A Notícia a consolidar sua posição pioneira.
Neste ano, duas edições do AN Verde receberam o selo Carbon Free. Não é pouca coisa, considerando-se que a produção de um jornal impresso gera impactos ambientais decorrentes do processo industrial, no qual são utilizadas grandes quantidades de papel, tinta e outros produtos químicos.

Vez dos governos
O sociólogo inglês John Elkington é uma espécie de guru da sustentabilidade. Fundador da SustainAbility, consultoria de grande prestígio no mundo, e autor de quase duas dezenas de livros sobre o tema, Elkington cunhou alguns dos termos que hoje não saem da boca dos especialistas, como o triple bottom line (as empresas devem utilizar como parâmetros o que produzem e o que destroem nos campos econômico, social e ambiental) ou o “PPP” (People, Planet and Profit – Pessoas, Planeta e Lucro). Elkington não se cansa de dizer que incluir questões sociais e ambientais na pauta das decisões estratégicas é hoje um fator decisivo para levar uma empresa a uma posição de destaque no competitivo mercado globalizado.
A maioria das grandes companhias parece já ter entendido isso, e agora a prática passa a ser adotada pelos governos em todos os níveis. Não é preciso ser uma corporação de alcance mundial para que suas ações tenham considerável impacto na preservação da natureza. Mesmo a administração de uma cidade pequena pode contribuir expressivamente. Esse é o caso, por exemplo, da Prefeitura Municipal de Osório, um dos destaques do Prêmio Expressão deste ano.

 
Foto: Divulgação
  Projeto de educação ambiental da empresa catarinense
  já mobilizou mais de 15 mil estudantes
   

Integrada ao ambiente

Efeitos da gestão sustentável da Lunelli vão muito além das portas de suas fábricas

Fundada em 1991 no município catarinense de Corupá, a Lunelli Têxtil possui hoje duas unidades fabris, sendo que a outra está instalada em Jaraguá do Sul, também em Santa Catarina. A empresa atende ao mercado de confecções e malharias que utilizam tecidos beneficiados, com capacidade produtiva de 850 toneladas ao mês. Além de investir em tecnologia de ponta que lhe permite crescer em um segmento que exige permanente atenção às novas tendências e oferta de artigos diferenciados, a Lunelli tem se destacado também por sua preocupação com o meio ambiente, traduzida em um amplo conjunto de ações.
A Estação de Tratamento de Efluentes tem capacidade para 140 m³ por hora. Antes de ser devolvida ao Rio Itapocu, a água tratada ainda passa por várias análises biológicas, físicas e químicas. O sistema inclui as bacias de contenção, reservatórios de segurança destinados a receber o produto de eventuais vazamentos. Com isso, além de evitar a contaminação do solo e da água, é possível reutilizar o material vazado.
Já os resíduos sólidos são encaminhados a uma central para a correta destinação, num processo monitorado pelo Programa SOL (ou Programa 5S) e por auditorias, inclusive externas. O transporte e a destinação final dos resíduos são realizados por empresas de comprovado compromisso com a legislação e com a preservação do meio ambiente. A cada ano são definidas metas para que o volume de resíduos gerados se reduza gradativamente.
A fonte de energia utilizada nas ramas – equipamentos em que o tecido é processado – é o gás natural; nas caldeiras, o cavaco, resíduo de madeira de empresas moveleiras da região que apresentam documentação comprovando a origem legal da madeira. Como no caso do cavaco, a Lunelli estende suas ações de sustentabilidade a todos os fornecedores. Antes de iniciar uma relação comercial, o potencial parceiro precisa passar por um processo de qualificação.

Área protegida
Outros programas mantidos pela empresa, que vão muito além das portas das fábricas, merecem ser destacados. É o caso, por exemplo, do Projeto de Recuperação das Margens do Rio Itapocu e do Ribeirão Grande do Norte, com o desassoreamento de 863 metros das margens e recomposição da vegetação, tornando a área protegida e contribuindo para o desenvolvimento da agricultura. O Projeto de Recomposição da Mata Ciliar existente nos fundos da empresa contemplou uma área de 12.500m² e incluiu o plantio de 2.700 mudas de árvores nativas e frutíferas. O Projeto de Educação Ambiental Preservar é Amar, realizado em parceria com a Secretaria de Educação de Corupá, desde seu lançamento, em 2002, já mobilizou mais de 15 mil estudantes.

   
 
  Aerogeradores instalados em Osório: além dos ventos
  abundantes, infraestrutura da cidade influiu na
  decisão do investimento
   
   
 

 PREFEITURA DE OSÓRIO

• Possui políticas de gestão ambiental, dentre elas o Plano Ambiental, desenvolvido por equipe multidisciplinar, para ordenação do desenvolvimento da cidade.
• Mantém uma série de programas, como recolhimento
de pneus, coleta seletiva e destinação adequada de
resíduos perigosos.

Programa De Olho no Óleo promove a coleta e destinação adequadas do óleo de cozinha.
   
   

Poluidor não entra
De acordo com Leda Famer, secretária de Planejamento e Meio Ambiente do município de 40 mil habitantes localizado a 95 quilômetros de Porto Alegre, conhecido, entre várias outras ações ambientais, por seus parques eólicos, o plano diretor é integralmente focado na sustentabilidade. “Aqui, empresa poluidora não entra”, garante com a convicção de quem sabe ter o apoio de toda a comunidade. “É fundamental trazer a população para debater o plano ambiental da cidade, o que gera engajamento e facilita a execução de nossas metas”.
Apesar de a ação da Prefeitura de Osório na área ambiental envolver dezenas de projetos, os parques eólicos são mesmo a grande estrela, até pelo fato de o brasileiro estar pouco acostumado a vislumbrar paisagens cortadas por aquilo que em linguagem popular é classificado como catavento, mas que atende pelo nome técnico de “aerogerador”. São 75 deles, com potência de 150 megawatts, instalados pelo grupo espanhol Elecnor, que escolheu Osório por sua reconhecida abundância de ventos e pela boa infra-estrutura que oferece.
Trata-se de uma energia limpa, renovável e que não emite os gases formadores do efeito estufa. Em tempos de crescente preocupação com o aquecimento global, o projeto merece aplausos. Além disso, os espanhóis, em contrapartida, promoveram a revitalização da Lagoa do Marcelino e vão construir um mirante na Área de Proteção Ambiental do Morro de Osório.

Assunto estratégico
“Gestão ambiental é uma prática muito recente, que vem ganhando espaço nas instituições públicas e privadas”, afirma José Carlos Barbieri no livro Gestão Ambiental Empresarial – Conceitos, Modelos e Instrumentos. Ainda segundo o autor “atualmente ela começa a ser encarada como um assunto estratégico, porque além de estimular a qualidade ambiental também possibilita a redução de custos diretos (redução de desperdícios com água, energia e matérias-primas) e indiretos (por exemplo, indenizações por danos ambientais).”
Em breve as empresas terão um motivo adicional para adotar práticas sustentáveis. Decreto em fase de elaboração prevê que todas as compras do governo federal terão que seguir normas de sustentabilidade. A medida, que integra o Plano de Ação para a Produção e o Consumo Sustentável, valerá para aquisições da administração pública direta, de autarquias, fundações e empresas estatais. Ou seja, além do preço, serão levados em conta aspectos como menor impacto ambiental e menor geração de resíduos. Estados e municípios deverão seguir o mesmo caminho. Não é pouca coisa. Juntas, as compras dos três níveis do Executivo representam algo em torno de 15% do PIB brasileiro.

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