lguns dos melhores projetos ambientais em curso na região Sul procuram de alguma forma acertar as contas com um passado recente em que a cultura vigente afirmava que a exploração desmedida de recursos naturais era o caminho mais óbvio para o progresso. E o foco dos projetos não é apenas disseminar uma nova cultura de sustentabilidade. Têm a virtude de lançar mão de mecanismos engenhosos, conhecimento científico, poder
de mobilização e criatividade para fazer aparecerem resultados concretos.
É o caso, por exemplo, do programa de implantação e manejo de florestas em pequenas propriedades do Paraná, conduzido por um pool de agências estaduais e federais; governo do estado, por meio do Programa Paraná Biodiversidade, e do Instituto Ambiental do Paraná, da Emater e da Embrapa Florestas.
O projeto vencedor do Prêmio Expressão de Ecologia 2007 na categoria “Manejo Florestal – Setor Público” recebeu o título de “ Implantação e manejo de florestas em pequenas propriedades no estado do Paraná: um modelo para
a conservação ambiental, com inclusão social e
viabilidade econômica”.
A idéia geral do projeto é estimular a recuperação da mata atlântica em áreas de reservas legais nas propriedades, correspondentes a 20% das terras. Áreas que deveriam ter sido mantidas por força de lei, mas que a cultura exploratória ignorou completamente. Pelo contrário, “governantes, universidades, instituições de pesquisa, extensão rural e bancos incentivavam a substituição de florestas, oferecendo aos proprietários crédito, tecnologias e planos estratégicos de desenvolvimento da produção”, informa o case vencedor do Prêmio Expressão de Ecologia. Como resultado, terra arrasada: a cobertura florestal do estado não corresponde a sequer 5% de sua área, e ainda assim mal distribuída e fragmentada em meio a imensas lavouras, canaviais
e pastos.
Para mudar essa mentalidade e esse cenário, o projeto se vale da legislação que permite a introdução de espécies exóticas para a recuperação de matas nativas. Assim se está incentivando pequenos produtores a plantar principalmente eucaliptos, o que permitirá que obtenham renda. Em um primeiro momento essas árvores ocuparão 75% da área que comporá a reserva legal – o restante é plantado com espécies da própria região. Quando os eucaliptos forem retirados para a venda de madeira, darão lugar a árvores nativas. Após esse processso, esperam os idealizadores, novas fontes de renda deverão surgir com a venda de sementes de árvores nativas e comercialização
de créditos de carbono. |