Newsletter Ambiental 08/07/2008
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N
esta década e meia em que o Prêmio Expressão de Ecologia reconheceu as melhores práticas ambientais, foi possível perceber a evolução da política de sustentabilidade adotada pelas empresas do Sul. Lá pelo começo dos anos 90, as iniciativas praticamente se limitavam a ações isoladas para reduzir um ou outro foco de poluição resultante da atividade industrial. Agora, a moda entre as empresas é a “gestão ambiental”. Mais do que puro modismo, isso significa que o conceito de sustentabilidade passou a fazer parte do planejamento estratégico das companhias – não de todas, claro, mas daquelas mais inovadoras. E em alguns casos, ele extrapola os limites das empresas e se espraia por toda a cadeia produtiva, da matéria-prima ao produto final.

Na Café Iguaçu, a política de sustentabilidade perpassa toda a cadeia de industrialização do café. A empresa sediada na cidade paranaense de Cornélio Procópio já conquistou o Prêmio Expressão de Ecologia quatro vezes (2003, 2005, 2006 e 2007). Por ter vencido nos últimos três anos consecutivos, a empresa tornou-se uma das grandes campeãs da maior premiação ambiental do Sul. Pode-se afirmar que a Iguaçu já incorporou práticas ao seu planejamento estratégico que caracterizam uma gestão voltada para o desenvolvimento sustentável.

Alexandre Frasson, coordenador do sistema integrado de gestão ambiental da Iguaçu, diz que é preciso certificar-se de que as plantações não poluem o solo e os rios com agrotóxicos, por exemplo. Além disso, uso racional de matérias-primas também é fundamental – até para não comprometer o ritmo de crescimento da companhia, de 8% ao ano, em média. Nesse ritmo, o poço utilizado atualmente não mais será suficiente para abastecer a fábrica com água de qualidade. Até que novas fontes sejam encontradas, a saída é utilizar o menor volume de água possível.

Exportando 75% da produção para o Japão, a Iguaçu já está acostumada ao alto nível de exigências de práticas ambientalmente corretas. Nos países desenvolvidos é assim: os clientes, além de exigirem todas as certificações, ainda fazem questão de vistoriar as instalações de seus fornecedores. Essas visitas são verdadeiras auditorias sobre os procedimentos internos das empresas. Querem estar certos de que seus fornecedores seguem os princípios do que internacionalmente se convencionou chamar de
fair trade (numa tradução livre, “negócio justo”).

 
Vice-presidente
de Produtos Primários
da Rigesa
Creio que esse tipo de iniciativa seja um grande passo para estimular as empresas que ainda não se atentaram à gestão responsável a começarem a refletir. Além disso, reconhece os esforços de quem já cuida dessas questões com excelência e dá a oportunidade a empresas de apresentar seus casos de sucesso e compartilhar suas ações com a sociedade
 
 
Inscreva seu projeto ambiental no 16º Prêmio Expressão de Ecologia até 15/08/2008. Para participar:
1 - Preencha ficha de inscrição on-line no site oficial da premiação

2 - Envie o arquivo digital do seu case (formato PDF
ou Word) por e-mail

3 - Encaminhe quatro cópias impressas do projeto para a sede da
Expressão
 
Veja o regulamento 2008 do Prêmio Expressão de Ecologia em três formatos:
Regulamento HTML
Regulamento WORD
Regulamento PDF
 
   
Frasson no banco feito de borra de café e resíduos plásticos pela Iguaçu, material que também virou apoio para pallets: fim a passivo
e doação à cidade
   
     
Sustentabilidade custa caro?
Mas desenvolver uma política de sustentabilidade deve custar caro e trazer pouco retorno. Será? Frasson tem uma história que vai de encontro a isso. Para implantar os procedimentos necessários à certificação da ISO 14000, a Iguaçu gastou em torno de R$ 600 mil. Reduziu o consumo de insumos, água e energia e a geração de resíduos. Resultado: economia de R$ 2,4 milhões por ano.

E nessa batalha contra a agressão ao ambiente, a inovação é uma ferramenta valiosa. A Café Iguaçu, por exemplo, trocou uma parte da sua matriz energética de óleo por borra de café, que antes servia para adubar cafezais. Além do custo do transporte até as lavouras, isso representava um risco para a imagem da empresa, já que poderia ser responsabilizada por qualquer incidente com o material – como contaminação do solo ou dos rios. Na dúvida sobre o que fazer com o resíduo, surgiu a idéia de queimá-lo para gerar energia. O primeiro obstáculo foi retirar completamente a umidade. Feito isso, a borra de café passou a ser uma biomassa capaz de gerar energia, assim como o bagaço da cana-de-açúcar e outros resíduos orgânicos.

Banco de café
Frasson nota que a queima de borra de café até expele CO2 (gás carbônico), mas é o que se chama de “CO2 limpo”, por já estar no ambiente – ao contrário do gerado pelos combustíveis fósseis, como o petróleo, que são inseridos no sistema. Mas, além disso, a borra de café se tornou matéria-prima para a construção de apoios para pallets na indústria e até para bancos de praça. Feitos com borra de café e resíduos de plásticos utilizados na indústria, os bancos produzidos por uma empresa do Rio de Janeiro vão acomodar os cidadãos de Cornélio Procópio (PR), onde a Iguaçu é sediada, na praça principal da cidade.

Se o seu projeto ambiental também colabora com o Desenvolvimento Sustentável da região Sul, participe do 16º Prêmio Expressão de Ecologia e inscreva-se gratuitamente na maior premiação ambiental do Sul até o dia 15 de agosto de 2008.

Fonte: Anuário Expressão de Ecologia 2007

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