01/04/2014

Negócios sustentáveis: para tirar a sustentabilidade do papel

Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos, lança o projeto na Casa do Saber, em São Paulo. Foto: Clóvis Fabiano.

Uma pesquisa recente divulgada pela revista Exame mostrou que boa parte das empresas brasileiras já sabe colocar a sustentabilidade em sua estratégia. Mas poucas conseguem levá-la ao dia a dia do negócio.

 

Essa pesquisa, realizada pela Fundação Dom Cabral (FDC), de Minas Gerais, com 400 companhias de diferentes tamanhos, revelou que 78% delas têm a sustentabilidade de fato na estratégia de negócios. O problema é que só uma minoria — 36% — consegue realizar ações concretas, isto é, levar a sustentabilidade às operações e ao dia a dia do negócio.

 

De modo geral, quando as ações de sustentabilidade existem, elas são pouco sofisticadas: limitam-se a promover a coleta seletiva, economizar papel ou doar dinheiro para alguma organização sem fins lucrativos.

 

As dificuldades para sair dessas iniciativas começam com a própria definição do que seja um “negócio sustentável”, passando pela forma de implementá-lo e pela incerteza do retorno do investimento.

 

Levando em conta essas dificuldades, o Instituto Ethos lançou, no último dia 27 de março, na Casa do Saber, em São Paulo, mais uma iniciativa pioneira: o Projeto Negócios Sustentáveis: Transformando Ideias em Modelos Inovadores.

 

Trata-se de uma iniciativa que pretende demonstrar a viabilidade econômico-financeira no tempo dos negócios sustentáveis no Brasil, por meio de inovação que possa ser replicada em escala.

 

Para tanto, o Ethos reuniu um grupo de nove grandes empresas que atuam no Brasil – Alcoa, BNDES, CPFL Energia, Fibria, IBM, Natura, Santander, Vale e Walmart –, que já possuem atuação relevante na área de sustentabilidade. Juntou a experiência delas com a expertise de especialistas em gestão,brandingdesign e finanças para formarem um “think tank”, ou seja, uma “usina de ideias” voltada à produção e disseminação de conhecimentos estratégicos para, em um ano, lançar a modelagem de um negócio sustentável que seja replicável e, numa segunda etapa, aproximar as empresas interessadas e os agentes financiadores.

 

E o que é um negócio sustentável?

 

Esse projeto começou a ser elaborado no ano passado, para dar resposta a uma pergunta feita insistentemente por empresas, jornalistas e a sociedade civil: afinal, sustentabilidade dá lucro a ponto de se poder falar em negócio sustentável? Nossa resposta sempre foi SIM, sustentabilidade dá lucro, mas os negócios precisam ser feitos de um jeito diferente. E que jeito é esse?

 

Para chegar a esse “jeito”, foi preciso encontrar uma definição prévia de “negócio sustentável”. Note-se que é um consenso encontrado para ser possível elaborar o projeto. Nada impede que, durante o período de discussões, o grupo chegue à conclusão de que esse conceito precisa ser alterado. De qualquer forma, trabalhamos com a definição de “negócios sustentáveis” como sendo aqueles que possuem a capacidade de gerar valor na dimensão econômica e em pelo menos uma das seguintes dimensões: ambiental, social ou ética – não destruindo valor nas demais dimensões –, apurando resultados e/ou dividendos até o encerramento do exercício social, de modo que seus concorrentes não possam reproduzi-lo, ocupando assim posição de vantagem dentro da disposição máxima que o consumidor estará disponível a pagar e influenciando a estrutura circundante de fornecedores.

 

Como vai funcionar

 

As nove empresas que já atuam em sustentabilidade são chamadas de “ativadoras” e vão trazer temas que interessam à gestão para servir de base à modelagem. Esses temas serão formatados por parceiros consultores denominados “shapers”, que verificarão a viabilidade ambiental, ética e econômico-financeira; em seguida, especialistas em branding e design darão a forma final ao projeto. Em seguida, parceiros “difusores” – associações e federações de classe, bem como a mídia – vão divulgá-lo.

 

O “kick off

 

O lançamento na última quinta-feira (27/3), foi, na verdade, o primeiro evento oficial da iniciativa que reuniu todos os participantes do projeto – empresas ativadoras, shapers, difusores, designers, profissionais de branding e a rede internacional – para juntos definirem o tema da modelagem futura. O assunto deverá ser sobre resíduos, no contexto da produção e do consumo sustentável. A reunião de abril definirá melhor os contornos com os quais se vai trabalhar a modelagem.

 

A escolha desse tema tem a ver com o fato de as empresas ainda não terem conseguido cumprir os prazos estipulados pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) para a implementação de diversas mudanças na gestão de resíduos. Há grandes obstáculos a contornar que necessitam, inclusive, de novas políticas públicas para as quais as empresas precisam se mobilizar. Um exemplo é a questão da logística reversa.

 

Outro tema muito discutido pelos presentes ao “kick off” foi a água, ou melhor, a previsível escassez da água, tornando esse recurso imprescindível cada vez mais caro. Que programa de eficiência se deve adotar? É possível que setores industriais sofram solução de descontinuidade, pelo alto consumo desse recurso?

 

Perguntas como essas vão aprofundar os debates nos próximos encontros e ajudar a construir um novo caminho para os negócios, as empresas e a sociedade brasileira.

Fonte: Cristina Spera/ Instituto Ethos.




Últimas notícias
Envio de Matérias
Portfólio editorial
Cadastro
Siga-nos no facebook

ENDEREÇO

Caixa Postal 21725
CEP 88058-970
Florianópolis - SC

CONTATO

expressao@expressao.com.br
Fone: (48) 3222-9000

Facebook Editora Expressão Twitter Editora Expressão SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS


Copyright © 2014 Editora Expressão. Todos os direitos reservados.