01/08/2014

Morre o almirante Ibsen Câmara, pioneiro do ambientalismo brasileiro

Foto: divulgação.

Morreu nesta quinta-feira (31), aos 90 anos, o almirante Ibsen de Gusmão Câmara, vítima de um hematoma cerebral causado por duas quedas. Ele era um dos principais nomes do ambientalismo brasileiro. Para o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin, os resultados da luta do almirante em prol da natureza serão expressados em um futuro próximo. "É que cada vez mais a humanidade se dá conta de que a proteção da natureza tem um valor intrínseco, para além de qualquer dimensão ideológica ou regimes de governo. E era nisso que residia a essência do pensamento e ação de vanguarda do almirante: não existe perspectiva histórica fora da relação de comunhão entre homem e natureza", destacou Vizentin.


Defendendo a causa ambiental, Ibsen criou dezenas de Unidades de Conservação federais, como a Reserva Biológica do Atol das Rocas e os Parques Nacionais Marinhos dos Abrolhos e de Fernando de Noronha. Teve também importante participação na criação de parques e reservas na Amazônia e ajudou a recuperar mico-leões no Brasil, além de ter contribuído com a elaboração da lista de espécies ameaçadas.


O ambientalista também liderou a campanha contra a caça de baleias no Brasil e é considerado como um dos maiores defensores que a natureza já teve. "Difícil ter pessoa desse quilate no cenário ambiental", ressaltou a analista ambiental Maria Iolita Bampi, da Diretoria de Planejamento, Administração e Logística (Diplan/ICMBio).


Ibsen foi presidente honorário da Rede Pró-Unidades de Conservação, presidente da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), conselheiro no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) por uma década e colaborou para a criação de várias organizações não-governamentais. Ele também é considerado um dos fundadores do conservacionismo no Brasil.


O diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (Diman/ICMBio), Sergio Brant, lamentou a morte de Ibsen e disse que ele era uma pessoa tão especial que todos gostavam e o respeitavam profundamente, mesmo quando havia divergência das ideias. "Não são muitas as pessoas que alcançam este patamar", disse.


Como oficial de alta patente da Marinha do Brasil, lutou contra a caça das baleias e defendeu como poucos a preservação dos oceanos. Colaborou em centenas de pesquisas e ações para a conservação da Mata Atlântica, Caatinga, Amazônia, Cerrado e demais biomas brasileiros. Sua história foi contada por Marcos Sá Correa no livro "Água mole em pedra dura: dez histórias da luta pelo meio ambiente", de 2006. Em dezembro de 2013, o Ministério do Meio Ambiente reconheceu a importância do almirante em cerimônia pela sua luta em defesa às causas ambientais.

Fonte: ICMBio.




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