01/10/2013

Inovação é chave para crescimento sustentável da indústria de alimentos

Barbosa-Cánovas relatou experiência em processamento não térmico.
Foto:
Marcos Campos

A inovação constante é a forma para a indústria de alimentos superar o desafio de oferecer produtos funcionais, de longa durabilidade, com praticidade no consumo, tudo isso sem perder o sabor e as demais características sensoriais. É o que apontam os palestrantes do Workshop Internacional de Processamento Não Térmico de Alimentos, promovido pelo SENAI, entidade da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), e pela Embrapa. Aberto na segunda-feira, o evento prossegue até esta quarta, dia 2, no Centro de Eventos da FIESC.

 

Com palestrantes dos Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Bélgica, Austrália, além do Brasil e participantes de 12 países, o Workshop detalha técnicas de processamento que, reduzindo ou eliminando o aquecimento, mantém as características naturais e os nutrientes dos produtos por períodos mais extensos. Para o pesquisador da Washington State University Gustavo Barbosa-Cánovas, que realizou a palestra de abertura, a inovação é elemento-chave para o crescimento sustentável da indústria de alimentos. Doutor honoris causa pela universidade de Cartagena, na Espanha, Cánovas relatou em sua apresentação o histórico vivido por ele na área de processamento não térmico, apresentando os principais centros de pesquisa, institutos financiadores e publicações dedicadas do mundo. Informações fundamentais para os cientistas que pretendem se aprofundar na área.

Pesquisas militares
Pesquisador do US Army Natick Soldier Research, Development and Engineering Center (NSRDEC), do exército americano, Christopher Doona apresentou diversos exemplos de inovações em alimentos desenvolvidas pelas forças armadas de seu país. Citou, por exemplo, os alimentos desidratados e que possam ser reidratados rapidamente, inclusive usando neve; uma minicozinha dentro de uma caixa de papelão e a embalagem que aquece o alimento sem fogo, a partir de uma reação química. Doona relatou ainda o desenvolvimento de um purê de batatas servido em bisnagas, uma praticidade que facilita a alimentação de quem esteja utilizando capacete. Por isso, foi utilizada inicialmente por astronautas, depois por pilotos de aviões militares e chegou aos hospitais, beneficiando pacientes com dificuldades de realizar suas refeições. "A meta geral é fazer a transferência para o uso militar ou até comercial das tecnologias. Temos algumas patentes e licenciamento de produtos usados comercialmente. Muitos deles são tratamentos com dióxido de cloro para desinfecção e conservação de alimentos e para que os soldados possam usar em campanha ou mesmo depois para a sociedade em geral", afirmou Doona.

O gerente-executivo de Inovação e Tecnologia do Departamento Nacional do SENAI, Jefferson de Oliveira Gomes, explicou os objetivos do Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira, iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio do SENAI. "Estamos investindo em torno de 1 bilhão de dólares em uma rede 24 institutos de inovação e 62 de tecnologia, que terão a capacidade de atender os desafios das indústrias", afirmou. Nove das instituições de tecnologia são focadas na área de alimentos, uma delas em Chapecó (SC). "Vamos oferecer inovação, serviços e ambientes para propagar o empreendedorismo", salientou Jefferson. Para ele, "a única chance de o Brasil desenvolver produtos novos, inovadores é promover uma conexão entre empresas grandes, empresas pequenas, academia, parques tecnológicos e incubadoras". Jefferson afirma que o programa vai promover a associação com as grandes empresas, "mas, sobretudo, criar ambientes para pequenas empresas se desenvolverem".

O diretor regional do SENAI/SC, Sérgio Roberto Arruda, destacou a importância do aprimoramento da indústria de alimentos. "O Brasil e o mundo vivem uma dicotomia: as pessoas oscilam entre obesidade e a fome - esta não tanto de carboidrato e sim de proteínas". E ressaltou a relevância do setor na economia catarinense, como grande exportador produtor e exportador de proteínas, em especial de carnes de frango e suínos.

O presidente do Workshop e pesquisador da Embrapa, Amauri Rosenthal, salientou que o Brasil tem economia fortemente baseado no agronegócios, mas que ainda é intensivo em exportação de commodities. Em sua avaliação, alianças estratégicas entre a Embrapa, o SENAI e outras instituições podem contribuir para alterar o quadro. A realização do Workshop no Brasil também contribui para isso. "O evento é realizado desde o ano 2000, inicialmente apenas no circuito Estados Unidos-Europa, depois foi para a China e Austrália e, agora, pela primeira vez se realiza na América Latina".

Mais informações no site www.nonthermalfood2013.com.

 

Clique aqui para ver a programação do workshop.

Fonte: Ivonei Fazzioni / Assessoria de Imprensa da FIESC




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