01/10/2015 Duplo desastre: Brasil ignora compromissos com Clima e promove fontes fósseis na Amazônia

Duplo desastre: Brasil ignora compromissos com Clima e promove fontes fósseis na Amazônia

Protesto na Amazônia - Deixe as fontes fósseis no chão. Foto: Rogério Assis/Greenpeace.

Greenpeace realiza protesto no encontro das águas dos rios Negro e Solimões contra avanço da exploração de petróleo e gás na maior floresta tropical do mundo.

 

Na contramão da história e contra a tendência global de desincentivo às fontes fósseis, o governo federal promove no dia 7 de outubro mais um leilão de energia voltado para petróleo e gás. Em sua 13ª rodada, o certame vai oferecer 266 blocos para exploração, sendo que desse total 182 estão localizados em terra – alguns em plena Floresta Amazônica.

 

O leilão é um duplo desastre e precisa ser cancelado: além de um claro incentivo a fontes sujas e poluentes de energia, os blocos exploratórios em terra estão localizados sobre dez grandes bacias hidrográficas, entre elas as do Amazonas, Parnaíba, Recôncavo e Potiguar. Na bacia amazônica, sete áreas ofertadas no leilão impactarão 19 Terras Indígenas (TIs) e 15 Unidades de Conservação (UCs). Veja nas imagens abaixo.

 

Mapa mostra as 19 Terras Indígenas (TIs) que serão impactadas pelo leilão. Imagem: Greenpeace.

 

O caso mais grave é no bloco ao sul da bacia, que se sobrepõe a quatro territórios indígenas: Trincheira/Bacajá, São Pedro, Padre e Miguel/Josefa. No total, mais de 1,3 mil indígenas poderão ser afetados.

 

“As TIs e UCs são as modalidades de Áreas Protegidas que mais impedem o desmatamento da floresta. Os territórios indígenas, inclusive, apresentam os índices mais baixos de desmatamento do País. Colocar uma dessas áreas em risco é jogar com o futuro da Amazônia”, defende Thiago Almeida, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. “Mais grave ainda é ameaçar o futuro da floresta e do planeta apostando em uma fonte de energia do século passado”.

 

Mapa mostra as 15 Unidades de Conservação (UCs) que serão impactadas pelo leilão. Imagem: Greenpeace.

Como se não bastasse, o gás de xisto também poderá ser explorado em todos os blocos da rodada – nesse caso a preocupação recai principalmente nas bacias do Parnaíba e Recôncavo. Muito polêmico após gerar diversos protestos nos Estados Unidos, o gás de folhelho, popularmente conhecido como xisto, é extraído a partir do fraturamento hidráulico, o fracking – técnica que causa altos impactos ambientais como a contaminação do solo, dos lençois freáticos e, portanto, ameaça a água de consumo humano e usada na produção de alimentos.

 

Para lançar um alerta sobre esse duplo desastre, promover o fim do uso de fontes fósseis e pedir o cancelamento da 13ª Rodada do leilão, o Greenpeace coloca uma enorme balsa com a mensagem“Deixe as fontes fósseis no chão” no mundialmente famoso encontro das águas dos rios Negro e Solimões, cartão postal da cidade de Manaus.

 

O encontro dos rios Negro e Solimões forma o Rio Amazonas, maior curso de água doce do mundo. É nesse cenário de beleza e riqueza natural onde o governo quer explorar petróleo e gás.

 

O mundo contra as fontes fósseis

 

Em seu Plano Decenal de Energia (PDE 2015-2024), o Brasil prevê que mais de 70% de todos os investimentos no setor serão em fontes fósseis. “Com um grande movimento internacional pelo fim do uso de energias sujas, que são altamente poluentes e contribuem para as mudanças climáticas, o governo federal dá um passo para trás ao incentivar essas fontes”, afirma Thiago Almeida.

 

Colocar a Amazônia em risco para a produção de petróleo e gás contradiz qualquer compromisso nacional pela redução de emissões de gases de efeito estufa. As fontes fósseis devem ficar no chão para que o limite de aumento de temperatura global se mantenha em no máximo 2ºC. “O mundo precisa urgente mudar os investimentos voltados para energias sujas e começar a injetar esse dinheiro nas fontes renováveis, como a solar, eólica e de biomassa”, afirma Thiago Almeida. A transição para um mundo 100% renovável até 2050 precisa começar agora.

Fonte: Greenpeace.




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