02/06/2017 O setor ambiental no Brasil foi escanteado por ignorância ou premeditação

O setor ambiental no Brasil foi escanteado por ignorância ou premeditação

Homem se prepara para derrubar árvore na Amazônia. Foto: Cifor/Flickr.

Os bastidores da crise política revelam uma crise de futuro que resulta em incertezas quanto aos modelos políticos, institucionais, trabalhistas, previdenciários e éticos vigentes

 

A crise política, pela qual o país passa, tem reflexos para além daqueles já sentidos em nível econômico. Os bastidores revelam uma crise de futuro que resulta em incertezas quanto aos modelos políticos, institucionais, trabalhistas, previdenciários e éticos vigentes.

 

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Com necessidades tão prementes, alguns setores ficam “escanteados”, o que os coloca, por ignorância ou premeditação, em situação vulnerável. É o que acontece com o setor ambiental, parte fundamental da contribuição para uma retomada do país que queremos. 

 

O desmatamento amazônico, por exemplo, voltou a subir nos últimos dois anos, colocando em risco o cumprimento da meta brasileira de reduzir em 37% as emissões nacionais de gases do efeito estufa acordada no âmbito da ONU.

 

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Se não bastasse, a redução dos limites de algumas unidades de conservação via Medidas Provisórias, MP 756 e MP 758, coloca em xeque uma das mais eficientes estratégias na contenção do avanço do desmatamento ilegal. O direito dos povos indígenas às suas terras e a prerrogativa de decidir sobre novas demarcações, antes exclusiva do Poder Executivo, correm o risco de ser objeto de barganha no Congresso Nacional caso outra peça do Legislativo, a PEC 215, for aprovada pelos parlamentares. 

 

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A instabilidade no campo aumentou, como resultado do avanço da disputa pela terra e da violência rural, em um cenário de ausência do Estado, hoje submergido em caos econômico e político. O Ministério do Meio Ambiente, por sua vez, atingido por uma redução de 51% de seu orçamento, enfrenta um isolamento dentro do próprio governo.

 

>> O que está errado com o licenciamento ambiental

 

Nesse ambiente, o Congresso procura flexibilizar as regras do licenciamento ambiental, sem que haja uma ampla discussão entre os atores envolvidos. Entre tantas batalhas a ser travadas para reinstituirmos a estabilidade no país, ainda nos dividimos pela falsa dicotomia entre ruralistas e ambientalistas.

 

A ciência já mostrou que a manutenção das florestas é essencial para minimizar crises hídricas, conservar o solo e manter a temperatura e, dessa forma, contribuir para a produtividade agrícola. Contrariamente à estratégia vigente, a coexistência parece ser o caminho para uma estratégia vitoriosa. E, num país continental como o Brasil, falta mais ordenamento do que terra a ser aberta. Se todos esses argumentos já não fossem suficientes, é cada vez mais evidente e comum as exigências de um mercado socioambientalmente correto.

 

Em um momento de incertezas, e na véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente, é preciso cuidar para que mudanças profundas, que colocam tanto em risco, não ocorram em função de barganhas políticas. Caso contrário, a capacidade de recuperação do país e seu próprio futuro ficam na corda bamba. 

Fonte: ÉPOCA | Blog do Planeta com informações de Claudia Azevedo Ramos (Universidade Federal do Pará) e Paulo Moutinho (Ipam).




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