02/07/2016 A substância química que volta a ameaçar a camada de ozônio

A substância química que volta a ameaçar a camada de ozônio

O buraco na camada de ozônio é maior sobre a Antártida, mas mostrou, em 2016, os primeiros sinais de recuperação. Foto: NASA.

A recuperação da camada de ozônio poderia demorar várias décadas mais do que o previsto caso não diminuam as crescentes emissões de diclorometano, uma substância química usada como solvente de pintura e para preparar compostos químicos de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado.

 

A revelação foi feita por um estudo publicado na revista científica Nature Communications.

 

O buraco na camada de ozônio, descoberto nos anos 1980, começou a se recuperar graças à proibição do uso dos clorofluocarbonetos (CFC), presentes em muitos produtos de limpeza domésticos, em aerossóis e outros.

 

Estas substâncias químicas foram abandonadas a partir da introdução do protocolo de Montreal, em 1987, quando se descobriu que elas permaneciam muito tempo no ambiente e que sua acumulação danificava a camada de ozônio.

 

O gás ozônio que envolve o planeta fornece proteção contra radiações solares nocivas.

 

No entanto, o diclorometano - também conhecido como cloreto de metileno - não foi incluído no protocolo, já que tem vida mais curta, ou seja, se decompõe após aproximadamente cinco meses na atmosfera.

 

Mesmo assim, a decomposição do composto libera cloro, que pode danificar a camada de ozônio, caso chegue até ela.

 

Segundo os cientistas, os benefícios da redução das emissões de diclorometano poderão ser notados em pouco tempo, justamente porque o tempo que ele permanece na atmosfera é mais curto.

 

Fim de século

 

De acordo com o estudo, os níveis de diclorometano na atmosfera aumentaram 8% por ano entre 2004 e 2014.

 

Campo em dia de sol
Getty Images. A camada de ozônio protege o planeta
da radiação nociva do sol

 

Se esta tendência continuar, modelos computadorizados mostram que a recuperação da camada de ozônio, prevista originalmente para 2065 (sem considerar as emissões do diclorometano) poderia demorar mais 30 anos, e só se completar em 2095.

 

"É importante lembrar que a diminuição da camada de ozônio é um fenômeno global que, mesmo que tenha tido seu ponto máximo há uma década, é um problema ambiental persistente", disse Ryan Hossaini, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e principal autor do estudo.

 

"Acreditamos que o caminho até sua recuperação será longo e cheio de obstáculos."

 

Origem

 

O estudo diz ainda que o crescimento das emissões está vinculado ao papel cada vez mais importante desta substância na fabricação de hidrofluorocarbonetos, compostos químicos utilizados para substituir outros gases que causam o efeito estufa.

 

Aerossol
Getty Images. Cientistas dizem que o protocolo de Montreal,
criado nos anos 1980, deve abranger
outras substâncias além do CFC

 

Segundo Hossaini, ainda não está claro quais regiões do mundo contribuem mais para o problema. Mas uma das zonas que causa preocupação é a Ásia, onde o diclorometano é usado em sistemas de refrigeração.

 

Uma amostra de ar retirada do limite inferior da estratosfera terrestre mostrou níveis particularmente altos de diclorometano acima da Índia e do Sudeste Asiático durante a temporada de monções.

 

Além desta substância, também há outros gases de vida curta que contêm cloro e que danificam a camada de ozônio. Mas não foram feitas medições para avaliar sua concentração na atmosfera.

 

Os cientistas acreditam que os resultados deste estudo colocam em evidência a importância de observar a longo prazo todos os gases que ameaçam a camada de ozônio e a necessidade de expandir o protocolo de Montreal para reduzir estas ameaças.

Fonte: BBC Brasil. 




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