02/09/2013

Empresas que investem em ciclos sustentáveis merecem ser reconhecidas

“Em relação à sustentabilidade, falta compreensão do público sobre ganhos individuais e sociais”, afirma Daniela da Silva, gerente do Unops.
Foto:
divulgação

Às vésperas do início da Conferência de 2013, que se realiza de 3 a 5 de setembro, destacamos mais um dos palestrantes convidados: Daniela da Silva, gerente de programa no Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (Unops).

 

Daniela se formou na Copenhagen Business School e atua em projetos internacionais em cenários os mais complexos, buscando a consolidação da paz e um desenvolvimento efetivo, por meio de operações humanitárias.

 

No evento deste ano, ela falará sobre “Risco e infraestrutura: a sustentabilidade produtiva e o custo Brasil”, ao lado de Kalil Cury Filho, diretor na Partner Desenvolvimento, Shelley de Souza Carneiro, gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria, Wilson Martins Poit, diretor-presidente da SP Negócios, e Nelson Siffert, superintendente da área de Infraestrutura e Insumos Básicos do BNDES.

 

Confira nesta entrevista exclusiva, sua opinião sobre formas de incentivar as empresas que investem na sustentabilidade e oportunidades para o Brasil nesse campo.

 

Instituto EthosMuitas empresas brasileiras vêm adotando melhores práticas em seu modo de produção. Como é possível ajudá-las a fazer frente à alta competição do mercado e, ao mesmo tempo, avançar na direção de ciclos sustentáveis? 
Daniela da Silva: Todas as empresas que estão investindo efetivamente em ciclos sustentáveis merecem ser reconhecidas e promovidas pelo público, por outras empresas e pelo próprio governo. Este reconhecimento pode vir de diversas formas, como por exemplo, na diminuição de taxas ou de impostos, na redução e eliminação de subsídios a atividades poluentes ou exploradoras de recursos naturais, e não apenas por meio de certificações.

 

No entanto, esses são fatores-chave para nos relembrar os padrões a serem seguidos, como no caso da certificação ISO 14001, a qual apresenta os requisitos para um sistema de gestão ambiental e, no caso da Unops, reconhece o compromisso da organização com construções que respeitem a proteção ao meio ambiente.

 

Além disso, a conscientização do público é mais uma determinante a se defender. O público tem um conhecimento geral sobre os benefícios da sustentabilidade para o meio-ambiente, mas falta uma maior e melhor compreensão em termos de ganhos individuais e para a sociedade como um todo.

 

Quando o retorno sustentável for extremamente claro para todos, este será o preço que todos irão procurar no momento “da compra”. É necessário investir e focar no longo prazo. Se continuarmos investindo no uso de produtos não renováveis – em vez de produtos verdes –, presos a um padrão de crescimento atrelado a uma economia intensiva em carbono, não conseguiremos alcançar um modelo sustentável.

 

IE: Como o processo de passar da visão para a ação pode ser acelerado?
DS: Acredito que temos algumas alternativas disponíveis. No entanto, a fim de avançarmos e colocarmos em prática os ideais sustentáveis, devemos trabalhar em conjunto com os diversos setores, tanto públicos quanto privados. Nesse sentido, podemos usar e promover os parâmetros de avaliação da sustentabilidade que tenham como base o ciclo de vida dos produtos e instrumentos a serem utilizados.

 

Além disso, como foi dito na resposta anterior, compartilhar conhecimento sobre os benefícios da sustentabilidade e como encontrá-los e adotá-los efetivamente, tanto em relação àqueles que “vendem” o produto quanto aos que “compram” (clientes), é fundamental para a aceleração desse processo.

 

IE: Qual é a importância para o Brasil de institutos e ONGs voltados para a promoção e o fortalecimento da responsabilidade socioambiental e empresarial?
DS: Institutos e ONGs normalmente operam em áreas em que a atuação privada ou governamental não é satisfatória – ou, pelo menos, muitos foram criados com esse propósito. Como esse tipo de organização não tem como objetivo a obtenção de lucro, suas ações tendem a ser mais voltadas a melhorias nas comunidades ou regiões em que trabalham.

 

Os institutos e ONGs que trabalham na temática do desenvolvimento sustentável e da responsabilidade social, por exemplo, prestam um importantíssimo trabalho de conscientização e monitoramento independente, além do impacto direto que causam na sociedade. Sua influência e habilidade em demonstrar que a sustentabilidade faz parte de um processo e não de um fim é, portanto, deveras crucial para colaborar com a conscientização da sociedade.

 

IE: Em sua opinião, quais são e onde estão as melhores oportunidades ligadas a negócios sustentáveis e responsáveis no país?
DS: Acredito que o setor de infraestrutura apresenta uma grande oportunidade. Como sabemos, esse é um dos setores produtivos que contribuem substancialmente para a emissão de gases do efeito estufa no país, mas, felizmente, também é o setor que tem as melhores condições de contribuir para uma economia/sociedade sustentável.

 

É um setor do país que está crescendo abaixo da estimativa necessária, o que oferece uma grande oportunidade sustentável, e é um dos setores que mais precisam aprimorar sua capacidade de planejamento.

 

O investimento em planejamento e nos estudos anteriores à implementação de certo projeto garante a vida sustentável de uma construção, assim como a otimização de recursos, minimizando os impactos negativos e contribuindo para a redução de riscos de desastres. Por último, a capacitação de profissionais na área de infraestrutura sustentável também possibilitaria uma maior aderência e afinidade para com a construção verde, além de social e economicamente sustentável.

 

Podemos melhorar a eficiência energética, diminuir o consumo de água e a geração de resíduos sólidos e, consequentemente, trazer melhorias para o bem-estar das pessoas, propiciar um ambiente mais saudável e gerar melhores práticas que podem ser incorporadas por outros setores, como o setor de compras sustentáveis. Uma pequena mudança de atitude em direção ao uso de produtos e instrumentos verdes pode trazer um grande impacto positivo.

 

Por Neuza Arbocz, para o Instituto Ethos

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CONFERÊNCIA ETHOS 2013
Realização:
 Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social;
Parceiros Institucionais: Alcoa, CPFL, Natura, Vale e Walmart;
Parceiro Estratégico: Roland Berger
Patrocinadores “Master Apresenta”: Bradesco, CPFL Energia, Itaú Unibanco, Petrobras, Santander e Sebrae;
Patrocinadores Ouro: Bradesco, Itaú Unibanco e Santander;
Patrocinador Prata: Caixa;
Patrocinadores Bronze: Queiroz Galvão e Shell;
Aliança Estratégica:Avina.

 

SERVIÇO
O quê: Conferência Ethos 2013, com o tema “Negócios Sustentáveis: Oportunidades para as Empresas e para o Brasil”;
Data: De 3 a 5 de setembro de 2013;
Local: Teatro GEO, no edifício do Instituto Tomie Ohtake;
Endereço: Rua dos Coropés, 88 (altura do nº 201 da Av. Brigadeiro Faria Lima) – Pinheiros, São Paulo (SP);
Inscrições: Pelo site www.ethos.org.br/ce2013.

Fonte: Instituto Ethos




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