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04/01/2018 Os corais estão condenados, revela grupo internacional de pesquisadores

Os corais estão condenados, revela grupo internacional de pesquisadores

Coral branqueado nas Maldivas em 2016.
Foto:
The Ocean Agency/XL Catlin Seaview Survey.

“Os recifes tropicais estão na transição para uma nova era, na qual o intervalo entre surtos recorrentes de branqueamento é muito curto para a recuperação de colônias maduras”. É raro um artigo científico começar de forma tão direta e dizendo coisas tão fortes. A menos, claro, que seu tema seja o arraso que o aquecimento global está fazendo com os recifes de coral, maiores repositórios de biodiversidade do planeta, dos quais depende diretamente a vida de meio bilhão de pessoas.

 

O periódico científico Science trouxe em sua edição on-line nesta quinta-feira o relato arrepiante de um grupo internacional de pesquisadores sobre as mudanças ocorridas nas últimas quatro décadas no padrão de branqueamento, uma síndrome causada pelo aumento da temperatura da água, cujo resultado frequentemente é a morte do coral.

 

Quando o mar esquenta demais, as microalgas que vivem em simbiose com os corais e que dão cor aos recifes são expulsas do organismo desses animais marinhos. Sem elas, o coral passa fome e morre. Foi o que aconteceu em escala jamais vista entre os anos de 2015, 2016 e 2017, quando mais de 90% da Grande Barreira de Coral da Austrália, o maior banco coralino do mundo, teve branqueamento em alguma parcela dos seus recifes. Quase um quarto deles morreram, confirmando previsões do painel do clima da ONU de uma década atrás sobre o impacto da mudança do clima sobre esses ecossistemas.

 

O grupo liderado pelo australiano Terry Hughes, da Universidade James Cook, analisou os padrões de branqueamento de corais no mundo desde os primeiros registros, em 1870, com especial atenção para os surtos ocorridos entre 1980 e 2016 em uma centena de localidades em 54 países.

 

A análise sugere que, para os corais, o Antropoceno (a chamada “era do homem”, na qual os seres humanos e não os fenômenos naturais são a principal força de modificação planetária) já chegou: desde 1980, a frequência de grandes surtos de branqueamento que afetam múltiplas regiões do planeta quadruplicou: antes essas “pandemias” coralinas ocorriam a cada 25 a 30 anos e hoje ocorrem a cada seis. Surtos em escala regional, nos quais o branqueamento impacta uma região maior que mil quilômetros de extensão, eram desconhecidos até 1980 e também se tornaram frequentes.

 

Mas a principal digital da mudança climática está no fato de que os episódios de branqueamento hoje estão ocorrendo na época errada, por assim dizer. O gatilho para as pandemias costuma ser o El Niño, o aquecimento cíclico do Pacífico que causa elevação da temperatura do ar e do mar mundo afora. El Niños fortes ocorreram em 1982-83, 1997-98, 2009-10 e 2015-16, e todos eles registraram surtos globais de branqueamento coralino.

 

Ocorre que, nas últimas duas décadas, os surtos também vêm ocorrendo durante eventos La Niña, a fase oposta do El Niño, na qual as temperaturas oceânicas e atmosféricas caem no mundo todo.

 

“As temperaturas médias da superfície oceânica tropical hoje estão mais altas durante a La Niña do que eram durante o El Niño apenas três décadas atrás”, escreveram os pesquisadores. E prosseguiram: “Nossa análise indica que estamos nos aproximando de um cenário no qual todo verão quente, com ou sem El Niño, tem o potencial de causar branqueamento e mortandade em escala regional.”

 

Como os corais de crescimento mais rápido levam de 10 a 15 anos para se recuperar de um surto, o que se desenha é um longo período de degradação desses ecossistemas – e da qualidade de vida das espécies que deles dependem, inclusive o Homo sapiens. (CLAUDIO ANGELO)

Fonte: Claudio Angelo – Observatório do Clima.




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