04/08/2014

Técnica de manejo com fogo controlado será utilizada no Parque de Vila Velha

Foto: divulgação.

O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, será a primeira Unidade de Conservação no Paraná a utilizar o fogo controlado para a restauração dos ecossistemas de campos. A primeira aplicação da técnica no parque está prevista para esta terça-feira (5/8), se as condições climáticas estiverem favoráveis. O objetivo é restaurar o ecossistema para que ele se aproxime o máximo possível das condições ambientais da época de criação do Parque Estadual, há 60 anos.

A técnica de manejo com fogo é estudada no Parque de Vila Velha desde 2009 por professores e alunos da Universidade Positivo, com apoio da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e acompanhamento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), responsável pela gestão da Unidade de Conservação. Os estudos mostram que o fogo controlado pode ser uma excelente ferramenta de recuperação do ecossistema local.

O presidente interino do IAP, Luciano Marchesini, que explica esta técnica de manejo apresenta resultados muito bons no fim do processo. “No nosso imaginário, ver fogo no parque pode ser algo muito negativo. Porém, neste caso, o fogo atua na regeneração do solo e das espécies, permitindo que novas espécies, inclusive algumas que não eram vistas há muito tempo, nasçam e promovam a conservação da nossa biodiversidade”, explicou Luciano Marchesini.

O fogo atua na sucessão ecológica, promovendo alterações na composição florística e dos nutrientes do solo. “Temos observado que após a aplicação do fogo o ambiente se restabelece, oportunizando a sobrevivência e reprodução dos animais típicos dos campos. O uso do fogo controlado favorece o aumento da riqueza e da diversidade de espécies. Faz com que algumas espécies vegetais dominantes sejam eliminadas e abre espaço para espécies típicas dos campos naturais”, afirmou Angela Dalcomune, gerente do Parque Estadual de Vila Velha.

Para realizar o manejo, técnicos que atuam no parque foram capacitados pelo Corpo de Bombeiros, que também acompanhará a ação. Além disso, os estudos que comprovam os resultados positivos desse tipo de manejo passaram por diversas etapas, desde a aplicação experimental até aprovação junto ao Conselho Gestor do parque, com a apresentação de resultados técnicos e científicos.

“O nosso trabalho consiste em restaurar ecossistemas de campos. Quando o parque foi revitalizado, com barreiras para contenção do fogo, não ocorreram mais incêndios naturais. Porém, o campo está sendo substituído por florestas e isso provoca mudanças no ecossistema. Temos estudos sólidos para assegurar que a queimada é uma forma segura de manejo”, afirma a professora do Programa de Mestrado em Gestão Ambiental e do curso de Ciências Biológicas da Universidade Positivo, Leila Maranho.

“A partir dessas pesquisas foi possível observar que após a queima diversas espécies de plantas características de campo germinam, proporcionando o retorno da fauna que depende exclusivamente deste ambiente. Ou seja, com a aplicação do fogo foi possível observar o aumento da diversidade da vegetação e a manutenção da fauna”, explicou o diretor de biodiversidade e áreas protegidas do IAP, Guilherme Vasconcellos.

A aplicação do manejo com fogo controlado no Parque Estadual de Vila Velha continuará sendo acompanhada pela comunidade científica, que avaliará os resultados a médio e a longo prazo.

METODOLOGIA - No manejo com fogo controlado, são selecionados e mapeados os fragmentos de campos naturais, que serão trabalhados de maneira gradativa. Depois, são definidas as datas para aplicação da técnica. Os próximos passos são o desmate de árvores que não são nativas desse ecossistema; manutenção dos aceiros (espaços devastados em torno dos fragmentos) para evitar que o fogo se propague além das áreas desejadas; aplicação do fogo controlado e monitoramento da regeneração dos campos e registro dos resultados.

CAMPOS - Os Campos da região de Ponta Grossa são considerados pelo Ministério do Meio Ambiente de extrema importância biológica para conservação da flora e fatores abióticos – como sistemas hídricos, geomorfológicos e formações geológicas – e de alta importância biológica para conservação de animais. O mesmo estudo apontou que o Parque Estadual de Vila Velha tem também grande importância biológica para conservação de aves, répteis, anfíbios e invertebrados da região.

Originalmente, a cobertura vegetal do ecossistema Campos era de 8,4% do território do Estado do Paraná. O ecossistema acompanha a Escarpa Devoniana, que corta o Estado de Norte a Sul e delimita o Segundo Planalto Paranaense, onde estão inseridas cidades como Castro, Ponta Grossa e Piraí do Sul.

Já no Terceiro Planalto encontram-se machas importantes de Campos em Guarapuava e Palmas e no Primeiro Planalto originalmente nas regiões de Campo Largo, Campo Magro, Lapa, Araucária, Balsa Nova e Curitiba.

Fonte: Instituto Ambiental do Paraná - IAP.




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