05/10/2015 “O movimento socioambiental está diante de uma mudança de paradigma”, afirma Marina Silva

“O movimento socioambiental está diante de uma mudança de paradigma”, afirma Marina Silva

”O movimento socioambiental está diante de uma mudança de paradigma. Precisamos atualizar nossa abordagem e estratégias fazendo uso inteligente das novas oportunidades que o advento da internet e das redes sociais nos trazem.” Foto: Adalberto Rodrigues.

A ambientalista abordou o tema durante sua participação na oitava edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (VIII CBUC) em setembro na capital paranaense.

 

A trajetória da ex-senadora Marina Silva em defesa do meio ambiente já extrapolou o âmbito estritamente político. Ela já foi reconhecida internacionalmente pela sua luta em defesa da Amazônia brasileira e conquistou vários prêmios, inclusive o 'Champions of the Earth' (Campeões da Terra, em tradução livre), principal prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU), relacionado ao meio ambiente.

 

Por conta dos seus mais de 30 anos de experiência com a temática ambiental em diversas partes do mundo, Marina Silva participou da oitava edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (VIII CBUC), um dos maiores eventos ambientais da América Latina e que termina nesta sexta-feira (25), em Curitiba (PR).

 

Durante o encontro, promovido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e foi comemorativo aos 25 anos dessa ONG, a ambientalista falou sobre inspirações para a conservação da natureza e como as pessoas podem contribuir para o equilíbrio da biodiversidade, garantindo o seu próprio futuro. "A inspiração é essencial para uma vida significativa. Ela nos faz criativos e capazes de superar limites e barreiras de uma realidade dura", comenta. Para ela, essa máxima vale para os indivíduos e para as coletividades. "Uma nação pode inspirar-se. Aliás, deve. Só assim encontrará as melhores soluções para suas crises e tornará sua história significativa na humanidade", afirmou.

 

Segundo ela, a mobilização das pessoas em benefício do meio ambiente é urgente, mas, para isso, é necessário que as lideranças modifiquem o modo como têm atuado. "O movimento socioambiental está diante de uma mudança de paradigma. Precisamos atualizar nossa abordagem e estratégias fazendo uso inteligente das novas oportunidades que o advento da internet e das redes sociais nos trazem", explica. Ela afirmou que eventos temáticos como o VIII CBUC são ótimos momentos para colocar isso em prática.

 

Para tanto, Marina Silva comentou que é necessário deixar de usar crenças ultrapassadas como a ideia de que somente os outros são os culpados. "É claro que há uma responsabilidade do sistema, dos governos, dos devastadores, das empresas que não tomam cuidados sociais ou ambientais. Mas as responsabilidades de cada um de nós não podem ser esquecidas. Nós fazemos escolhas todos os dias: o que comemos, o que vestimos, o modo como nos relacionamos com os outros, com a natureza e com a sociedade. A civilização, com seus problemas e crises, é obra de todos nós", ressaltou.

 

Outro fator que ela pontuou é a necessidade de perceber que não basta apenas falar para modificar a realidade, é preciso agir pensando nas consequências. "Fazer uma obra sem cuidado social e ambiental provoca problemas e não adianta dizer que é 'desenvolvimento sustentável' ou 'inclusão social' ou qualquer palavra bonita". Ela afirmou também que um movimento social não pode ficar restrito a escrever manifestos ou gritar frases com exigências, pois, muitas vezes, isso não gera consequências práticas.

 

Para Marina Silva, a aproximação do cidadão comum da temática ambiental só se dará quando ele entender que muitas das mazelas que enfrenta cotidianamente, como a falta de água ou a ocorrência de algumas doenças, são causadas por problemas ambientais. "Precisamos mostrar que a má qualidade do ambiente afeta significativamente a vida e o futuro das pessoas. Em muitos casos, um problema de saúde não vai ser resolvido apenas com a abordagem convencional da medicina, mas com uma melhoria no ambiente em que a pessoa vive", ressaltou. Exemplo disso são as doenças derivadas da contaminação do ar nas grandes cidades e do consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos.

 

Segundo a ambientalista, estabelecer e disseminar o conhecimento dessas correlações é fundamental e pode fazer do cidadão, "um consumidor mais exigente de qualidade ambiental nos produtos e um eleitor que leve em consideração questão ambiental quando escolher seus governantes", aponta.

 

Discussões que valem a pena

 

É essa plataforma de discussões e compartilhamento de experiências que aconteceu durante o congresso. "Considero o CBUC um espaço privilegiado para que a comunidade de especialistas, gestores públicos, empresários, estudantes e lideranças sociais possam compartilhar suas experiências, anseios e unindo-se em torno das pautas que possam ajudar o Brasil a cuidar melhor de seu patrimônio biológico de uma maneira correta e responsável", opina. Nas sete edições anteriores do evento, mais de oito mil pessoas, de dezenas de países, participaram das discussões.

 

De acordo com a ambientalista, o Brasil precisa de mais momentos como esse para direcionar melhor e em conjunto as prioridades do país. "Cultivar a interação saudável, a escuta interessada e o genuíno respeito pela diferença é um valor fundamental para que possamos construir, mais que uma política ambiental à altura de um país megadiverso como o Brasil, uma nação politicamente democrática, socialmente justa, culturalmente diversa e ambientalmente sustentável", conclui Marina Silva.

Fonte: Fundação Grupo Boticário.




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