06/07/2016 Algas obrigam a Flórida a declarar estado de emergência

Algas obrigam a Flórida a declarar estado de emergência

Algas se reproduziram devido a despejo de água com 'excesso de nutrientes' em rio. Foto: divulgação.

O paraíso com sol e praia que os moradores e turistas da costa leste da Flórida (EUA) normalmente aproveitam no verão foi invadido por uma massa verde viscosa e com um cheiro horrível.

 

A proliferação de algas tóxicas, que por seu aspecto foram batizadas de "guacamole", está prejudicando a economia local.

 

O governador Rick Scott declarou estado de emergência para quatro condados que dependem fortemente do turismo.

 

Estas algas, além disso, têm o potencial de destruir os ecossistemas da região, como explica o pesquisador Henry Briceño, da Universidade Internacional da Flórida.

 

 

Algas em St. Lucie

Concentração de algas se dá principalmente onde há pouca circulação de água, perto de resorts e casas de praia

 

"É um espetáculo dantesco. As águas nos canais e rios têm um tapete verde, um limo cinzento e um cheiro de amônia", descreve Briceño à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

 

As algas "guacamole" afetam desde o estuário do rio St. Lucie - onde há hotéis, residências privadas e clubes de iates - à lagoa Indian River, que abarca as localidades de Stuart, Port St. Lucie e Fort Pierce, e a parte das famosas praias de Palm Beach.

 

Outros quatro condados foram obrigados a fechar praias e viram uma enorme queda na chegada de turistas nos últimos dias.

 

"Isso destruiu nossa economia local e nosso modo de vida. Nossos cidadãos estão demandando ação rápida", disse a representante local Sarah Heard, do condado de Martin.

 

E como chegou-se a esta situação?

 

Cianobacteria

Cienobactéria é tóxica e contato com água deve ser evitado.

 

Algas

 

A "guacamole" é um tipo promitivo de alga, uma cianobactéria, microoganismo fotossintético de aspecto verde-azulado e viscoso, que se multiplicou nestes quatros condados, principalmente na água doce, mas, em menor medida, na água salgada.

 

Em qualquer corpo de água do mundo existem algas, mas a reprodução deste microorganismo neste caso foi fora do comum.

 

Isso se deve ao fato de que uma represa no lago Okeechobee, a oeste de West Palm Beach, estava liberando, até 1º de julho, cerca de 85 metros cúbicos de água por segundo, informou o Corpo de Engenheiros do Exército americano.

 

"Essas águas têm altos conteúdos de nutrientes, especialmente fósforo e nitrogênio, e isso faz disparar a floração das algas", explica Henry Briceño.

 

"As algas estão ali em concentrações muitos pequenas, mas quando chega esse excesso de comida, de boa qualidade, a multiplicação dispara e ocorre muito rapidamente."

 

Dique Herbert Hoover

O dique Herbert Hoover, do lago Okeechobee, é por onde está sendo liberada a água com fósforo e nitrogênio que deu origem à proliferação de algas.

 

A liberação controlada de água ocorreu porque o lago Okeechobee, o maior corpo de água da região, alcançou antes do início das chuvas, 4,5 metros de altura - e seu limite é 5,4 metros.

 

"Depois de ver as algas, nos sentimos obrigados a tomar medidas. Mas temos que permanecer vigilantes na gestão do nível do Lago Okeechobee", disse o coronel Jason Kirk, do Corpo de Engenheiros.

 

Esta semana o fluxo de água foi diminuído de 85 para 33 metros cúbicos por segundo.

 

Potencial mortal

 

As "guacamoles" só puderam se reproduzir deste jeito por causa da água da represa e seu conteúdo excepcional de fósforo e nitrogênio - devido aos restos de fertilizantes da indústria agrícola regional, e em menor medida pelos químicos usados para a manutenção da grama nos campos de golf.

 

"Muitos desses nutrientes não são utilizados pelas plantas e todo esse excesso termina arrastado pelas água da chuva para os rios e terminam no lago", disse Briceño.

 

Barcos rodeados por algas

Além do aspecto e do cheiro, a água com cianobactérias tem o potencial de destruir a fauna e a flora .

 

Essas algas também devem causar problemas para a fauna e flora local.

 

"Ela vão apodrecer e vão tapar toda a fauna e flora que há no fundo destas baías. (...) Se este efeito continuar, chegará um momento em que as destruirão totalmente", explica Briceño.

 

Foi o que ocorreu na baía de Chesapeake, no noroeste dos EUA, que na década de 1970, quando os baixos níveis de oxigênio na água provocaram a morte de milhares de peixes.

 

Que fazer?

 

O condado de St. Lucie lançou uma advertência para que os habitantes e turistas das zonas afetadas evitem qualquer contato com as citobactérias devido a seus efeitos para a saúde humana.

 

Suas toxinas podem afetar o fígado, o sistema nervoso e a pele. Ingerir a água contaminada pode causar dor abdominal, náuseas, diarreia e vômito.

 

Também não se pode consumir peixe das áreas afetadas e de seus arredores.

 

Peixe morto na areia

Grande presença de água pode levar à mortandade de peixes.

 

Mas o lago Okeechobee continuará desaguando no rio St. Lucie enquanto continuar chovendo. Por isso, uma solução seria elevar sua capacidade com o dique que o contém ou levar a água até o Golfo do México.

 

"Não podemos perder de vista a necessidade de que o governo federal inicie de imediato as reparações do dique Herbert Hoover para que possa ser alcançada uma solução de longo prazo", disse o governador da Flórida, Rick Scott.

 

O dique tem 80 anos e enfrenta problemas estruturais que geraram inflitrações e uma capacidade limitada.

 

Briceño recomenda "reduzir a quantidade de água enviada e pensar se é possível armanezar água nos lagos ao norte de forma temporal".

Fonte: BBC Brasil.




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