06/08/2016 Olimpíada, enfim, traz mensagem do clima para as massas

Olimpíada, enfim, traz mensagem do clima para as massas

Os anéis olímpicos representados por árvores na cerimônia de abertura da Rio2016. Foto: Olympic.org.

Cerimônia de abertura mostrou consequências do uso do petróleo, degelo polar, elevação dos oceanos e importância do reflorestamento para mais de 3 bilhões de pessoas no mundo todo.

 

O aquecimento global tornou-se enfim um fenômeno de percepção global nesta sexta-feira (5). Os organizadores da Olimpíada do Rio aproveitaram a audiência cativa de mais de 3 bilhões de pessoas na cerimônia de abertura dos jogos para dar uma aula de por que o planeta está esquentando, o que está em jogo se não agirmos – e mais ou menos o que dá para fazer a respeito.

 

Foram cinco minutos de um vídeo produzido pelo cineasta Fernando Meirelles (Cidade de Deus), projetado na imensa tela na qual o piso do Maracanã foi convertido para a festa. Do degelo do Ártico aos recordes de temperatura deste século, do aumento do nível do mar à importância das florestas para o ciclo de carbono, estava tudo lá. Todas as mensagens importantes que os cientistas tentam entregar desde 1990, quando o IPCC (o painel do clima da ONU) começou a publicar seus relatórios, foram transmitidas na abertura, com forte impacto visual, para mais ou menos literalmente meio mundo. Foi provavelmente a maior audiência da história para a temática do clima.

 

“Então, uma versão da minha espiral de aquecimento global acaba de ser usada na abertura dos Jogos Olímpicos. Caramba”, tuitou o climatologista britânico Ed Hawkins, da Universidade de Reading, ao ver pela transmissão da BBC uma animação produzida por ele neste ano e que tornou-se a imagem climática mais compartilhada do mundo. O gráfico, em forma de espiral, mostra o crescimento das temperaturas da Terra desde a era pré-industrial até os dias de hoje, por conta das emissões de carbono causadas pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento.

 

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O vídeo mostrou a conexão entre o uso de petróleo e o aquecimento, destacando que 15 dos 16 anos mais quentes já registrados ocorreram neste século. E trouxe as consequências do problema para perto da audiência ao mostrar projeções de aumento do nível do mar em várias regiões costeiras – Rio, Xangai, Amsterdã, Dubai, Lagos e Flórida – no caso de um aumento de temperatura de 4oC. Várias delas são praticamente engolidas pelo oceano.

 

A produção teve consultoria científica de dois pesquisadores brasileiros: o físico Paulo Artaxo, da USP, membro do IPCC, e o engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador do SEEG (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima.

 

Segundo Artaxo, a opção foi por mostrar o chamado “aumento comprometido” do nível do mar caso as emissões de carbono não sejam drasticamente reduzidas até 2050. “Quisemos ir além de 2100 e mostrar o que aconteceria no longo prazo no cenário ‘business as usual’ [caso as emissões atuais sejam mantidas]. A mensagem é que precisamos agir”, afirmou o cientista. Segundo Artaxo, as projeções topográficas usadas foram minuciosas, baseadas em dados da Noaa (agência de oceanos e atmosfera dos EUA) e do IGBP (Programa Internacional da Geosfera-Biosfera).

 

Ao drama seguiram-se imagens da solução – ou ao menos o que os organizadores consideraram ser a solução: recompor florestas no mundo inteiro para sequestrar carbono. Imagens de reflorestamento na China, na Austrália e na África se sucederam enquanto as atrizes Fernanda Montenegro e Judy Dench (a M. dos filmes 007) recitavam em português e inglês o poema A Flor e a Náusea, de Carlos Drummond de Andrade.

 

A própria pira olímpica também foi pensada com um viés de proteção ao clima. “É a primeira pira híbrida da história das Olimpíadas”, brincou Meirelles num vídeo postado pelo comitê organizador. Ela é menor do que as piras dos Jogos Olímpicos anteriores porque, segundo o cineasta, a mensagem é de redução do uso de combustíveis. “Não fazia sentido a gente chegar na hora da pira e soltar aquele tamanho de chama.”

 

A escultura movida a energia eólica e a pira olímpica 'híbrida'(Foto: Rio2016)

A escultura movida a energia eólica e a pira olímpica “híbrida”(Foto: Rio2016)

 

Atrás da pira, uma escultura do artista plástico americano Anthony Howe, que lembra o Sol e é movida a energia eólica, completa a mensagem: “Vamos fazer uma emissão de carbono pequenininha e vamos usar a energia solar e a energia do vento”.

 

Todos os atletas participantes dos Jogos plantaram sementes de árvore, que serão transplantadas para um futuro bosque no Rio. Vários atletas também têm aderido à campanha 1.5o C – O Recorde que Não Devemos Quebrar, organizada pelo Fórum de Vulnerabilidade Climática com parceiros como o OC, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o GiP (Gestão de Interesse Público).

Fonte: Claudio Angelo – Observatório do Clima.




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