06/08/2018 WWF e Onças do Iguaçu lançam guia de convivência

WWF e Onças do Iguaçu lançam guia de convivência

Guia de Convivência. Foto: WWF.

Pensando em munir os produtores do entorno do Parque em que o projeto atua, o guia de convivência “Onças do Iguaçu”, é um material completo sobre como lidar com predações de onças e alternativas sustentáveis para lidar com o problema.

 

Uma onça-parda entra em uma propriedade rural no município de São Miguel do Iguaçu (PR), bem ao lado do Parque Nacional do Iguaçu, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e mata três cabeças de gado.

 

O dono dos animais, Marcos Antonio Alves, vive no local com a mulher e os dois filhos e, sem saber o que fazer, liga para o projeto Onças do Iguaçu (antigo Carnívoros do Iguaçu), que atua na região desde 2009 com o apoio do governo e de outras instituições, como o WWF-Brasil.

 

O que você acha que acontece em seguida?

 

Ao contrário do que muitos poderiam pensar, Marcos não quer se vingar da onça e caçá-la ou então receber uma simples indenização pelos animais perdidos.

 

Com o apoio do Onças do Iguaçu, ele passa a entender que assim como ele se sente ameaçado pelo carnívoro que mora ao lado, a onça vê o Homem que vive ao lado de sua casa como uma ameaça para todas as suas presas, que são caçadas ilegalmente dentro do parque.

 

E a solução para que ambos possam conviver em paz é a coexistência. Isso mesmo! Onças e homens podem viver lado a lado sem prejudicar um ao outro, desde que sejam tomadas providências para isso.

 

"Conflitos entre criadores de animais domésticos e felinos silvestres causam prejuízo para os dois lados: os criadores perdem seus animais e, em resposta, os felinos acabam sendo perseguidos. Nossa ideia é ajudar proprietários e criadores de animais domésticos do entorno do Parque Nacional do Iguaçu a entender e enfrentar melhor os problemas com os felinos silvestres", comenta Yara Barros, coordenadora executiva do projeto Onças do Iguaçu.

 

Cartilha traz soluções para o problema

 

Pensando em munir os produtores do entorno do parque em que o projeto atua, o Onças do Iguaçu está lançando o guia de convivência "Onças do Iguaçu", um material completo sobre como lidar com predações de onças e alternativas sustentáveis para lidar com o problema.

 

"Queremos muito que todos passem a ver esses animais magníficos com outros olhos, que entendam sua importância, seja na manutenção do equilíbrio e da harmonia no pedaço de terra que nos circunda e na natureza como um todo, seja como componentes muito especiais do valioso patrimônio natural do nosso país", diz Yara.

 

Filhote é avistado

 

No sábado, dia 28 de julho, começou a ser avistada no Parque Nacional do Iguaçu uma onça-pintada fêmea acompanhada de um filhotinho. Foi a primeira vez que o filhote foi avistado. As onças-pintadas nascem de olhos fechados e totalmente dependentes das mães. Abrem os olhos com cerca de duas semanas de vida. Até os dois meses de idade sua única alimentação é o leite da mãe. Após essa idade, ela começa a alimentá-los com carne. No entanto, pelo tamanho, este filhotinho tem provavelmente cerca de dois meses de vida.

 

As onças-pintadas estão criticamente ameaçadas na Mata Atlântica, bioma onde o Parque Nacional está inserido. Estima-se que restem não mais de 300 onças-pintadas na Mata Atlântica. No Parque Nacional do Iguaçu o último censo de 2016 indicou uma estimativa de 22 indivíduos, indicando que a população vem aumentando. Se considerarmos as onças da Argentina e da região do Turvo, são quase 100 animais, praticamente um terço de todas as onças-pintadas da Mata Atlântica. Isso mostra a importância desta região para a conservação da onça-pintada. O Parque pretende repetir o censo para estimar como a população evoluiu nos últimos dois anos.

Fonte: Comunicação ICMBio com informações do WWF.




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