06/09/2016 Brasil cumprirá as metas para o clima. Mas pode fazer mais

Brasil cumprirá as metas para o clima. Mas pode fazer mais

Usina termelétrica a carvão. Foto: Jim Cole/AP.

Dados publicados nesta terça-feira (6) pelo Observatório do Clima mostram que estamos no caminho para cumprir as metas. Porém, elas poderiam ser bem mais ambiciosas

 

O governo brasileiro promete ratificar o Acordo de Paris na próxima semana, tornando-se o terceiro grande emissor do mundo, depois de Estados Unidos e China, a oficialmente se comprometer com medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global. Com a ratificação, o Brasil consolidará os compromissos apresentados nas convenções internacionais, incluindo as metas de redução de emissões. Mas teremos condição de atingir essas metas?

 

Um relatório publicado nesta terça-feira (6) pelo Observatório do Clima analisou os números das duas metas que o Brasil apresentou nas convenções internacionais. Segundo o estudo, o Brasil terá condições de cumpri-las. Mas pode fazer melhor. Com um ajuste nas políticas, o Brasil pode reduzir ainda mais as emissões e se colocar na vanguarda da economia de baixo carbono no mundo.

 

Meta até 2020

 

A primeira meta analisada foi a firmada pelo governo brasileiro em 2009, na Conferência do Clima de Copenhague, na Dinamarca. Na ocasião, o Brasil traçou um cenário mostrando quanto emitiria em 2020 caso nenhuma política fosse adotada. A partir desse número, definiu que reduziria entre 36,1% e 38,9% as emissões em referência a essa projeção. Em números absolutos, isso significa que, em 2020, a emissão anual do Brasil deverá ser da ordem de 2 gigatoneladas de carbono equivalente (GtCO2e). Atualmente, a emissão anual está em 1,8 gigatonelada.

 

"Nós podemos afirmar com segurança que o Brasil cumprirá essa meta", disse Tasso Azevedo, coordenador do estudo. Segundo os cálculos, o país deverá chegar a 2020 emitindo cerca de 1,5 gigatonelada por ano de gases de efeito estufa, cumprindo com folga o número estabelecido. O bom resultado só é possível graças às projeções muito otimistas da economia na hora de traçar as metas, já que o PIB do Brasil não cresceu tanto quanto se imaginava. "Os principais fatores que explicam tal folga são: a queda no desmatamento da Amazônia, o aumento de áreas protegidas e o fato de as estimativas contidas no decreto serem baseadas em um crescimento médio de 4% a 5% da economia", diz o relatório.

 

Meta do Acordo de Paris

 

No Acordo de Paris, o Brasil se comprometeu com dois números. Reduzir em 37% as emissões até 2025 e em 43% até 2030, em comparação com o quanto foi emitido em 2005. Para cumprir essas metas, basta colocar em prática as políticas que o próprio Brasil disse que cumpriria no acordo.

 

Essas políticas foram resumidas em duas frentes. A primeira, no setor de energia, determina o aumento da participação de energias renováveis em nossa matriz, como solar, eólica e biomassa. A segunda conta com o desmatamento ilegal zero na Amazônia e com a restauração florestal de 12 milhões de hectares.

 

Segundo Tasso Azevedo, o governo brasileiro pode conseguir resultados ainda melhores apenas com alguns ajustes nas políticas. "Se o Brasil ampliar o compromisso com o desmatamento – zerar o desmatamento em todos os biomas até 2030 –, recuperar áreas degradadas e ampliar as ações em renováveis, é possível reduzir muito além dessa meta."

Fonte: Bruno Calixto - ÉPOCA | Blog do Planeta.




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