06/11/2013

Empresas precisam trabalhar em conjunto para combater corrupção, avaliam painelistas

Olajobi Makinwa destacou inclusão recente do setor privado nas discussões sobre corrupção. Foto: Mauro Frasson

Parceria com outras empresas, com organizações de monitoramento e setores do governo podem garantir maior transparência aos processos.


O painel “Qual o impacto da corrupção e o papel das empresas” do Fórum Transparência e Competitividade propôs aos participantes uma discussão sobre as diversas formas de encarar a corrupção. Com a mediação do Gerente do Programa de Cooperação Descentralizada do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), Alex Mejía, os painelistas apresentaram diversos aspectos da questão – passando pela relação entre empresas e ONGs e papel do poder público no combate à corrupção.

A chefe de transparência e anticorrupção Pacto Global da Organização das Nações Unidas, Olajobi Makinwa, destacou a inclusão recente do setor privado nas discussões sobre a corrupção. “Há 10 anos eu não estaria aqui, falando sobre a participação da indústria no combate à corrupção porque, historicamente, temos essa visão de que cabe apenas ao poder público combater esse problema”, destacou. Ela alertou sobre a necessidade de apoio do setor privado para que haja mais transparência no Brasil e convidou as empresas brasileiras a aderirem ao “Pacto Global” – uma iniciativa da ONU para empresas comprometidas em alinhar suas operações e estratégias com os dez princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. Com mais de 8.700 empresas e parceiros – em mais de 140 países, o Pacto Global da ONU é a maior iniciativa de responsabilidade corporativa voluntária do mundo. “É preciso unir forças para que o governo crie um sistema anticorrupção mais efetivo”, pediu.

A necessidade de uma legislação que promova a colusão positiva, que estimule as empresas a se unirem contra irregularidades em processos licitatórios, foi um dos pontos defendidos pela professora da universidade de Toronto, Mariana Mota Prado. Ela usou como exemplo uma empresa envolvida em um esquema de pagamento de propina em uma licitação em São Paulo. “Eles alegaram que estariam fora do processo caso não pagassem a quantia exigida ilicitamente pelos funcionários públicos. Este é um problema real quando não há mais de um órgão responsável pela mesma função. Caberia às empresas que se unissem para se proteger deste tipo de abordagem”, sugeriu a professora.

Uma parceria entre ONGs e empresas foi o caminho proposto pelo diretor executivo da organização Transparência Brasil, Cláudio Abramo. “O censo de 2004/2005 identificou cerca de 450 mil ONGs em todo o Brasil. Hoje esse número está na casa dos 700 mil”, disse. “As organizações que trabalham contra a corrupção não recebem recursos de governos, que muitas vezes são seus alvos de investigação. Caberia às entidades representativas do setor privado dar suporte à atuação destas ONGs”, avaliou.

O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, destacou o papel do Sistema S na boa administração de recursos públicos. “Com o Pronatec, que tem a parceria do Sistema S, a formação e a qualificação de nossos trabalhadores é hoje exemplo de boa gestão do dinheiro público.” Campagnolo destacou o papel de cada um na mudança da cultura da corrupção no país. “Quando um pai tenta subornar um policial porque estava acima da velocidade permitida, ele está passando o exemplo à sua família. A mudança deve começar dentro de casa”, refletiu. Campagnolo também defendeu a participação das ONGs na criação de uma nova cultura de transparência no Brasil. “A disciplina de Educação Moral e Cívica deveria voltar à grade curricular e as ONGs poderiam incluir em suas atividades visitas voluntárias a escolas para mostrar o resultado do trabalho que realizam. É uma boa maneira de incentivar as boas práticas.”

Alex Mejía encerrou o painel com um apelo. “Quero convidar a audiência a pensar e a participar. Somos nós que garantiremos que este processo não pare aqui.”

Fonte: Agência de Notícias do Sistema FIEP




Últimas notícias
Envio de Matérias
Portfólio editorial
Cadastro

ENDEREÇO

Caixa Postal 21725
CEP 88058-970
Florianópolis - SC

CONTATO

expressao@expressao.com.br
Fone: (48) 3222-9000

Facebook Editora Expressão Twitter Editora Expressão SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS


Copyright © 2014 Editora Expressão. Todos os direitos reservados.