07/05/2015 Espécies exóticas invasoras ameaçam ecossistemas

Espécies exóticas invasoras ameaçam ecossistemas



Definidas pela Convenção da Diversidade Biológica (CDB) como potencial ameaça aos ecossistemas, as espécies exóticas invasoras são plantas, animais ou microrganismos que se encontram fora de seu hábitat e se proliferam sem controle, trazendo riscos às espécies nativas e ao meio ambiente. As invasões favorecem a disseminação de doenças e pragas e também trazem prejuízos para colheitas, degradam florestas, solos e pastagens.

 

Por terem vantagens competitivas e pela ausência de inimigos naturais, as espécies invasoras passam a ocupar e transformar o ecossistema a seu favor, podendo ser prejudiciais até mesmo aos seres humanos.

 

São inúmeros fatores que favorecem o surgimento desse tipo de espécie, como o tráfego de navios vindos de outros países, o desmatamento e a degradação de áreas verdes, o intenso comércio internacional de animais de estimação e plantas ornamentais e as mudanças climáticas, grandes responsáveis por impactos ambientais e alvo de discussões e debates em todo o mundo.

 

Peixe-Leão: Ameaça encontrada em Arraial do Cabo

Em março de 2015, o peixe-leão, considerado uma ameaça para as espécies de peixes e invertebrados aquáticos de recifes de corais foi avistado na Reserva Extrativista (Resex) Marinha do Arraial do Cabo (RJ), Unidade de Conservação (UC) administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Foi o segundo avistamento na região, tendo a primeira vez ocorrido em maio de 2014, quando pesquisadores capturaram o peixe e retiraram seu tecido de linhagem, confirmando que o DNA era o mesmo da espécie que há décadas invadiu o Caribe e causou inúmeros problemas para seu ecossistema.

 

O peixe-leão não tem predador natural no oceano Atlântico, se reproduz com facilidade – uma só fêmea pode colocar até dois milhões de ovos por ano. Além disso, ele se alimenta de qualquer coisa e pode causar grandes prejuízos aos recifes de corais.

 

Não se sabe ao certo como o peixe-leão chegou à costa marinha brasileira, mas entre as hipóteses discutidas por pesquisadores está a introdução por meio da água de lastro, processo pelo qual os tanques dos navios captam água do mar para garantir a segurança operacional e a estabilidade e que acaba possibilitando a captura e o transporte acidental de espécies exóticas.

 

O Porto de Forno, localizado dentro da UC, é um dos locais que mais atende à produção de petróleo e frequentemente recebe navios petroleiros vindos de toda parte do mundo. "Na semana em que apareceu a espécie, inclusive, o Porto recebeu um navio vindo do Caribe, isso não significa que a espécie estava nesse navio específico, mas o fato que observamos nos alerta à existência dessa rota e não podemos descartar a hipótese de serem possíveis vetores da introdução", explicou a chefe substituta da Resex, Rafaela Farias.

 

Segundo Rafaela, a UC vem monitorando a entrada e permanência de navios no Porto de Forno, definindo procedimentos e protocolos com o objetivo de controlar a bioinvasão. "O aparecimento do peixe-leão só veio reforçar a importância da gestão da Unidade de Conservação em melhorar a efetividade do nosso controle para que não haja o surgimento de novas espécies invasoras, um dos principais riscos a nossa biodiversidade marinha", ressaltou.

 

Estação Ecológica de Tamoios no combate ao coral-sol

Outra espécie nociva aos ambientes marinhos e encontrada em UC federal, a Estação Ecológica (Esec) de Tamoios (RJ), é o coral-sol, conhecido como "assassino" por atacar os corais nativos. Diversas evidências apontam que essa espécie de coral tenha sido introduzida acidentalmente na Baía da Ilha Grande (RJ), através de plataformas e sondas de petróleo e gás.

 

O chefe da Esec de Tamoios, Régis Lima explica que "esses organismos bentônicos (fixados às rochas), primeiramente competem por espaço, como também competem por alimento. A ameaça é causada pelo desequilíbrio no sistema trófico e consequentemente na diminuição da biodiversidade", comentou o chefe da Esec, Régis Lima.

 

Régis explica que em 2011 foi realizado um extenso levantamento em parceria com o Projeto Coral Sol – e repetido neste ano pela equipe da UC em todas as 29 ilhas da região. Segundo ele, a boa notícia, mas ainda preliminar, é de que onde foi feita uma ação de retirada (Operação Eclipse), as espécies não se alastraram novamente.

 

Saiba mais sobre a Operação Eclipse.

 

Para prevenir a introdução e a disseminação de espécies exóticas invasoras nos ambientes coralíneos e avaliar e mitigar os impactos nos ambientes já afetados, o ICMBio em parceria com o Projeto Coral Vivo desenvolveu o Plano de Ação para a Conservação dos Ambientes Coralíneos – PAN Corais, que será publicado nos próximos meses.

 

Também faz parte dos objetivos do PAN melhorar o estado de conservação desses ambientes por meio da redução dos impactos causados pela ação do homem e ampliar a proteção e o conhecimento, com a promoção do uso sustentável e da justiça socioambiental.

 

Saiba mais sobre o PAN Corais.

 

Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã
tenta conter população de javalis

Área de Proteção Ambiental (APA) do Ibirapuitã, localizada no Rio Grande do Sul e responsável por conservar parte do bioma Pampa, junto à fronteira Brasil-Uruguai também vem enfrentando a invasão de espécies. O aumento da população de javalis, espécie com maior potencial invasor em âmbito mundial, tem se tornado fator preocupante para a conservação da biodiversidade local.

 

"Os javalis se encontram disseminados por quase todo o território da APA do Ibirapuitã. Esta UC é formada 100% por propriedades rurais privadas, o que, junto com sua grande extensão, dificulta o controle dessa espécie exótica invasora",explicou a chefe da APA, Eridiane Silva.

 

Entre as consequências negativas ocasionadas pela presença desses invasores estão a alteração de nascentes, já que os animais têm o hábito de chafurdar na lama e a predação de anfíbios, répteis, mamíferos e ovos de aves silvestres.

 

De acordo com Eridiane, os javalis também têm causado problemas aos produtores rurais através de ataques às lavouras de arroz, sorgo, milho, pastagens cultivadas, predação de ovinos, predação de bovinos (terneiros recém-nascidos e vacas adultas durante o parto), além de trazerem risco de transmissão de doenças e parasitas para o rebanho comercial.

 

Para conter a espécie invasora, a APA vem promovendo reuniões técnicas com produtores rurais, divulgando e incentivando o licenciamento de controladores de fauna exóticas legalizadas (licenciados junto ao Exército, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao ICMBio), bem como orientando, monitorando e, em alguns casos, acompanhando em campo os abates realizados por estes controladores na APA do Ibirapuitã, além de outras ações.

 

Diagnóstico e controle de espécies
exóticas invasoras em áreas protegidas

Em 2013, foi lançada a sexta edição da Biodiversidade Brasileira – BioBrasil, revista científica do ICMBio, com o tema Diagnóstico e controle de espécies exóticas invasoras em áreas protegidas. A publicação trouxe 17 artigos de pesquisadores com o objetivo de consolidar informações, registrar experiências de manejo e fomentar o debate e a tomada de decisão em relação à conservação da biodiversidade brasileira.

 

A revista teve como editores os analistas ambientais Alexandre Bonesso Sampaio, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Caatinga (Cecat/ICMBio), e Kátia Torres Ribeiro, coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade (CGPEC/ICMBio), além de Helena Bergallo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), e John Durvall Hay e Rosana Tidon, da Universidade de Brasília (UnB), a edição deu enfoque ao estado atual das UCs invadidas por diversas espécies exóticas, com decorrentes alterações de ecossistemas, bem como os desafios de controle e a necessidade de se priorizarem e se planejarem ações com continuidade.

 

Acesso todas as Revistas do ICMBio.

Fonte: Comunicação ICMBio.




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