07/11/2013

Futuro com transparência depende de esforço conjunto da sociedade

Campagnolo: "Transparência deve acontecer em todos os níveis, inclusive nas empresas". Foto: Mauro Frasson

Painel que fechou o Fórum Transparência e Competitividade discutiu maneiras para se reduzir os níveis de corrupção no Brasil.


Um futuro com transparência, em que o impacto da corrupção sobre a competitividade do país seja o menor possível, depende da união de esforços de todos os atores da sociedade: poder público, setor privado e cidadãos em geral. Essa foi a principal conclusão do painel que fechou a primeira edição do Fórum Transparência e Competitividade, realizado nesta terça e quarta-feira (5/11 e 6/11), em Curitiba. O evento foi promovido em parceria entre o Sistema Federação das Indústrias do Paraná, por meio do SESI, o Centro Internacional de Formação de Atores Locais para a América Latina (Cifal) e o Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar).

Confira a galeria de fotos do segundo dia do fórum

O fórum, que reuniu especialistas nacionais e internacionais no tema, debateu principalmente o papel das empresas na prevenção e combate à corrupção. “Nesses dois dias de debates, ficou ainda mais claro que nós, da sociedade civil organizada, não estamos caçando bruxas ou nos posicionando contra partido A, B ou C”, afirmou o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, no encerramento do evento. “O que defendemos é que a transparência deve acontecer em todos os níveis, inclusive nas empresas. Assim ganharemos competitividade, o que traz também uma melhor distribuição de renda para o país, como mostram diversos estudos internacionais”, acrescentou.

Além de Campagnolo, quem também participou do painel, que discutiu o tema “O que fazer para melhorar? Preparando um futuro com transparência”, foi a diretora-executiva do Unitar, Sally Fegan-Wyles. Para ela, o Brasil tem condições de evoluir no combate à corrupção, mas dependerá de um esforço conjunto da sociedade para que isso efetivamente aconteça. “O Brasil tem todos os elementos, a partir de agora é uma questão de saber como continuará indo adiante nesse tema”, declarou.

Para a representante das Nações Unidas, além da participação das empresas e do setor privado, é fundamental o engajamento dos jovens nesse processo. “As respostas não estão mais com a nossa geração, estão com as novas gerações. Os jovens, que são a maioria no Brasil, por natureza são idealistas e creem que podem mudar o mundo. E diferente de quando éramos jovens, eles têm ferramentas que não tínhamos”, disse, referindo-se às mídias sociais e à facilidade de acesso a informações. “Com essas ferramentas eles podem, por exemplo, forçar a não eleição de autoridades que estão se corrompendo ou aceitando a corrupção. Por tudo isso, creio que há muito espaço para otimismo”, completou.

Para reforçar sua opinião, Sally convidou para participar do debate Nicole Verillo, da Amarribo Brasil, organização sem fins lucrativos que atua no acompanhamento da gestão dos bens públicos. Nicole relatou que a Amarribo vem utilizando as mídias sociais não apenas para denunciar posturas inadequadas de gestores públicos, mas também para apresentar casos de sucesso no combate à corrupção, registrados em municípios brasileiros. “É importante divulgarmos também as boas práticas. Usamos as mídias tanto para a parte combativa quanto para apresentar exemplos bem sucedidos pela rede. A ideia é mostrar para cidadãos de outras cidades que é possível”, explicou.

Além da Amarribo, durante o painel foi apresentado outro exemplo que pode servir de inspiração para a atuação conjunta da sociedade no combate à corrupção: o Observatório Social do Brasil. O presidente da organização, o empresário Ater Cristófoli, afirmou que a rede de Observatórios, que hoje se espalha por 77 cidades de 14 estados brasileiros, trabalha principalmente no monitoramento dos editais de licitações públicas, buscando prevenir gastos desnecessários ou casos de corrupção. “A gente percebeu que só a indignação não funciona, o que interessa é a prevenção. É por isso que o Observatório Social é uma ferramenta tão interessante e efetiva de controle social”, declarou.

Lei Anticorrupção Empresarial
O debate sobre a construção de um futuro com transparência envolveu também o poder público. Carlos Higino Ribeiro de Alencar, secretário-executivo da Controladoria Geral da União (CGU), apresentou a atuação do órgão na identificação de desvios na administração federal. Alencar reconheceu que por mais que o governo adote medidas para reduzir a corrupção, é fundamental a participação de toda a sociedade. “Somos insuficientes para cuidar sozinhos desse processo”, afirmou. “Por isso temos trabalhado para aumentar a transparência, para que a sociedade civil tenha mecanismos de controle”, acrescentou.

Segundo Higino, a preocupação da CGU e do governo federal ao combater a corrupção é não apenas evitar desperdícios de recursos públicos, mas também melhorar a competitividade e o ambiente de negócios do país. “Temos preocupação também com o reflexo da corrupção na economia, pela deslealdade da concorrência que ela gera e por criar um ambiente que não seja favorável para investimentos”, disse.

Na opinião do secretário-executivo, a Lei Anticorrupção Empresarial, sancionada em agosto pela presidente Dilma Rousseff e que entra em vigor no fim de janeiro de 2014, prevendo sanções severas a companhias envolvidas em casos de corrupção, será um importante instrumento para mudar a cultura do país nessa área. “A CGU vinha trabalhando muito em relação aos desvios de servidores, mas havia certa lacuna para punição de empresas corruptoras. Com esta nova lei, as empresas terão que fazer um cálculo dos riscos ao se envolver em corrupção”, declarou.

Para o presidente do Sistema Fiep, a nova lei realmente pode significar um avanço no combate à corrupção no Brasil e vai exigir um esforço das empresas para que insiram em sua gestão a cultura da prevenção. Edson Campagnolo sugeriu ainda que, na regulamentação da Lei Anticorrupção Empresarial, seja proposto que o dinheiro arrecadado com as multas que forem aplicadas contra empresas corruptoras seja aplicado em medidas de combate à corrupção. “É uma forma de avançarmos ainda mais nesse processo”, declarou.

Fonte: Agência de Notícias do Sistema FIEP




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