08/01/2016 "Florestas brasileiras estão vazias", afirma pesquisador

"Florestas brasileiras estão vazias", afirma pesquisador

Os Bugios-ruivos (Alouatta guariba)​ já apresentam sinais de adaptação ao ambiente em que foram introduzidos.
Foto:
Haroldo Palo Jr..

Falta de animais nos ambientes naturais causa perda de biodiversidade; Ações de reintrodução de fauna já possuem resultados positivos.

 

Ao observar uma grande floresta ou parque nacional com árvores imensas e exuberantes as pessoas acreditam que esse ambiente natural está equilibrado. Porém, essa é uma expectativa ingênua visto que faltam animais de médio e grande porte em muitas unidades de conservação (UC) brasileiras. Por isso, a Fundação Grupo Boticário apoia um projeto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que trabalha com reintrodução de animais nativos.
 
Segundo o pesquisador e professor da UFRJ e responsável pela pesquisa, Fernando Fernandez, esse é um problema generalizado no Brasil. “A Mata Atlântica quase não possui animais de topo de cadeia como a onça-parda. Na Amazônia, a situação é um pouco melhor, mas mesmo assim faltam bichos macacos e outros mamíferos de médio porte. Infelizmente as florestas brasileiras estão vazias”, explica Fernandez.
 
Ele ressalta que as consequências são graves, pois a falta de animais nos ambientes naturais causa perda de biodiversidade. “A questão é bem simples, sem espécies como queixadas, pacas, cutias e antas, as sementes das grandes árvores da floresta não são dispersadas, o que causa, futuramente, uma floresta mais pobre e perturbada”, comenta.
 
Sobre as causas da chamada defaunação (redução no número de animais que compõe a fauna de um local), o especialista aponta a caça como um dos principais fatores. “Os animais predados normalmente são os de médio e grande porte, que são fundamentais para manter o equilíbrio da cadeia alimentar”, explica. Fernandez aponta que muitas vezes comunidades ribeirinhas caçam para sua subsistência, mas que isso faz com que determinadas espécies corram sério risco de extinção. “Esse é o caso dos macacos na Amazônia. As populações decresceram vertiginosamente e já foi comprovado que as principais fontes de proteína dessas comunidades são peixes e macacos”, ressalta.
 
Perigos por todos os lados
A caça não é a única responsável pela drástica redução de fauna nas florestas brasileiras. O atropelamento de animais em rodovias que cortam unidades de conservação é um problema maior do que se imagina. Alex Bager é o responsável pelo aplicativo Urubu Mobile. Lançado em 2014 com o apoio da Fundação Grupo Boticário e Tetra Pak, as pessoas fotografam a fauna atropelada e enviam para o sistema que analisa o conteúdo, alimentando um banco de dados inédito. Até o momento o sistema possui mais de 16 mil pessoas cadastradas que já enviaram aproximadamente 21 mil dados para o aplicativo.
 
Bager afirma que cerca de 80% das unidades de conservação no Brasil são cortadas por rodovias, o que favorece que grande número de animais que deveriam ser protegidos acaba morrendo atropelados. “O impacto no equilíbrio da cadeia alimentar é enorme, pois, apesar de animais de grande porte serem menos atropelados, muitas vezes um indivíduo da espécie que alimenta esse animal é morto, diminuindo a oferta, que já é escassa”, explica.
 
Nem tudo é má notícia
Apesar do cenário ruim, boas iniciativas já estão em curso com o objetivo de ampliar o conhecimento e reverter esse quadro. “O próprio Urubu Mobile é uma ferramenta que gera informação engajando a sociedade para que exerça seu papel de cidadãos ativos”, afirma a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, instituição que já apoiou mais de 1400 iniciativas de conservação da natureza em 25 anos de atuação. Ela aponta ainda o programa desenvolvido por Fernando Fernandez no Parque Nacional da Tijuca. “Nesse caso, foram escolhidas espécies nativas da região para serem reintroduzidas na floresta. As cutias e os bugios já estão de volta à mata e os resultados têm superado as expectativas”, conta Malu.
 
As cutias reintroduzidas já estão se reproduzindo e os estudos comprovam que estão dispersando sementes das espécies de grandes árvores, auxiliando na reconstrução da floreta. “Os bugios que foram reintroduzidos já estão inclusive vocalizando, o que é um excelente sinal de que já estão adaptados ao novo ambiente”, explica Fernandez. Segundo o pesquisador, outra função dessa espécie de macaco é contribuir para a fertilização do solo.
 
Fernandez explica que o fato da reintrodução ser realizada em um parque nacional faz com que as pessoas criem vínculos com essas espécies que são muito carismáticas, contribuindo para a boa relação com o meio ambiente. “Quando as pessoas as visualizam na natureza, percebem a importância de manter aquele espaço conservado e ficam muito mais abertas a contribuir para a proteção das florestas”, conclui.

Fonte: Fundação Grupo Boticário.




Últimas notícias
Envio de Matérias
Portfólio editorial
Cadastro
Siga-nos no facebook

ENDEREÇO

Caixa Postal 21725
CEP 88058-970
Florianópolis - SC

CONTATO

expressao@expressao.com.br
Fone: (48) 3222-9000

Facebook Editora Expressão Twitter Editora Expressão SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS


Copyright © 2014 Editora Expressão. Todos os direitos reservados.