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10/04/2017 Os estranhos animais híbridos criados pelas mudanças climáticas

Os estranhos animais híbridos criados pelas mudanças climáticas

Anfíbios de espécies diferentes cruzam entre si como resultado de mudanças ambientais. Foto: M. Zampiglia.

Pesquisadores da Universidade de Tuscia, na Itália, flagraram a cena da imagem acima no parque de Partenio, no sul do país. A fêmea é um exemplar do sapo-europeu (Bufo bufo), uma espécie encontrada em quase todo o continente, enquanto que o macho é um sapo-balear (Bufotes balearicus), característico do sul da Itália, Córsega e Ilhas Baleares (Espanha).

 

Floresta no Equador
A hibridização natural é um processo mais comum para plantas
que para animais.

 

Há vários casos naturais de hibridização, especialmente quando as espécies têm genomas semelhantes. O que espantou cientistas no flagra dos sapos foi que as duas espécies estão geneticamente separadas por 30 milhões de anos no processo de evolução.

 

As duas espécies voltaram a se misturar na reprodução por causa do aquecimento global, o que pode se tornar uma tendência cada vez mais frequente, segundo um estudo publicado no periódico científico PeerJ (em inglês).

 

"A hibridização é muito mais comum entre espécies de plantas e animais que estão estreitamente relacionadas. Para se ter uma ideia, cerca de 25% das plantas e 10% dos animais sofrem um processo de hibridização", explicou à BBC Mundo Daniele Canestrelli, autora principal da pesquisa.

 

O estudo sugere que as mudanças climáticas acabaram atrasando o ciclo reprodutivo do Bufo bufo, que coincidiu com a do Bufotes balearicus. Enquanto isso, essa última espécie tem se expandido para outras áreas geográficas.

 

Sapos
Girinos do casal de sapos apresentaram malformações genéticas

 

Vantagens e desvantagens

 

De acordo com Canestrelli, há consequências diferentes para a hibridização natural e aquela influenciada pelo homem.

 

"As espécies mais relacionadas entre si compartilham parte de seu genoma como consequência da hibridização. Ou seja, os híbridos são em parte viáveis e férteis, enquanto que as espécies mais distantes costumam não ter trocas genéticas".

 

No caso do casal de sapos, os girinos apresentaram malformações, e nenhum chegou a completar o ciclo completo de metamorfose até se tornar um anfíbio adulto.

 

Apesar do papel importante das mudanças climáticas no caso de hibridização de sapos - e no de ursos, influenciada pelo derretimento de gelo no Ártico - há outros fatores que pesaram, "como por exemplo as alterações de habitats provocadas pelo homem ou a introdução de espécies em outros ambientes", dizem os pesquisadores.

 

Urso polar
O derretimento do gelo no Ártico tem forçado ursos polares
a cruzar com ursos pardos.

 

Entre os riscos da hibridização provocada pela ação humana, estão a fusão de espécies (como o caso de alguns peixes africanos) ou a substituição de uma espécie por outra (como se vê em muitos casos de espécies invasoras), segundo Canestrelli.

 

No entanto, quando o processo ocorre naturalmente, ele pode trazer benefícios evolutivos. No caso do homem moderno, por exemplo, fomos capazes de colonizar latitudes mais elevadas por conta da hibridização com neandertais, nossos parentes mais próximos e já extintos.

Fonte: BBC Brasil.




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