12/01/2018 Reflorestamento com espécies nativas: lucro para o investidor, vantagens para o planeta

Reflorestamento com espécies nativas: lucro para o investidor, vantagens para o planeta

Área reflorestada pela Amata em Paragominas, no Pará.
Foto:
Claudio Pontes/Divulgação.

É cada vez mais evidente que o reflorestamento com árvores brasileiras já se estabeleceu como um negócio lucrativo, além de ser bom para o clima

 

A economia florestal brasileira responde hoje por 1% do PIB nacional. Mas o setor tem condições de ampliar em muito essa participação e, ainda por cima, ajudar a viabilizar os compromissos climáticos brasileiros no Acordo de Paris. Durante a 23ª Conferência das Partes (COP 23) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, afirmou que os governos, as empresas e o terceiro setor precisam trabalhar juntos para desenvolver uma economia sustentável de baixo carbono.

 

O plantio em grande escala de árvores nativas é uma oportunidade de mercado em linha direta com os compromissos climáticos, oferecendo à iniciativa privada participação ativa no desenvolvimento de negócios aderentes à nova ordem econômica de baixo carbono.

 

O reflorestamento com espécies nativas tem a vantagem de permitir uma diversificação importante para lidar com os próprios fenômenos do clima, tanto pelos serviços ambientais envolvidos (preservação de biodiversidade e água, por exemplo), quanto pelo aumento da segurança do produtor, que não fica dependente de uma única espécie e consegue compor mosaicos de culturas para épocas de mais ou menos chuvas.

 

Sementes, fibras, frutos, óleos, borracha e inúmeros outros produtos podem ser combinados para permitir a remuneração contínua do plantio de nativas até chegar ao manejo da própria madeira.

 

A multiplicação desses modelos contribui de maneira direta para o Brasil atingir duas de suas metas no Acordo do Clima: reflorestar 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030 e implantar 5 milhões de hectares de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que podem ser complementados com Sistemas Agroflorestais (SAFs).

 

Outro fator positivo é que o Brasil tem a maior parte de seu território em biomas tipicamente florestais, como Mata Atlântica e Amazônia, ideais para impulsionar o reflorestamento com nativas. Mesmo em biomas não florestais, como o Cerrado, há produtos de grande apelo comercial, como a macaúba, usada na fabricação de óleo para aviões.

 

Resultados do estudo realizado pelo WRI Brasil e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), apoiados pela Children’s Investment Fund Foundation (CIFF), mostram que já há investidores colocando dinheiro nesse nicho e que esse tipo de investimento é competitivo quando comparado com agricultura e silvicultura. Os resultados podem ser encontrados neste link. Esse trabalho embasa o projeto Verena (Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas), que apresentou, em dezembro, a modelagem econômica de 12 empreendimentos de diferentes portes. O Verena foi concebido para estimar custos, investimentos, vantagens e desafios do plantio de nativas no Brasil.

 

O caminho está aberto. E é cada vez mais evidente que o reflorestamento com árvores brasileiras já se estabeleceu como um negócio lucrativo e que tem muito a oferecer para o cumprimento dos compromissos brasileiros no Acordo de Paris.

Fonte: Alan Batista e Miguel Calmon - ÉPOCA | Blog do Planeta.




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