15/04/2015 Novas espécies de insetos aquáticos são descobertas na Amazônia

Novas espécies de insetos aquáticos são descobertas na Amazônia

Espécies foram descobertas em igarapés da Amazônia Central. Foto: Adriano Gambarini.

Ao monitorar igarapés, projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário encontrou 24 novos tricópteros, que são semelhantes a mariposas.

 

Vinte e quatro novas espécies de insetos aquáticos da ordem Trichoptera foram descritas por uma iniciativa apoiada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, intitulada Projeto Igarapés, que mapeou as mudanças ambientais na cobertura vegetal nos igarapés da Amazônia Central.

A descoberta dessas novas espécies ocorreu como resultado do monitoramento de fauna e flora realizado durante uma fase do projeto de 2004 a 2006. “Estávamos monitorando a relação dos igarapés com o uso da terra e avaliando os impactos para a fauna e flora em diferentes paisagens da região. Durante a coleta de dados, registramos diversos espécimes de tricópteros com características distintas comparadas a outras espécies já descritas”, explica Jorge Luiz Nessimian, um dos autores responsáveis pelas descrições das espécies novas.

O reconhecimento das novas espécies pela ciência ocorreu entre 2008 e 2010, a partir da publicação de sete artigos científicos de autoria de Jorge e de outro participante do Projeto Igarapés, o Allan Paulo Moreira dos Santos. Além disso, um dos artigos contou com a coautoria de Ana Lucia Henriques Oliveira.

“A Fundação Grupo Boticário tomou conhecimento dessas e outras espécies descritas por meio de um levantamento detalhado sobre os resultados de iniciativas apoiadas em nossas linhas”, explica Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário.


Insetos aquáticos

 

Cerca de 3% dos insetos do mundo são considerados aquáticos, ou seja, como o próprio nome indica, possuem alguma parte da vida relacionada à água.

Os tricópteros, por sua vez, constituem um grupo de insetos aquáticos cujas formas adultas assemelham-se a pequenas mariposas com o corpo coberto de cerdas e, em sua fase larval, vivem em ambientes aquáticos, como rios, riachos, lagos, etc.

As larvas apresentam grande diversidade de hábitos: assim como as lagartas, produzem seda com suas glândulas labiais, usadas para construir redes para captura de alimento na água; algumas constroem casas livres ou fixas de formas variadas, utilizando a seda para fixar fragmentos de folhas, gravetos, algas, areia e pedrinhas. As larvas alimentam-se de algas, fungos e matéria orgânica em decomposição, além de haver algumas espécies predadoras que comem outros insetos e invertebrados.

Após essa fase inicial, a larva se transforma em um inseto voador semelhante a uma mariposa – estágio conhecido como pupa. O tamanho entre as espécies podem variar de 1 mm a 50 mm, sendo que grande parte do comprimento é composto pelas asas. A coloração da maioria das espécies é predominantemente castanha, mas há algumas delas com manchas ou bandas coloridas. “Os tricópteros são importantes na ciclagem de nutrientes e nas redes alimentares dos ambientes aquáticos. A maioria das espécies vive em ambientes preservados e muitas são boas indicadoras de qualidade de água, utilizadas em protocolos de avaliação e biomonitoramento”, explica Jorge.

Proteção dos igarapés


Além da descrição das espécies novas, o projeto apoiado pela Fundação Grupo Boticário coletou informações que confirmam a importância da proteção dos igarapés. Por exemplo, os estudos indicaram que áreas onde ocorrem modificações drásticas provenientes da substituição da cobertura vegetal natural por pastagens apresentam maior temperatura e alto grau de incidência luminosa na superfície da água.

“Constatamos que, em situações extremas, como no caso de igarapés cujos leitos foram modificados pela construção de estradas ou estão próximo a comunidades, o grau de assoreamento é muito intenso e a fauna aquática fica reduzida a pouquíssimas espécies. A partir desses resultados, pudemos traçar estratégias para a conservação dos igarapés por meio de ações de proteção e também a conscientização da comunidade local”, afirma Jansen Zuanon, responsável técnico pelo projeto apoiado pela Fundação.

Incentivo à pesquisa


Jansen aponta também que o incentivo para a realização de pesquisas científicas é essencial. “O apoio financeiro, como o da Fundação Grupo Boticário, é fundamental para a realização de estudos voltados à conservação da biodiversidade. Quanto mais conhecermos a natureza, mais poderemos protegê-la”, afirma o responsável técnico pelo projeto apoiado pela Fundação.

Jorge complementa ressaltando que os estudos devem continuar. “Nossa natureza é muito rica, porém ainda desconhecida. No projeto, dentre os grupos de insetos aquáticos estudados, nos dedicamos à taxonomia dos tricópteros, mas há provavelmente muitas espécies ainda desconhecidas desse e de outros grupos de insetos aquáticos”, finaliza.

Conheça as 24 novas espécies:

- Cernotina odonta; C. lobisomem; C. pesae; C. aruma e C. flexuosa.
- Protoptila longispinata
- Flintiella manauara
- Chimarra (Curgia) paucispina
- Oxyethira luanae, O. sinistra, O. longipenis
- Neotrichia gilmari , N. djalmasantosi, N. bellinii, N. orlandoi, N. niltonsantosi, N. zitoi, N. didii, N. vavai, N. garrinchai, N. zagalloi, N. pelei e N. feolai (esses nomes foram escolhidos em homenagem aos onze jogadores da seleção brasileira de futebol participantes da partida final da Copa do Mundo de 1958 e o técnico)
- Phylloicus dumasi

Iniciativas apoiadas


Em 25 anos de atuação, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza já apoiou mais de 1.400 iniciativas. Dessas iniciativas resultou a descrição de 117 espécies, sendo que seis homenagearam a instituição em seus nomes: Megaelosia boticariana, Passiflora boticarioana Cervi, Gymnanthes boticario, Aphyolebias boticarioi, Listrura boticario e Ituglanis boticario.

Fonte: Fundação Grupo Boticário.




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