17/01/2017 Brasil lidera ranking mundial no uso de agrotóxicos, mas tem bons exemplos a serem seguidos

Brasil lidera ranking mundial no uso de agrotóxicos, mas tem bons exemplos a serem seguidos

Foto: divulgação.

Para garantir o sucesso de grandes produções e tentar controlar a ocorrência de doenças e pragas, muitos agricultores recorrem ao uso de agrotóxicos nas lavouras. E no Brasil, são realmente muitos. O país ocupa desde 2008 o primeiro lugar no ranking mundial no uso do material.

De acordo com a Anvisa, nos últimos 10 anos, a utilização mundial desse produto aumentou 93%. No Brasil, o salto foi ainda maior: 190%, alcançando a marca de 130 mil toneladas de defensivos agrícolas utilizados por ano no País. Segundo a Embrapa, em contrapartida ao aumento de 78% das áreas cultivadas nos últimos 40 anos tivemos um aumento de 700% no uso de agrotóxicos.

Mas esse uso exagerado de agrotóxicos não é unanimidade aqui no Brasil. Algumas iniciativas destoam desse cenário, como o caso do agricultor Jelson Turetta, de Foz do Iguaçu (PR). Ele trabalha há mais de 40 anos na agricultura, mas há 20 decidiu iniciar uma lavoura de forma 100% orgânica:

“Olha, começou há 20 anos atrás, com a necessidade de produzir alimento natural para consumo próprio. Porque eu via que tudo o que tinha para produzir tinha veneno. Aí meus filhos começaram a crescer e colher as verduras para eles consumirem, e eu comecei a ter um cuidado para eles comerem as frutas que tinham veneno. E fui tentando, até que consegui sem muita experiencia na área orgânica, foi pessoal mesmo, e diminuindo, até que consegui parar com o uso do veneno e de adubos químicos. Aí mais tarde, há uns 15 anos, eu fiz um curso de orgânica, e aperfeiçoei mais o que eu já sabia na pratica. E estamos produzindo há uns 20 anos sem o uso de química e veneno.”

 


Jelson Turetta, há 20 anos trabalhando com hortas orgânicas



Turetta conta que ainda muito novo já passava veneno nas plantações da família e o agrotóxico já fazia parte do dia a dia. E agora, trabalhando apenas com a a agricultura orgânica, ele consegue apontar as principais diferenças entre os dois tipos de cultura.

 

“Depois que você transforma a sua área de produção, ela flui melhor. Você não usando adubo químico, não atrai tantas pragas como no convencional. Vira um ciclo vicioso. Se você não usar veneno, as pragas vem e comem tudo. No começo foi difícil de conseguir parar, você tem que ir aos poucos. Mas é totalmente diferente. Você entra na lavoura e sabe que não tem contaminação. Você pode colher um tomate e comer ali mesmo, no máximo você vai ingerir terra – mas não vai ingerir veneno e química.”

O agricultor conta ainda que o segredo para trabalhar com produtos orgânicos é a paciência, já que o tempo para produção é mais demorado. Segundo ele, isso não acarreta uma venda em grande escala. Entretanto, o que não vem em dinheiro, vem em qualidade de vida.

“Aí a diferença é brutal. Quando você não usa agrotóxicos, você também não usa as vitaminas químicas. Então a planta vai ter seu ciclo natural, e isso demora mais no crescimento. No convencional, como usam vitaminas e tantas outras coisas, o ciclo dela é bem mais rápido. Um pé de alface é quase 60, 80 até 90 dias no orgânico. No convencional, 60 dias. Então dá uma diferença de 20 ou 30 dias a menos do que a minha produção. Então a gente produz menos, por causa do tempo.”

 

Como muitos especialistas afirmam , é praticamente impossível barrar o uso de agrotóxicos em plantações, pois a população mundial vem aumentando consideravelmente e é preciso produzir mais - e nem sempre melhor. Porém, como Turetta afirma, o primeiro passo é simples: basta ter coragem e começar.

 


Pensando em conter esse uso exagerado, em 1991 o dia 11 de janeiro foi estabelecido como o Dia do Combate da Poluição por Agrotóxicos. O decreto determinava mais controle e rigor nas fiscalizações de uso do produto. Em 2002, ele foi ampliado e passou a requisitar prescrição e orientação técnica para que pudesse ser utilizado.

Em dezembro, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento determinou que 63 produtos atualmente utilizados para o controle de ferrugem asiática sejam suspensos. Isso significa que esses fungicidas podem continuar sendo vendidos, mas não podem mais ser utilizados para o controle da doença. A medida está publicada no Diário Oficial da União e a lista dos produtos suspensos está disponível no site da Web Rádio Água (www.webradioagua.org).

Fonte: Welyton Manoel com a supervisão do jornalista Vacy Alvaro.




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