18/01/2018 O alarmante declínio das populações de abelhas e sua relação com as mudanças climáticas

O alarmante declínio das populações de abelhas e sua relação com as mudanças climáticas

Foto: Unsplash.

Empresas podem ser impactadas financeiramente quanto à produção de alimentos

 

Muitas têm sido as matérias que buscam lançar luz sob o assustador declínio das populações de abelhas em todo o mundo. Para entender os impactos, inclusive no que tange às empresas e como a mudança climática tem contribuído com esta situação, o cientista especializado em mudanças climáticas, Carlos Nobre, fala a respeito da preocupante queda nas populações das abelhas, causas e consequências.

 

Ethos: Como o dano infligido pelas mudanças climáticas aos polinizadores pode impactar na produção de alimentos?

 

Carlos Nobre: Apesar desta ser uma pergunta genérica, a resposta é de que o impacto é muito grande. Há vários estudos sobre a relação entre os polinizadores e a produção de alimentos, inclusive um feito para o Brasil, publicado em agosto deste ano, de autoria de Tereza Cristina Giannini e colegas, que aborda o impacto das mudanças climáticas em diferentes espécies de polinizadores de várias culturas, no qual avaliou 95 espécies polinizadoras de abelhas e vespas. Neste estudo observa-se que alimentos como o maracujá e a acerola, em quase 100% da produção têm total dependência de polinizadores. O abacate e o tomate, entre outros também dependem dos polinizadores, não em tamanha incidência, mas ainda assim seriam alimentos impactados pela extinção de abelhas e vespas. Esse estudo observou que o declínio dos polinizadores irá refletir nos investimentos do setor agrícola, visto que neste novo clima, propiciado pelo aquecimento global, muitos polinizadores não irão mais existir. Por exemplo, há uma grande probabilidade que vários polinizadores do maracujá sejam extintos no Espírito Santo, o que diretamente impactaria na produção do alimento neste que é o maior produtor de maracujá do país.

 

“… há uma grande probabilidade que vários polinizadores do maracujá sejam extintos no Espírito Santo, o que diretamente impactaria na produção do alimento neste que é o maior produtor de maracujá do país”.

 

 

Ethos: A polinização artificial seria uma solução neste cenário?

 

Carlos Nobre: A polinização artificial teria um alto custo. Só no Sudeste o impacto ambiental gira em torno de 2 bilhões de dólares, quando comparado a polinização realizada pelas abelhas. Por isso é interessante o foco nos polinizadores naturais.

 

“A polinização artificial teria um alto custo. Só no Sudeste o impacto ambiental gira em torno de 2 bilhões de dólares, quando comparado a polinização realizada pelas abelhas”.

 

Ethos: Você concorda com a pesquisa da Universidade Estadual da Flórida e colaboradores, a qual explica que o vínculo entre o clima global em mudança e o declínio das populações de abelhas, em todo o mundo, têm total relação?

 

Carlos Nobre: Este estudo se refere a uma espécie de abelhas das regiões altas da Europa. Para avaliar a questão se faz necessário entender quatro aspectos que vêm sendo estudados em todo mundo. Houve um declínio muito rápido de várias espécies de abelhas na última década e não seria correto explicar o motivo apenas pelo estudo do potencial impacto de mudanças climáticas. Fatores diretos e indiretos também são responsáveis por essa situação. Esta pesquisa avalia um efeito indireto das mudanças climáticas, isto é, procura entender como estas poderiam alterar a floração das plantas das quais as abelhas se alimentam (no que diz respeito as mudanças climáticas serem as responsáveis pela diminuição e até extinção dessas plantas), já os efeitos diretos se referem a extinção direta das abelhas devido às mudanças climáticas. Mas, há ainda vários outros fatores, além das mudanças climáticas, que podem explicar a recente diminuição do número de abelhas em todo o mundo: fragmentação e desaparecimento de habitats e agroquímicos (agrotóxicos). Por exemplo, um estudo recente analisou a contaminação de mel em diferentes locais do mundo por uma classe de substâncias – os neonicotinóides – comumente presente em muitos agrotóxicos. Os resultados mostraram níveis desta substância abaixo dos limites estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para saúde humana, porém, a concentração deste agroquímico era geralmente fatal para as próprias abelhas. Este fator tem sido estudado com uma das principais hipóteses deste rápido declínio das abelhas.

 

“Houve um declínio muito rápido de várias espécies de abelhas na última década e não seria correto explicar o motivo apenas pelo estudo do potencial impacto de mudanças climáticas. Fatores diretos e indiretos também são responsáveis por essa situação”.

Fonte: Instituto Ethos.




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