18/02/2015 Caça à raposa retorna ao debate político britânico uma década após proibição

Caça à raposa retorna ao debate político britânico uma década após proibição

Cachorros se preparam para participar da tradicional caça à raposa, no Reino Unido. Foto: Dave Warren/London News Pictures/Zumapress/Xinhua.

O debate sobre a caça à raposa com cachorros pode retornar ao debate político no Reino Unido, quando se cumpre no dia 18/02 (quarta-feira), 10 anos de sua proibição, uma polêmica medida que ainda gera brigas entre partidários e opositores da tradição.

Em 18 de fevereiro de 2005 entrou em vigor a lei batizada de "The Hunting Act", que proíbe caçar raposas, renas e lebres, uma prática de 300 anos na alta sociedade britânica e que tinha entre seus fãs nomes como o príncipe Charles e sua mulher, Camilla Parker Bowles.

O governo trabalhista do então primeiro-ministro Tony Blair aprovou uma das leis que mais polêmica causou nos últimos tempos na Inglaterra e País de Gales.

Apesar dos 10 anos que se passaram desde então, o debate retornou em um ano eleitoral no Reino Unido, com campanhas e manifestações a favor e contra o restabelecimento da caça à raposa com cachorros.

Por um lado, ativistas e defensores da "The Hunting Act", embora satisfeitos com a lei, querem reforçá-la, já que de seu ponto de vista alguns caçadores encontraram buracos legais para contorná-la e praticam esse tipo de caça.

A organização britânica Liga Contra os Esportes Cruéis (LACS, por sua sigla em inglês) defende a proibição como a "lei relacionada ao bem-estar do mundo animal mais bem-sucedida e importante da história britânica" e defende seu endurecimento.

O diretor da LACS, Michael Stephenson, acusou as pessoas que pedem a revogação da proibição de buscar brechar legais para seguir praticando a caça.

Stephenson afirmou que apenas um governo "com pouca sensibilidade ou muito ousado" revogaria a lei, que segundo ele conta com o apoio de 80% da população. O ativista afirmou ainda que essa hipótese seria um "suicídio político".

Por outro lado, o diretor do grupo Countryside Alliance (Aliança Rural), defensor da caça da raposa com cachorros, afirmou que faz dez anos a antiga prática foi proibida sem que fosse provado que se trata de uma atividade "cruel".

Além disso, assinalou que a lei faz com que os membros da polícia percam milhares de horas de trabalho ocupados em detectar possíveis infrações, assim como milhares de libras gastas em localizar suspeitos de não respeitar a lei, mas que no final se mostram inocentes.

Segundo dados do Ministério da Justiça, durante esses dez anos o número de casos suspeitos de infringir a lei aumentou ao longo dos anos, pois foram registrados dois únicos casos em 2005 e 110 casos em 2013, o maior índice.

Durante esse período a justiça emitiu 341 condenações pela caça e 65% dos possíveis infratores acusados foram declarados culpados, o que representa uma média de uma pessoa multada por semana.

A Countryside Alliance ressalta que 96% destas condenações corresponde a caçadas ocasionais e não organizadas.

As penas podem chegar a multas de até cinco mil libras, mas se for demonstrado que o infrator causou sofrimento desnecessário ao animal esse valor por chegar a 20 mil libras.

Na Escócia, a proibição foi aprovada em 2002, três anos antes da Inglaterra e Gales, enquanto na Irlanda do Norte a prática ainda é permitida, apesar de existir uma comunidade ativa favorável a instaurar uma proibição similar.

Fonte: EFE / Adrián Blanco Ramos (Em Londres).




Últimas notícias
Envio de Matérias
Portfólio editorial
Cadastro
Siga-nos no facebook

ENDEREÇO

Caixa Postal 21725
CEP 88058-970
Florianópolis - SC

CONTATO

expressao@expressao.com.br
Fone: (48) 3222-9000

Facebook Editora Expressão Twitter Editora Expressão SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS


Copyright © 2014 Editora Expressão. Todos os direitos reservados.