18/08/2017 Aquecimento global pode dobrar erosão no Sul do Brasil até ano 2099

Aquecimento global pode dobrar erosão no Sul do Brasil até ano 2099

Terra com grandes trechos desgastados pela erosão. A perda de solo é um grande problema para a agricultura. Preservar matas de encosta e beira de rios ajuda a evitar o problema. Foto: Thinkstock/Getty Images.

Pesquisa inédita mapeia risco de perda de solo pela mudança no regime de chuvas do país. Áreas agrícolas mais vulneráveis do Sul podem ter até 109% de aumento no potencial erosivo

 

Um dos impactos pouco falados e estudados das mudanças climáticas é o potencial para aumentar a erosividade do solo. A erosividade é o potencial da chuva de causar a erosão do solo. As alterações nos regimes de chuva (com pancadas mais intensas em períodos mais curtos) podem mudar bastante a vulnerabilidade de cada região. Isso é agravado pelo desmatamento, que expõe o solo desprotegido. O resultado pode ser catastrófico, com a destruição de solo precioso para a agricultura e assoreamento de rios.

 

Apesar da importância do tema, há poucos estudos sobre isso. Mas, agora, um grupo de pesquisadores de Estados Unidos, Alemanha e Brasil fez o primeiro levantamento do risco climático para a erosividade nas regiões brasileiras. A pesquisa é coordenada por André Almagro, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Estudos desse tipo foram desenvolvidos nos Estados Unidos e na Europa. Esse é o primeiro do Hemisfério Sul.

 

>> O ano de 2017 baterá mais um recorde de calor?

 

A nova pesquisa foi publicada na revista Scientific Report, da  Nature. No estudo, o grupo avaliou a influência das mudanças climáticas na erosividade das chuvas no Brasil até o ano 2099. Consideraram dados de precipitação de modelos de mudanças climáticas em dois cenários de emissão de gases do efeito estufa (médio e alto) até o fim do século. A análise sugere que as regiões mais afetadas, com aumento de até 109%, são o Nordeste e o Sul do Brasil. Do outro lado, reduções de até 71% na taxa de erosividade são estimadas para o Sudeste, o Centro-Oeste e o Norte do país.

 

>> O impacto das mudanças climáticas para a agricultura do Brasil

 

Essas alterações estão associadas à intensificação da frequência e magnitude do El Niño, fenômeno cíclico de aquecimento das águas do Oceano Pacífico na faixa do Equador, com repercussões globais no clima. No Brasil, o El Niño provoca redução nas chuvas no Norte, no Nordeste e em partes do Sudeste. E aumento das chuvas no Sul. O impacto do El Niño é maior nas chuvas de verão (de janeiro a março) no Sul. O El Niño também interfere nas chuvas da Amazônia, reduzindo sua intensidade.

 

O possível aumento da erosividade na Região Sul pode afetar uma parcela significativa da produção agrícola do Brasil devido ao aumento das taxas de perda de solo e à diminuição da fertilidade do solo e da disponibilidade de água. Por outro lado, a diminuição projetada nas regiões Norte e Nordeste pode reforçar a tendência do desenvolvimento do agronegócio nessas áreas.

 

O estudo é um desdobramento do mapa global da erosividade, feito por Paulo Tarso, da UFMS. O mapa revelou que a Bacia Amazônica é uma das regiões do mundo mais vulneráveis à erosão. Embora a redução nas chuvas também tenda a diminuir a erosão na região, o desmatamento torna o solo mais vulnerável. 

 

Os modelos feitos pelos pesquisadores são importantes para orientar ações que evitem a erosão. Desejáveis sempre, eles são ainda mais necessários se a tendência à perda de solo for ampliada pelas mudanças climáticas. A conversão de vegetação natural em área plantada torna a superfície mais vulnerável à erosão. Para evitar isso, é preciso adotar práticas sustentáveis de agricultura. É especialmente importante ser mais rigoroso com a manutenção de mata nas áreas de declive e nas margens dos rios, como prevê o Código Florestal.

Fonte: Alexandre Mansur - ÉPOCA | Blog do Planeta.




Últimas notícias
Envio de Matérias
Portfólio editorial
Cadastro
Siga-nos no facebook

ENDEREÇO

Caixa Postal 21725
CEP 88058-970
Florianópolis - SC

CONTATO

expressao@expressao.com.br
Fone: (48) 3222-9000

Facebook Editora Expressão Twitter Editora Expressão SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS


Copyright © 2014 Editora Expressão. Todos os direitos reservados.