18/10/2013

Palmeiras dominam Amazônia, revela maior inventário já feito

Copa de árvores na Guiana Francesa entre as quais estão espécies dominantes na Amazônia, como a "Symphonia globulifera", "Euterpe edulis" (açaizeiro, com copa estrelada) e "Mauritia flexuosa" (folhas em forma de leque).
Foto:
Daniel Sabatier / Science

O consumo de açaí pode ter saído de moda no Sudeste do Brasil, mas na floresta amazônica a palmeira mantém presença dominante. É a árvore mais comum por lá, revela estudo de fôlego que sai hoje na revista "Science".


O levantamento coordenado por Hans ter Steege, da Universidade de Utrecht (Holanda), reuniu dados sobre 1.170 parcelas espalhadas pelos 6 milhões de km² da floresta amazônica (dois terços deles no Brasil).

A principal conclusão é que, das estimadas 16 mil espécies arbóreas amazônicas, uma minoria de 227 (1,4%) responde por metade dos 390 bilhões de árvores que o estudo calcula haver na maior floresta tropical do mundo.

A espécie individualmente mais abundante é um tipo de açaí (Euterpe precatoria). Somado com o outro açaí que aparece em sexto na lista (E. oleracea), mais usado para alimentação, são 9 bilhões de plantas --mais de um açaí para cada habitante da Terra.

"Não esperava um número tão grande de palmeiras", diz Rafael Salomão, um dos 120 coautores do artigo. O engenheiro florestal do Museu Emílio Goeldi, em Belém, contribuiu para o estudo com inventários de 105 parcelas.

Salomão diz que, na sua experiência, as árvores mais abundantes são também as mais úteis para os seres humanos, como a seringueira. Embora a hipótese ainda careça de comprovação, o grupo investiga agora se esse padrão pode ser resultado de um manejo da floresta por populações pré-colombianas.

Em contraste com essas espécies "hiperdominantes", a biodiversidade amazônica também se excede na outra ponta: 5.800 espécies contam com menos de mil indivíduos. É grande o risco de que se extingam antes mesmo de serem descritas pela ciência.

"Imagine achar uma espécie com poucos milhares de indivíduos entre 300 bilhões numa área de 6 milhões de km²", afirma Hans ter Steege. "Achar uma agulha no palheiro deve ser mais fácil."

Fonte: Marcelo Leite / Folha de São Paulo




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