19/07/2016 Biogás: Brasil desperdiça potencial de uso de lixo para gerar energia

Biogás: Brasil desperdiça potencial de uso de lixo para gerar energia

Projeto de captura de biogás em aterro em Minas do Leão, Rio Grande do Sul. Foto: divulgação.

Segundo levantamento feito por associação que defende o uso de biogás, país poderia gerar o equivalente à usina de Itaipu com rejeitos de aterros, indústrias e usinas de cana.

 

No começo do mês, a Associação Brasileira de Biogás e de Biometano (ABiogás) apresentou ao ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, um relatório sobre o potencial do uso de biogás para a geração de energia no Brasil. O relatório mostra um quadro muito tímido. Temos cerca de 100 megawatts por hora de potência instalada no país. Segundo o relatório, estamos desperdiçando um grande potencial, já que o biogás poderia gerar até 115.000 gigawatt por hora, uma quantidade equivalente à energia gerada por uma Itaipu e meia.

 

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"A escala dos resíduos orgânicos no Brasil é enorme, seja no saneamento, na agroindústria ou no setor de alimentos. E isso está sendo muito mal utilizado. Essa energia, esses carbonos estão sendo emitidos para a atmosfera", diz Alessandro Gardemann, vice-presidente da ABiogás. "Nossa proposta é capturar e tratar esse carbono num processo controlado de biodigestão, de modo a recuperar essa energia."

 

A vantagem do biogás é que é possível utilizar rejeitos, que antes seriam jogados fora, na geração de energia. Alguns setores podem aproveitar muito essa energia. É o caso de aterros sanitários ou da indústria do saneamento. O aterro Bandeirantes, em São Paulo, é um exemplo. Fechado em 2007, ele não recebe mais lixo, mas continua gerando energia com o gás que sai dos 40 milhões de toneladas de rejeitos enterrados lá.

 

Mas a grande oportunidade perdida é no setor econômico. Segundo Gardemann, o maior mercado para o biogás é no setor sucroalcooleiro, ao usar os rejeitos da cana para gerar energia. A indústria da celulose e de alimentos também poderia aproveitar melhor os rejeitos, gerando energia ou biocombustível. O biocombustível poderia, por exemplo, ser usado na substituição do diesel.

 

Para Gardemann, o que falta para o biogás decolar é uma indicação do governo de que essa fonte poderá fazer parte da matriz energética brasileira. A regulamentação já avançou nos últimos anos. O biogás foi incluído nas normas de microgeração (as mesmas que beneficiam a energia solar). O maior passo foi dado no último leilão de energia. O biogás entrou no leilão de energias alternativas e teve um projeto contratado de 21 megawatts por hora de uma usina de cana-de-açúcar. "Isso é de apenas uma usina. Se você imaginar que o Brasil tem 300 usinas, é possível gerar o que uma grande hidrelétrica produz com pequenos projetos descentralizados", diz.

Fonte: Bruno Calixto - ÉPOCA | Blog do Planeta.




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