20/03/2014

Qualidade da água é ruim ou péssima em 40% dos rios analisados pela Fundação SOS Mata Atlântica

Foto: divulgação.

Um levantamento com a medição da qualidade da água em 96 rios, córregos e lagos de 7 Estados brasileiros, o mais amplo até hoje coordenado pela Fundação SOS Mata Atlântica, revela que 40%  apresentam qualidade ruim ou péssima. Os dados, divulgados na semana em que se celebra o Dia da Água (22 de março), foram coletados entre março de 2013 e fevereiro de 2014 e incluem um levantamento inédito envolvendo as 32 Subprefeituras da cidade de São Paulo, além de 15 pontos do Rio de Janeiro. Veja a lista completa dos pontos analisados no relatório técnico em http://bit.ly/rios2014.

 

De acordo com os números consolidados, 87 pontos analisados (49%) tiveram sua qualidade da água considerada regular, 62 (35%) foram classificados como ruins e 9 (5%) apresentaram situação péssima. Apenas 19 (11%) dos rios e mananciais – todos localizados em áreas protegidas e que contam com matas ciliares preservadas – mostraram boa qualidade. E nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo.

 

Segundo Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, os melhores resultados foram obtidos em áreas protegidas, como alguns pontos da Bacia do Alto Tietê na Área de Proteção Ambiental (APA) Capivari-Monos e no Parque Várzeas do Tietê. Em Minas, foi encontrada água com qualidade boa em Extrema, na APA Fernão Dias. E no Espírito Santo, também foi observada água com qualidade boa no município de Santa Teresa, conhecido como Santuário Capixaba da Mata Atlântica, que possui ricos ambientes biológicos como as Reservas de Santa Lúcia e Augusto Ruschi.

 

“A maioria dos pontos que apresentaram boas condições estavam em Unidades de Conservação, como parques ou reservas, ou em locais em que a mata ciliar foi recuperada. Em 6 pontos monitorados, nos Córregos São José e da Concórdia e no Rio Ingazinho, na Bacia do Rio Piraí (SP), notamos na prática a importância de recuperar a floresta – após um reflorestamento a qualidade da água passou de regular a boa. Isso comprova que para garantir água em qualidade e quantidade é preciso recompor matas ciliares e manter as florestas”, afirma a coordenadora do estudo.

 

Já as principais fontes de poluição e contaminação, segundo ela, são decorrentes da falta de tratamento de esgotos domésticos, de produtos químicos lançados nas redes públicas e da poluição difusa proveniente do lixo e resíduos sólidos descartados de forma inadequada nas cidades, além do desmatamento e do uso de defensivos e fertilizantes nas zonas rurais. “Os piores índices estão em áreas densamente urbanizadas”, explica Malu Ribeiro.

 

O pior desempenho de pontos próximos a grandes adensamentos urbanos fica evidente em um recorte que reúne as 34 coletas feitas pela equipe da SOS Mata Atlântica nas 32 Subprefeituras da cidade de São Paulo. O levantamento inédito, realizado durante o mês de fevereiro de 2014, apresentou os seguintes resultados:

 

QUALIDADE

N° DE RIOS

%

ÓTIMA

0

0%

BOA

0

0%

REGULAR

6

17,65%

RUIM

20

58,82%

PÉSSIMA

8

23,53%

TOTAL

34

100,00%

 

Já os 15 pontos de coleta analisados na cidade do Rio de Janeiro durante todo o mês de fevereiro de 2014, em locais menos impactados pela urbanização, obtiveram um desempenho mediano, sem nenhum resultado péssimo, bom ou ótimo:

 

QUALIDADE

%

ÓTIMA

0

0%

BOA

0

0%

REGULAR

9

40,00%

RUIM

6

60,00%

PÉSSIMA

0

0%

TOTAL

15

100%

 

Outro dado relevante no levantamento feito pela SOS Mata Atlântica é uma comparação de 88 pontos de 34 cidades nos Estados de SP e MG que haviam sido monitorados em 2010, na qual foi possível perceber que a quantidade de corpos hídricos em péssimo estado caiu de 15 para 7, enquanto o número de rios em situação ruim subiu de 18 para 29 e os rios em boas condições subiram de 5 para 15. “Costumamos dizer que em São Paulo os rios estão saindo da UTI. A situação ainda é preocupante e requer investimentos em saneamento e planejamento urbano. No caso de Minas, os pagamentos por feitos aos proprietários de terra que preservam matas ciliares ajudou a manter a boa qualidade nos períodos de seca”, diz Malu. Veja os dados completos no relatório em http://bit.ly/rios2014.

 

ÍNDICES

2010

%

2014

%

ÓTIMA

0

0

0

0

BOA

5

4,44

15

13,2

REGULAR

50

44

37

32,6

RUIM

18

15,84

29

16,7

PÉSSIMA

15

13,2

7

6,16

TOTAL

88

100%

88

100%

 

Segundo os técnicos, um dos destaques positivos foi a cidade de Salto, no interior paulista, onde o ponto de captação saiu do regular (quase ruim) para bom, após ter sido realizado um programa de três anos de restauração florestal. Já o Rio Tamanduateí, que em 2010 esboçava uma recuperação após uma série de medidas de tratamento de esgoto, manteve qualidade péssima após uma nova onda de ocupações irregulares. “A solução não é apenas coletar e tratar esgoto, é preciso conscientização da população e bons planos diretores”, afirma Malu Ribeiro.

 

Metodologia

 

A coleta para os estudos é realizada por meio de um kit desenvolvido pelo programa Rede das Águas, da SOS Mata Atlântica, que possibilita a avaliação dos rios a partir de um total de 16 parâmetros, que incluem níveis de oxigênio, fósforo, PH, odor, aspectos visuais, entre outros. O kit classifica a qualidade das águas em cinco níveis de pontuação, de acordo com a legislação: péssimo (de 14 a 20 pontos), ruim (de 21 a 26 pontos), regular (de 27 a 35 pontos), bom (de 36 a 40 pontos) e ótimo (acima de 40 pontos).

 

Os projetos da Fundação SOS Mata Atlântica para a coleta de rios, córregos e lagos em Estados com o bioma Mata Atlântica estão abertos à população em geral. Os interessados em acompanhar a qualidade dos rios locais podem participar dos grupos de monitoramento já existentes ou ajudar a criar novos grupos em rios próximos a escolas, igrejas e outros centros comunitários. Os grupos fazem a medição uma vez por mês e enviam os resultados pela internet.

 

Relatório técnico

 

  • Detalhes sobre os resultados, tabelas, gráficos e análises estão disponíveis no relatório técnico produzido pela Fundação (acesse aqui o documento).

Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica/ EcoDebate.




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