22/03/2017 Novo recorde climático coloca mundo em território verdadeiramente inexplorado, alerta ONU

Novo recorde climático coloca mundo em território verdadeiramente inexplorado, alerta ONU

Iceberg em Ilulissat Icefjord, declarado patrimônio mundial pela UNESCO, na Groelândia, onde o derretimento do gelo está se acelerando. Foto: ONU/Mark Garten.

Ano de 2016 bateu novos recordes de calor e 2017 mantém a mesma tendência, alertou nessa semana a Organização Meteorológica Mundial. O degelo marinho, o aumento do nível do mar e o calor oceânico também foram observados pela agência especializada das Nações Unidas.

 

As temperaturas globais fixaram mais um recorde no ano passado, e o mundo testemunhou o degelo marinho, o aumento do nível do mar e o calor oceânico.

 

A informação é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que alertou nessa semana (21) que o ano de 2016 bateu todos os recordes de temperatura e 2017 segue a mesma tendência.

 

De acordo com a declaração da agência sobre o estado global do clima em 2016, as temperaturas globais atingiram 1,1º Celsius acima do período pré-industrial, o nível do mar global alcançou recordes e a cobertura de gelo do planeta caiu mais de 4 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média em novembro.

 

“Este aumento da temperatura global é consistente com outras mudanças que ocorrem no sistema climático”, explicou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

 

“Com níveis de dióxido de carbono na atmosfera quebrando novos recordes, a influência das atividades humanas sobre o sistema climático se tornou cada vez mais evidente”, continuou.

 

Cada ano – desde 2001 – tem estado pelo menos 0,4°C acima da média registrada entre 1961 e 1990. O aquecimento registrado em 2016 foi impulsionado ainda mais pelo fenômeno meteorológico El Niño (2015/2016), que também contribuiu para o aumentou do nível global do mar.

 

Da mesma forma, os níveis de dióxido de carbono na atmosfera atingiram o valor de referência simbólico de 400 partes por milhão em 2015 – e, segundo a OMM, não cairão desse nível tão cedo devido à natureza duradoura do CO2.

 

As condições climáticas extremas também contribuíram para o sofrimento humano. O ano de 2016 viu secas severas, afetando milhões no sul e leste da África e na América Central. No Caribe, por exemplo, o furacão Matthew destruiu o Haiti e provocou perdas econômicas significativas na região.

 

Em meio a esses desafios, Taalas sublinhou a importância da implementação do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, que entrou em vigor no ano passado.

 

“A entrada em vigor do Acordo de Paris em 4 de novembro de 2016 representa um marco histórico”, disse ele. “É vital que sua implementação se torne uma realidade e que o Acordo guie a comunidade global para lidar com as mudanças climáticas, promovendo a resiliência climática e integrando a adaptação climática às políticas nacionais de desenvolvimento.”

 

Ele também pediu investimentos contínuos em pesquisas e observações climáticas para permitir que o conhecimento científico acompanhe o ritmo das mudanças do clima.

 

2017 mantém a mesma tendência

 

De acordo com a OMM, o Ártico registrou três ondas de calor, com poderosas tempestades vindas do Atlântico e trazendo umidade. Durante o auge do inverno no Polo Norte, alguns dias tiveram temperaturas próximas do degelo.

 

O degelo do mar da Antártida também está em um nível recorde, em contraste com a tendência nos últimos anos. Algumas áreas, incluindo o Canadá e grande parte dos Estados Unidos, eram extraordinariamente amenas, enquanto outras, incluindo partes da península arábica e do norte da África, registraram temperaturas muito baixas no início de 2017.

 

Somente nos Estados Unidos, 11.743 recordes de temperatura quente foram quebrados em fevereiro, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, disse a agência da ONU.

 

Aquecimento da Terra ameaça liberar grandes quantidades de carbono, alerta FAO

 

O aumento das temperaturas pode liberar quantidades consideráveis de carbono presas no solo da Terra, informou ontem a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), alertando que a gestão do solo pode melhorar ou quebrar os esforços de resposta às mudanças climáticas.

 

A FAO explicou que plantas e resíduos orgânicos absorvem carbono e, em seguida, o liberam no solo, criando um vasto reservatório de carbono. Mas quando o solo é degradado, o carbono aprisionado e outros gases de efeito estufa resultantes da degradação são liberados na atmosfera.

 

Erosão do solo e desmatamento nas montanhas da província de Quiche, na Guatemala. Foto: ONU/John Olsson
Erosão do solo e desmatamento nas montanhas da província
de Quiche, na Guatemala. Foto: ONU/John Olsson

 

 

“Isso significa que o reservatório de carbono do solo da Terra pode liberar quantidades maciças de gases de efeito estufa na atmosfera ou segurá-los, dependendo das decisões de gestão que fizermos daqui para frente”, afirmou a agência.

 

O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que, para além do seu papel como sumidouros de carbono, solos saudáveis são ainda a base da segurança alimentar global.

 

“Os solos com alto teor de carbono orgânico provavelmente serão mais férteis e produtivos, mais capazes de purificar a água e ajudarão a aumentar a resiliência dos meios de subsistência aos impactos das mudanças climáticas”, frisou.

 

A agência da ONU informou que melhorar a saúde dos solos do planeta e aumentar o seu conteúdo de carbono orgânico é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo os relacionados com a erradicação da fome e da desnutrição.

Fonte: ONU Brasil.




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