22/07/2016 Consumo consciente: conservação da natureza e escolher o que comprar têm tudo a ver

Consumo consciente: conservação da natureza e escolher o que comprar têm tudo a ver

A iniciativa Araucária+ alia economia à conservação da natureza para proteger a Floresta com Araucárias.​ Foto: Haroldo Palo Jr.

Conservação da natureza e escolher o que comprar têm tudo a ver.

 

A atenção da sociedade para os cuidados com a natureza está cada vez maior. Uma pesquisa recente do Ibope    mostra que 94% dos brasileiros se dizem preocupados com o meio ambiente. Se nos basearmos nesse número, a degradação ambiental deveria ser coisa do passado, certo? Infelizmente essa não é a realidade. Apesar de quase toda a população estar sensibilizada para a importância de preservar o meio ambiente, muitas pessoas ainda não sabem como contribuir com este processo ou que até mesmo pequenas atitudes no dia a dia reverberam em grandes resultados em outras esferas.


Para contribuir com a preservação do meio ambiente existem inúmeras alternativas. Investir em produtos sustentáveis, por exemplo, é um caminho benéfico para o produtor rural, que irá contribuir para a preservação da natureza ao mesmo tempo em que aumentará a sua renda.  


Em um cenário de consumo retraído no país, causado pela crise política e econômica atual, atuar com produtos sustentáveis tem se mostrado uma alternativa rentável e, em muitos casos, mais lucrativa do que produzir e vender as opções não certificadas ambientalmente.


Para os consumidores também não faltam opções para contribuir. Podem ajudar na preservação do meio ambiente acompanhando e pressionando o governo por políticas públicas de conservação da biodiversidade. Podem também fazer doações para instituições que realizem ações de conservação da natureza, se tornando voluntários. Ou podem ir ao mercado. Mas o que é que ir ao mercado tem a ver com isso? 


Pesquisar e se atentar para a origem e o processo pelos quais passaram os produtos que se consome e escolher quais comprar têm tudo a ver com contribuir para a conservação da natureza. Essa preocupação com a origem do que se consome e com os impactos de sua produção é chamada de consumo consciente.


O conceito de consumo consciente cada vez mais tem sido mencionado quando o assunto é conservação da natureza. Apesar de essa relação parecer distante, buscar conhecimento para escolher quais produtos consumir tem tudo a ver com ajudar a proteger e conservar o meio ambiente.

Verificar quais são os selos ambientais presentes na embalagem permite a comprovação da procedência do produto e de que maneira aquilo foi produzido. Saber de onde ele veio significa ter a opção de escolher aquele em que a natureza foi respeitada e valorizada durante todo o processo produtivo. 

  

Encontrar produtos com selo que ateste responsabilidade ambiental nas prateleiras do mercado pode parecer uma realidade distante, mas as opções existem e não param de aumentar. Um bom exemplo disso é o Araucária+.   


O Araucária+ é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em parceria com a Fundação CERTI, de Santa Catarina, na Floresta com Araucárias do planalto serrano catarinense, de onde são extraídos o pinhão e a erva-mate. Depois das instituições realizarem um estudo na região para entender como esta ameaçada floresta  era impactada, foi criado um modelo de valorização e conservação de ambientes naturais, a partir de duas cadeias produtivas importantes para a economia local, que dependem da floresta em pé e que passaram a ter valor agregado graças aos critérios de produção sustentável que foram adotados.


Ao seguir o padrão sustentável, os proprietários participantes da iniciativa aplicam medidas para reduzir o impacto ambiental causado pelas atividades econômicas em suas propriedades. Um exemplo é a retirada do gado, caso tenham, da área de produção sustentável, pois o pisoteio desses animais prejudica o crescimento de novas plantas, impedindo a regeneração da floresta. Os produtores também devem se comprometer a não realizar queimadas nem utilizar agrotóxicos.


As técnicas de produção indicadas na iniciativa também têm algumas particularidades. A erva-mate, por exemplo, é cultivada na chamada produção sombreada. Estudos indicam que a planta se desenvolve melhor em seu ambiente natural, no interior da floresta, que é o que essa técnica prega. Assim as folhas se desenvolvem mais e ficam maiores, o que implica em melhor aproveitamento e gosto mais suave do chá extraído. 


Já para a extração do pinhão, existe uma regra específica. Os produtores não devem retirar as pinhas verdes e é preciso deixar 20% das maduras nos pinheiros para não comprometer a regeneração natural da espécie e não prejudicar a disponibilidade desse alimento para os animais que habitam a região. Além dessas medidas que reduzem o impacto ambiental, o projeto estruturou uma rede de produtores e empresas que utilizam o pinhão e a erva-mate como insumo para seus produtos.  Assim estão sendo desenvolvidas relações de oferta e demanda para a produção sustentável.  O contato direto entre eles e, consequentemente, a retirada do ‘atravessador’ do processo de negociação trouxeram resultados muito positivos. 


Já foram vendidas 60 toneladas de erva-mate a um valor 100% acima do preço local. A venda do pinhão chegou a 800 quilos, ao preço de venda 40% superior ao pago pelo insumo comum. Como resultado para a natureza, 203 hectares de áreas de floresta estão sendo conservados. 


Com a produção sustentável e o consumo consciente, todos ganham. O produtor rural tem o solo e água com melhor qualidade porque respeita o meio ambiente e não agride a natureza em sua produção, além de ter acesso a novos mercados para seus produtos, praticando preços competitivos. O meio ambiente não é explorado de maneira desenfreada e o consumidor dispõe de produtos e serviços de qualidade superior, além de saber que está contribuindo para a conservação da natureza e para a prosperidade de um mercado que gera diversos benefícios associados. 


Agora você já sabe. Para ajudar a conservar nossa biodiversidade, um bom começo é escolher com mais cuidado o que vai comprar na próxima ida ao mercado.

 

*Guilherme Zaniolo Karam é Coordenador de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Fonte: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.




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