24/01/2017 Turismo Sustentável: Responsabilidade deve ser compartilhada entre tomadores de decisão, trade e viajantes

Turismo Sustentável: Responsabilidade deve ser compartilhada entre tomadores de decisão, trade e viajantes

Parque Nacional do Iguaçu. Foto: Kiko Sierich.

Como já é tradição, desde 1957 a Organização das Nações Unidas (ONU) elenca temas de interesse mundial para serem trabalhados de maneira prioritária em seus países associados. Para 2017, as ações serão alusivas ao Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. O lançamento oficial ocorreu durante a Feira Internacional de Turismo, realizada em Madrid.

A intenção da iniciativa é reforçar o quanto o setor pode contribuir para o desenvolvimento mundial com base nos três aspectos da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Se promovido com base nestes três pilares, com o turismo é possível gerar emprego e renda sem agredir a natureza, a cultura e a economia local.

Para se ter uma dimensão da importância dada pela ONU ao setor, o turismo está inserido em três dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Segundo Teresa Magro, professora do curso de Engenharia Florestal da ESALQ/USP e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o termo “Turismo Sustentável” ainda está muito condicionado a questões ambientais, como as emissões de CO2, entretanto envolve outros aspectos culturais importantes, sobretudo relacionados às comunidades que habitam estes destinos:

“No Brasil, a visão do turismo sustentável ainda está muito relacionada com as viagens feitas em áreas naturais ou ecoturismo. Então existe essa relação direta que quando falamos em turismo sustentável, imediatamente pensamos que isso só irá acontecer em áreas naturais, como por exemplo as unidades de conservação, os parques nacionais, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), as florestas nacionais. Mas o Turismo Sustentável deve ter essa sustentabilidade com base em vários princípios e não só o ambiental. O Brasil melhorou muito nos últimos anos com relação à oferta de turismo com base local (isso leva ao desenvolvimento local) nas áreas onde as pessoas querem isso, porque tem áreas que tem um grande potencial cultural, mas pode ser que as pessoas que moram naquele local estão muito felizes com seu modo de vida e não querem uma grande transformação. Então deve-se ter esse respeito pelas pessoas que moram nos locais.”

Teresa também comentou sobre os entraves encontrados no País e destacou que a responsabilidade pela promoção na sustentabilidade no turismo deve ser compartilhada entre os tomadores de decisão no âmbito publico e privado, representantes do trade turístico e os próprios viajantes:

“A gente tem muitos lugares bonitos e interessantes para serem visitados, mas ainda temos dificuldade de acesso. As estradas estão muito ruins ou as passagens aéreas estão muito caras. E o tempo de deslocamento que as pessoas levam para chegar ao local é muito grande. Outra coisa também é que normalmente os turistas não pedem viagens sustentáveis quando vão procurar um pacote. Ele não fala 'olha, quero uma viagem sustentável. O que você tem para me oferecer?', então quem deve se preparar para isso é justamente o trade do turismo. Eles têm que se preparar para ficarem sustentáveis no futuro. Em geral, as agências não informam os efeitos, as externalidades da viagem que a gente vai fazer. Seria muito bom que para cada atividade/serviço que eu vou desenvolver no local, eu pudesse saber a quantidade de emissão de CO2. Outra coisa que podemos fazer como cidadão é na próxima viagem escolher um meio de transporte que seja mais adequado. Se tiver mesmo que ir de avião, tudo bem, mas chegando no local existem muitos diferentes tipos de acomodação, atividades… então eu vou selecionar aquelas que sejam menos impactantes possíveis para o meio ambiente. Por exemplo, ao invés de alugar um triciclo, um buggy para a região do Parque Nacional de Lençóis Maranhenses, eu vou caminhar porque vou estar emitindo menos CO2 e causando menos impacto sobre o ambiente.”

Com o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, a ONU também busca valorizar as potencialidades naturais dos países, além de incentivar órgãos nacionais a criarem agendas para a conservação da natureza aliada ao desenvolvimento regional.

Fonte: Vacy Alvaro - Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu.




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