26/11/2014 Manejo com fogo controlado em Vila Velha já apresenta resultados

Manejo com fogo controlado em Vila Velha já apresenta resultados

Foto: Angela Dalcomune / IAP.

A técnica de manejo com fogo controlado, adotada pelo Instituto Ambiental do Paraná no Parque Estadual de Vila Velha, nos Campos Gerais, já apresenta os primeiros resultados, quatro meses após ter sido iniciada. O fogo controlado visa a restauração dos ecossistemas de campos. “Na primeira área onde foi aplicado, no início de agosto, já é possível registrar a presença de exemplares da flora e fauna típicas da vegetação de campos que não eram mais vistas”, disse no dia 26/11 (quarta-feira), o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.

A técnica de manejo com fogo controlado tem o objetivo de restaurar o ecossistema para que ele se aproxime o máximo possível das condições ambientais naturais da época de criação da Unidade de Conservação, há 60 anos. O Parque de Vila Velha é um dos primeiros do país a praticar o manejo com fogo controlado sem ser de maneira experimental.

NATURALMENTE - “Temos ciência de outros parques no país que usam o manejo com fogo de maneira experimental, ou aproveitando incêndios florestais que ocorrem naturalmente”, diz Tarcísio. “O que pudemos comprovar até o momento é que da forma como aplicamos a técnica garantimos maior controle das áreas onde necessita desse trabalho, sem alterar outros pontos do parque que possuem a vegetação típica de campos”, afirma.

Agora pesquisadores irão catalogar as espécies de flora e fauna vistas nas áreas onde foi aplicada a técnica. Com base nesse registro, que deve levar meses para ser concluído, será possível comprovar para a comunidade cientifica a eficácia da técnica no Estado do Paraná, sem ser de maneira experimental e quais espécies nativas regeneraram.

ESPÉCIES NATIVAS - Na primeira área onde foi aplicado o manejo com fogo controlado existiam árvores de grande porte que dificultavam o desenvolvimento de espécies herbáceas nativas e, consequentemente, a descaracterização desse ecossistema. Também era afetada a circulação de animais que frequentam a vegetação de campos. Agora é possível observar a presença de alguns animais que não eram vistos no local.

“Conseguimos observar que a partir do momento em que a flora se regenera algumas espécies de animais que frequentam a vegetação de campos são percebidas, principalmente de avifauna, como a perdiz e alguns veados”, explicou a professora da Universidade Positivo, Leila Terezinha Maranho.

“Essas espécies eram vistas antes no parque, porém não no local em que selecionamos para aplicar o manejo com fogo, pois era uma vegetação com muitas árvores que impediam a formação da vegetação típica de campos”, disse ela.

A professora conduz pesquisas sobre manejo com fogo controlado no Parque de Vila Velha desde 2009, com apoio do Museu Botânico Municipal de Curitiba e com o apoio e acompanhamento do IAP. Nesse período, vários trabalhos de diferentes níveis de formação foram desenvolvidos.

MANEJO - O fogo atua na sucessão ecológica, promovendo alterações na composição florística e dos nutrientes do solo. “Observamos que após a aplicação do fogo o ambiente se restabelece, dando oportunidade de sobrevivência e reprodução dos animais típicos dos campos”, informou a gerente do Parque Estadual de Vila Velha, Ângela Dalcomune. “O uso do fogo controlado favorece o aumento da riqueza e da diversidade de espécies. Faz com que algumas espécies vegetais dominantes sejam eliminadas e abre espaço para espécies típicas dos campos naturais”, explicou.

No manejo com fogo controlado, são selecionados e mapeados os fragmentos de campos naturais que serão trabalhados de maneira gradativa. Depois, são definidas as datas para aplicação da técnica, sempre respeitando o período de reprodução dos animais.

Os principais próximos passos são o desmate de árvores que não são nativas desse ecossistema e a manutenção dos aceiros (espaços devastados em torno dos fragmentos) para evitar que o fogo se propague além das áreas desejadas.

CORPO DE BOMBEIROS - Para realizar o manejo, técnicos que atuam no parque foram capacitados pelo Corpo de Bombeiros, que também acompanham a ação. Além disso, os estudos que comprovam os resultados positivos desse tipo de manejo passaram por diversas etapas, desde a aplicação experimental até aprovação junto ao Conselho Gestor do parque, com a apresentação de resultados técnicos e científicos.

CAMPOS - Os Campos da região de Ponta Grossa são considerados pelo Ministério do Meio Ambiente de extrema importância biológica para conservação da flora e fatores abióticos – como sistemas hídricos, geomorfológicos e formações geológicas – e de alta importância biológica para conservação de animais. Um estudo do Ministério do Meio Ambiente apontou que o Parque Estadual de Vila Velha tem também grande importância biológica para conservação de aves, répteis, anfíbios e invertebrados da região.

Originalmente, a cobertura vegetal do ecossistema Campos era de 8,4% do território do Estado do Paraná. O ecossistema acompanha a Escarpa Devoniana, que corta o Estado de Norte a Sul e delimita o Segundo Planalto Paranaense, onde estão inseridas cidades como Castro, Ponta Grossa e Piraí do Sul.

Já no Terceiro Planalto encontram-se machas importantes de Campos em Guarapuava e Palmas e no Primeiro Planalto originalmente nas regiões de Campo Largo, Campo Magro, Lapa, Araucária, Balsa Nova e Curitiba.

Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:

www.pr.gov.br e www.facebook.com/governopr

Fonte: Instituto Ambiental do Paraná - IAP.




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