27/02/2014 - Especial Farra do Boi / Halem Guerra Nery

Mangueirão eleitoral e outras farras –
O retorno

Foto: divulgação.

A incidência da farra do boi em algumas comunidades do litoral catarinense conduz inevitavelmente à seguinte pergunta: - Por que mesmo considerada inconstitucional em acórdão do STF e criminalizada pela Lei 9605/98 de Crimes Ambientais, alguns ainda persistem em manter e defendê-la, sob o pomposo jargão de tradição cultural?


A resposta é óbvia: há interesses "superiores" em manter estas comunidades no mais profundo obscurantismo, onde nasçam, cresçam e morram enxergando apenas uma coisa: o boi.


São os tradicionais “mangueirões eleitorais”, a forma mais abjeta e condenável de aviltamento humano e de exploração do “lenocínio animal” em detrimento de carências básicas como segurança, saúde e educação. Explorar a irracionalidade animal é mais fácil, barato e rentável politicamente: os “donos de gado e gente” jogam no mangueirão eleitoral tudo o que seu “rebanho” pede e nada do que precisa.


Exemplos disso não faltam. Em 2000 a Assembléia Legislativa de Santa Catarina aprovou e publicou no Diário Oficial, leis regulamentando a farra do boi e as rinhas de galo, que foram jogadas na lixeira da história pelo STF por inconstitucionalidade.


Em fevereiro de 2006 a Prefeitura e Câmara de Vereadores de Governador Celso Ramos promoveram o seminário "Farra do boi, uma cultura popular" em mais uma farra com o dinheiro do contribuinte.


Um ano depois, não se dando por vencidos elaboraram lei municipal, tentando regulamentar a farra do boi com a denominação de “brincadeira do boi” e promovem abaixo assinado no município utilizando funcionários públicos desviados de suas funções, para coletar assinaturas de apoio à lei, em flagrante desobediência civil e apologia ao crime.


Desde a década de 80, quando esta deformação cultural veio a público, é ostensivo o envolvimento, patrocínio e sua defesa por empresários, intelectuais, prefeitos, vereadores e outras “autoridades”, amplamente divulgados na imprensa.
E a forma de reagir de seus defensores nestas décadas tem sido a mesma, sem uma polegada sequer de originalidade.


Acusam aqueles que se insurgem contra a “inocente brincadeira” de praticarem etnocídio cultural e de não se preocuparem com a criminalidade, a miséria e as crianças de rua. Esquecem estes arautos da inclusão social que para solução desses problemas recolhemos pesados tributos, que são consumidos nas valas, valériodutos e mensalões dos escândalos públicos nacionais e no financiamento de farras de boi e outras farras. E quem segue por esta linha de argumentação, na verdade é mero discursador profissional que não faz absolutamente nada por ninguém e nem por causa alguma.


A farra do boi hoje é uma questão meramente policial: É crime!!!  Falta apenas as autoridades intensificarem as ações para o cumprimento das leis e os farristas perceberem, tanto o crime que praticam quanto a manipulação, as más intenções e o cabresto que há por trás de seus defensores e patrocinadores.


Nem mesmo a persistência de dois ou três “intelectuais” que ainda se dispõem a defendê-la como tradição cultural, a pressão de “empresários” que a patrocinam em troca de pescado preferencial para seus estabelecimentos, a contumácia de “políticos” que a estimulam e financiam com fins eleiçoeiros e a birra do “rebanho” que vende sua cidadania e alma em troca de bois para torturar, é suficiente para causar maiores danos à imagem do nosso estado. Apesar deles, o Brasil e o mundo conseguem perceber que Santa Catarina não é só isso.

Fonte: Halem Guerra Nery / Presidente do Instituto Ambiental Ecosul.




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