27/10/2017 Univali impulsiona a agroecologia em Itajaí

Univali impulsiona a agroecologia em Itajaí

Fotos: Divulgação.

Projeto da universidade, voltado às mulheres agricultoras do município, estimula a transição agroecológica e promove ações educativas para erradicar o uso de agrotóxicos através de uma alimentação saudável. Iniciativa receberá o Prêmio Fritz Müller nesta terça-feira (31/10) em Florianópolis

 

Atualmente, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, ocupando este posto desde 2008. Segundo a ABRASCO (2015), estima-se que cada brasileiro ingere uma média de 5,2 litros de agrotóxicos por ano e muitos destes utilizados no país foram banidos em outros países, devido a comprovação de seus efeitos por meio de órgãos legais, casos de intoxicação aguda e crônica de trabalhadores e pessoas que se alimentam de produtos contaminados por resíduos de agrotóxicos, além dos efeitos nocivos causados na cadeia alimentar.

 

Ao longo dos anos, o modelo de agricultura convencional tem se mostrado insustentável, sobretudo do ponto de vista ambiental. O que predomina nesse modelo é a maximização do lucro e da produção, a desconsideração pelos aspectos sociais das famílias, que são obrigadas a abandonar suas terras, e pela capacidade dos agroecossistemas naturais.

 

Para reverter o modelo de agricultura convencional, produtivista e de injustiças socioambientais adotado após a Revolução Verde, a agricultura sustentável e a agroecologia apresentam-se como uma forma de resgatar os saberes populares e tem como propósito trabalhar e alimentar sistemas agrícolas complexos, além de estabelecer interações ecológicas e sinergismos entre os componentes biológicos para que propiciem a fertilidade do solo, a produtividade e a proteção das plantas.

 

Segundo Garcia Filho (2005), a agroecologia acentua-se como forma de inclusão de pessoas que se contrapõem a forte pressão ao modelo do agronegócio, visando sustentar o futuro do meio ambiente a partir de uma perspectiva ecológica, através de práticas que buscam reduzir o impacto ao meio ambiente. A agroecologia tem seus princípios na valorização da relação dos indivíduos com a terra, e é pautada em um sistema economicamente viável, ambientalmente correto e socialmente justo.

 

Nesse contexto, o projeto de extensão "Educação para transformação: mulheres agricultoras de Itajaí no processo de transição agroecológica", coordenado pela Professora Doutora Márcia Gilmara Marian Vieira, criado no início de 2015, visa promover educação continuada em saúde, meio ambiente, relações de gênero para o desenvolvimento social, econômico e ambiental da agricultura familiar estimulando a participação cidadã como estratégia de mudança, autonomia, promoção de geração de renda local, estímulo ao consumo de alimentos saudáveis através da agricultura de base agroecológica de mulheres agricultoras do município de Itajaí/SC.

 

 

O Projeto é vinculado à Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), a qual é norteada pelo tripé: ensino, pesquisa e extensão. O projeto está pautado nos princípios da Lei 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS) por fomentar a valorização da fração orgânica dos resíduos, através da compostagem. O projeto também tem como alicerce a nova agenda de desenvolvimento sustentável da ONU, abrangendo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como erradicação da pobreza, fome zero e agricultura sustentável, saúde e bem-estar, igualdade de gênero, redução das desigualdades, cidades e comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, ação contra a mudança global do clima e vida terrestre.

 

Além destes, o projeto ainda é fundado pela Lei nº 11.326/2006 (Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais) mediante os princípios instituídos por modelos de descentralização, sustentabilidade ambiental, social e econômica, equidade na aplicação das políticas, respeitando aspectos de gênero, geração e etnia, respeito às diferentes tradições, concepções e experiências constituídas pelos agrupamentos humanos, na pluralidade de canais para o diálogo e na troca de conhecimento entre os grupos sociais, além de valorizar a multifuncionalidade da agricultura familiar e dos territórios rurais e compreender os espaços rurais em suas dimensões socioculturais e simbólicas, e não apenas enquanto provedores de alimentos ou de serviços ambientais.

 

A metodologia deste trabalho é pautada em ações educativas na perspectiva de Paulo Freire, inspirada no Círculo de Cultura. As estratégias de ação se concentram na realização de atividades, como oficinas relacionadas à agroecologia e às técnicas sustentáveis de manejo.

 

 

Buscando estimular a compreensão da importância do consumo de alimentos orgânicos, alertando sobre os malefícios causados por produtos contaminados com pesticidas, agrotóxicos, adubos químicos e outros defensivos utilizados no modelo de agricultura convencional, o projeto criou no início de 2017 o "Grupo de Estudos Interdisciplinares em Agroecologia – GEIA", motivando os participantes a iniciar suas hortas orgânicas em casa, disseminando o conhecimento à comunidade, promovendo integração entre ensino e extensão e além disso, desenvolver o pensamento crítico por meio de estudos, pesquisas, debates, e encontros que abordam temáticas agroecológicas por meio de oficinas teórico-práticas.

 

O Grupo vem ofertando em seus encontros a participação de acadêmicos e especialistas da área de agroecologia com intuito de trazer um conhecimento embasado sobre os temas abordados em cada reunião e assim, orientar na teoria e prática das técnicas ecológicas de manejo, reaproveitamento de materiais, despertando debates.

 

Busca-se estimular a compreensão da importância do consumo de alimentos orgânicos, alertando sobre os malefícios causados por produtos contaminados com pesticidas, agrotóxicos, adubos químicos e outros defensivos utilizados no modelo de agricultura convencional, motivando os participantes a iniciar suas hortas orgânicas em casa, disseminando o conhecimento à comunidade, promovendo integração entre ensino e extensão.

 

O Grupo estende a prática de seus encontros à Horta Orgânica Experimental – Ibyporã, promovida e mantida diariamente pelos integrantes do projeto, onde os participantes do Grupo podem cultivar, observar e ter uma melhor compreensão e vivência dos temas e técnicas abordadas, estimulando a participação e inclusão de todos.

 

Hoje o GEIA é formado por acadêmicos de diversos cursos da graduação e pós-graduação, como Ciências Biológicas, Jornalismo, Direito, Análise Ambiental, Engenharia Ambiental e Sanitária, Engenharia Civil, Oceanografia, Nutrição, Enfermagem entre outros; docentes, especialistas e os bolsistas,voluntários, colaboradores e parceiros do projeto de extensão, que além de participar, auxiliam na realização das oficinas. Já beneficiou cerca de 100 pessoas que participaram do grupo.

 

 

Nossos encontros acontecem mensalmente, sempre com uma temática instigante e sustentável. O início do semestre contou com a participação de João Aquino, graduado em Engenharia Ambiental e Sanitária, atualmente, um dos facilitadores do Sítio Florbela, localizado no município de Florianópolis, que trouxe a temática "Sistema Agroflorestal - SAF Sintrópico" e implantou, junto com o grupo, um "SAF" na horta Ibyporã.

 

No mês seguinte, setembro, o tema abordado foi "Plantas Medicinais" e o encontro aconteceu em conjunto com o projeto de extensão Plantas Medicinais e Alimentícias no cuidado com a saúde, também vinculado a Universidade do Vale do Itajaí, sob a coordenação da professora Angélica Garcia Couto, Doutora em Ciências Farmacêuticas, com apoio do Engenheiro Agrônomo Rene Artur Ferreira. A oficina se estendeu para o laboratório, onde os participantes do Grupo puderam analisar as diferenças entre essas plantas.

 

Já em outubro, o projeto prestigiou no encontro o Senhor Euclides Schallenberger, Doutor em Agronomia e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina - Epagri na área de Sistema Orgânico de Hortaliças, que abordou o tema "Plantas Alimentícias Não Convencionais – PANC's" na teoria. Ainda, acontecerá neste mesmo mês, a prática de panificação de PANC's com a colaboração da Senhora Natália Lúcia Knakiewicz Kominkiewicz, também da Epagri.

 

Nos próximos meses, as temáticas abordadas serão "Hortas Urbanas" e "Ecocídio", respectivamente em novembro e dezembro. A primeira, será um dia completo de troca de experiências abordado pela Professora Patricia Trentin Colzani, Doutoranda em Ciência e Tecnologia Ambiental com pesquisa em Cidades Inteligentes e Sustentáveis, e pelo Excelentíssimo Marcos José de Abreu, o Marquito, Mestre em Agroecossistemas, referência nacional em Compostagem, Agricultura Urbana, Permacultura, Agroecologia e Alimentação.

 

E de encerramento do semestre, a Professora Thais Muliterno, Graduada em Ciências Biológicas e Graduanda em Direito, apresentará sua monografia "O dano ambiental de grande proporção como Ecocídio e a possibilidade de punição pelo Tribunal Penal Internacional". Além disso, há muita expectativa sobre os temas a serem abordados para o próximo semestre!

 

O projeto de extensão Educação para Transformação: Meio Ambiente, Saúde e Gênero possui um página online onde pode-se acompanhar o desenvolvimento de todas as atividades realizadas, acessando: https://www.facebook.com/educacaoparatransformacao/. Além disso, convida a todos os interessados a participarem das reuniões do GEIA. Faça sua inscrição no site do ELIS e confira a programação: https://www.univali.br/eventos/meioambiente/Paginas/evento1554.aspx.

 

Fonte: Prof. Marcia Gilmara Marian Vieira – Univali.




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