29/09/2015 Brasil é exemplo na conservação da biodiversidade

Brasil é exemplo na conservação da biodiversidade

Governos e sociedade precisam se comprometer com causa ambiental.

 

As Metas de Aichi são ambiciosas, mas necessárias. E o cumprimento delas, um desafio para todos os 193 países que se comprometeram a proteger a natureza. Nesta semana, o Brasil compartilha sua experiência em conservação da biodiversidade com mais 24 países que participam do "Workshop Regional da América Latina e Caribe sobre Cumprimento das Metas 11 e 12 de Aichi", promovido pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

 

Sarat Gidda, representante do Secretariado da CDB, concedeu uma entrevista exclusiva para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As questões levantadas por ele foram comentadas pelo presidente da autarquia, Claudio Maretti, que dirige os trabalhos no workshop, em Curitiba (PR).

 

Leia também: Ações para proteger a biodiversidade global 

 

ICMBio – O que devemos fazer para envolver as pessoas com a questão ambiental?

 

Sarat Gidda – "Precisamos comunicar melhor que o bem-estar da humanidade está diretamente relacionado à proteção da natureza. Enquanto as pessoas conseguem usar recursos naturais com facilidade, não valorizam e não se preocupam. Por exemplo, quando as pessoas abrem a torneira e sai água, elas não entender a importância de fazermos uso sustentável deste recurso limitado. Temos que passar esta mensagem de forma muito clara: a natureza afeta nossas vidas, temos que cuidar dela. Aí, as pessoas vão se entender e se envolver com a causa ambiental".

 

Cláudio Maretti – "Aqui no Brasil, um dos países mais úmido do mundo, já estamos sentindo a carência de água para o abastecimento urbano. Seria melhor não esperar que a situação piore e trabalharmos para prevenir o problema. A natureza conservada representa vários serviços à sociedade, do turismo a pesquisa científica, entre outros. Ela é indispensável para a indústria e agricultura, para populações tradicionais que fazem uso sustentável dos recursos, para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas etc. As unidades de conservação representam a melhor forma de proteger a natureza".

 

ICMBio – O senhor está otimista em relação ao cumprimento das metas?

 

Sarat Gidda –" O mais importante ingrediente da vida é o otimismo. Se formos pessimistas, não conseguimos realizar nada. Nos preocupamos muito com nossos problemas, mas se continuarmos agindo assim e perdermos a fé em nós mesmos e em nossos colegas, não alcançaremos as metas em 2020. De qualquer forma, precisamos mostrar que as pessoas estão empenhadas, trabalhando comprometidas em alcançar as metas".

 

Cláudio Maretti – "O Brasil tem desempenhado seu papel, por exemplo, com o diagnóstico sobre o estado de conservação de aproximadamente 12.500 espécies de fauna e 6.500 espécies de flora. Um dos mais importantes levantamentos do mundo, realizado com metodologia internacionalmente reconhecida e já integrado ao banco de dados mundiais. Este diagnóstico ajuda o Brasil a cumprir a Meta Aichi 12, que define extinção zero de espécies até 2020. Em outro exemplo, considerando unidades de conservação e terras indígenas, a Amazônia está mais protegida que a maior parte do resto do mundo. A Meta Aichi 11 define conservação de 17 por cento de meios terrestres e de águas interiores e 10 por cento de meios marinhos. Nos dois casos, com representação ecológica, efetividade de gestão, conectividade e integração na paisagem e equidade. Precisamos ainda avançar na proteção de outros biomas e do meio marinho, mas já temos projetos com metas para elevar a proteção marinha de 1,5 para 5 por cento da área total".

 

ICMBio – Na sua opinião, qual o maior obstáculo para que os países alcancem as metas até 2020?

 

Sarat Gidda – "O principal obstáculo é a falta de identificação dos problemas, a falta de foco nas ações e as pessoas não saberem ao certo o que precisam alcançar. Se elas não conhecem suas metas, como vão alcançá-las? Então, o principal propósito deste workshop é identificar a situação de cumprimento das metas. Quais as lacunas? Como podemos preencher estas lacunas nos próximos cinco anos? A partir daí, vamos definir as ações e ajudar os países a implementá-las, além de adotar medidas práticas para aumentar a efetividade das ações".

 

Cláudio Maretti – "O Brasil fez importante trabalho na preparação para a Conferência Mundial de 2010 que definiu as Metas Aichi e, mesmo depois dela, definindo as metas nacionais que foram aprovadas pela Comissão Nacional de Biodiversidade. Temos também desenvolvido projetos que nos ajudam a alcançar ou ao menos chegar mais perto dessas metas. No entanto, é fundamental que as metas globais e nacionais sejam assumidas por todos os níveis e setores de governo e pelo conjunto da sociedade. Os benefícios serão de todos e só será viável consegui-los se tivermos boa integração e união das pessoas".

Fonte: Comunicação ICMBio.




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