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PERSONALIDADE AMBIENTAL

Compromisso com a lei e com as futuras gerações

Promotores do Ministério Público de Santa Catarina e empresário de Jaraguá do Sul se destacam pelo interesse constante em defender o meio ambiente

  Promotor Marin: aparato legal permite combater infrações ambientais
 
    Promotora Walkyria: MP busca ampliar comunicação com a sociedade
 

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”. É isso o que estabelece a Constituição Federal. O Ministério Público de Santa Catarina reconhece esse direito e nos últimos anos tem exercido com rigor a função de proteger os recursos naturais. Essa é a razão pela qual a Fatma concede novamente o Prêmio Fritz Müller ao Ministério Público. Em 2008, os promotores de Justiça Lio Marcos Marin, da comarca de Lages, e Walkyria Ruicir Danielski, de Tubarão, representam a instituição entre os vencedores.
Em todo o estado, a atuação do Ministério Público na área ambiental está focada na proteção aos recursos hídricos, na repressão à poluição por resíduos sólidos, no saneamento básico, na organização das cidades e na garantia da qualidade do ar. Cada um desses temas ganhou um programa específico, dentro do qual o MP desenvolve suas atividades. Um dos mais conhecidos, o Programa Lixo Nosso de Cada Dia, articula o Ministério Público, órgãos de proteção ambiental e 293 municípios catarinenses para implantar aterros sanitários, usinas de reciclagem ou outras formas de destinação adequada de resíduos sólidos. Desde que o Programa foi lançado, em 2003, o índice de municípios que dão destino correto ao lixo passou de 13,6% para 86,6%.
Para os promotores premiados, a educação da comunidade quanto à necessidade de proteção ambiental é um importante papel do Ministério Público Estadual, pois aproxima a instituição dos cidadãos. “Há uma maior demanda social por preservação”, avalia Marin. “As pessoas nos procuram mais, pois se abriu um canal de comunicação com o povo”, comemora Walkyria.
O combate aos crimes ambientais foi outro ponto igualmente levantado. Pequenos produtores rurais têm estado no foco dos promotores. Muitas vezes, as infrações cometidas por esses produtores se devem ao desconhecimento. “Eles vêem o meio ambiente como um entrave para a sobrevivência da sua propriedade”, diz Walkyria. Segundo ela, a autuação de um produtor acaba repercutindo dentro da comunidade e, o que é ação de repressão contra um, torna-se ação preventiva contra o mau uso do ambiente pelos vizinhos.
Apesar da ação uniforme dos promotores de todo o estado, as comarcas trabalham com questões próprias. Marin destaca a desocupação das áreas exploradas para plantio de pínus. Em junho deste ano, o Ministério Público, a Fatma e a fabricante de papel Klabin assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), pelo qual a empresa se compromete a recuperar 4.215 hectares de Área de Preservação Permanente da Mata Atlântica, criar reservas ambientais e pagar uma compensação de R$ 6 milhões. Além de Lages, a área abrange outras oito comarcas no Planalto Serrano catarinense. “Apesar da estrutura material e pessoal ainda ser deficitária, hoje o aparato legal é muito bom e dá aos promotores instrumentos para combater ações predatórias”, afirma Marin.
Em Tubarão, a promotoria acompanha o desenvolvimento do sistema de saneamento urbano, um problema que se estende a outras regiões do estado. “O projeto é modelo nacional e está dentro do que estabelece a legislação”, diz Walkyria. O Ministério Público, agora, acompanhará os processos de licitação e a execução da obra. Uma vez implantado, o sistema contribuirá para a melhoria do uso dos recursos hídricos do Rio Tubarão. A recuperação da mata ciliar do mesmo rio é um dos projetos futuros da comarca da cidade.

 
  Wandér Weege: obstinação para promover bem-estar da comunidade e preservação ambiental
 

Wandér Weege: especialista em gestão sustentável
Dos 62 anos de vida, Wandér Weege dedicou os últimos 40 à direção da Malwee Malhas, empresa do ramo têxtil e de confecções de Jaraguá do Sul que se destaca no cenário nacional pelos projetos de sustentabilidade. E foram as ações em favor da preservação ambiental desenvolvidas pela Malwee que renderam a Wandér Weege o título de personalidade ambiental no Prêmio Fritz Müller 2008.
Em 1967, após formar-se técnico em produção têxtil no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) do Rio de Janeiro, o empresário voltou a Santa Catarina decidido a transformar a Firma Weege, empresa fundada por seus avós em 1906. Até então atuante nos ramos de laticínios e frigorífico – além de um engenho de beneficiamento de arroz, casa comercial e filial de posto de combustíveis –, a empresa transformou-se na Malwee Malhas em 1948. Em quatro décadas, o negócio dos Weege ultrapassou as fronteiras: hoje são quatro plantas industriais em Santa Catarina e uma na Bahia, totalizando cerca de 7 mil funcionários.
Desde que assumiu a administração da empresa, Weege arquitetou um plano de gestão sustentável para a Malwee, que incluía a preocupação contínua com a preservação ambiental e o bem-estar dos funcionários e das comunidades onde as fábricas estão inseridas. Com base nesse modelo, que contribui para melhorar a qualidade de vida nos locais onde atua, a Malwee tornou-se exemplo de responsabilidade socioambiental.
Para a escolha de Weege como personalidade ambiental pesaram várias ações. A empresa que ele administra tem 5 milhões de metros quadrados de área verde, recicla 45% da água utilizada no processo produtivo, possui o selo Carbono Zero, que comprova a neutralização da emissão de gases do efeito estufa, e coleta óleo de cozinha usado para ser transformado em biodiesel. A Malwee foi a primeria empresa da América do Sul a implantar uma estação ecobiológica de tratamento de efluentes industriais, que permitiu maior eficácia no controle da poluição. A última novidade da Malwee é uma tecnologia desenvolvida em parceira com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para diminuir o lançamento de poluentes na atmosfera, garantindo chaminés sem fumaça.
Além disso, a empresa mantém o Parque Malwee,empreendimento que está completando 30 anos e recebe cerca de 30 mil visitantes por mês. Com 1,5 milhão de metros quadrados, situado a oito quilômetros do centro de Jaraguá do Sul, o parque abriga 35 mil árvores de diferentes espécies, entre nativas e cultivadas.
Por essas e outras ações, Wandér Weege representa atualmente o papel de benfeitor das questões ecológicas e é referência na comunidade de Jaraguá do Sul e em todo o Brasil. Para ele, cidade melhor é cidade mais verde e por isso vale sempre o investimento em tecnologias mais limpas.“É uma tristeza o estágio de destruição da natureza no Brasil e na América do Sul. Nós cumprimos o nosso dever e fizemos até mais”, afirma o empresário, que atualmente divide a gestão da Malwee com a esposa Laurita e os filhos Guilherme e Martin. A empresa está entre as principais vencedoras da história do Prêmio Fritz Müller. Ao todo, a Malwee coleciona seis troféus, conquistados ao longo das 15 edições da premiação -- 1998, 2000, 2005, 2006, 2007 e 2008. Neste ano, a Malwee conquistou o Prêmio Fritz Müller na categoria Gestão Ambiental.

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