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Parque Estadual Fritz Plaumann, em Concórdia: abrigo para floresta ameaçada |
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Cerca de 1,36 milhão de quilômetros quadrados, 16% do território brasileiro, 17 estados. Essa era a dimensão original da Mata Atlântica, o segundo maior bioma do Brasil. Séculos de atividade humana e degradação ambiental reduziram a extensão dessa floresta para menos de 8% da original, disposta de forma esparsa, ao longo do litoral e no interior das regiões Sul e Sudeste – e com alguns fragmentos em estados do Centro-Oeste e do Nordeste.
Completamente inserido no bioma da Mata Atlântica, o estado de Santa Catarina vem apostando nas Unidades de Conservação (UCs) para preservar os 17% que restaram de sua cobertura florestal original. De acordo com a Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), originalmente 81,5% da superfície do território catarinense era coberta por vegetação – a maior parte pela Floresta de Araucária. A Floresta Tropical Atlântica cobria aproximadamente 30% dessa área. Hoje, Santa Catarina possui apenas 7% de remanescente da Floresta Tropical Atlântica.
Apesar de pequeno, esse índice representa cerca de 30% do total de remanescentes dessa vegetação em todo o Brasil.
Segundo estudos da Fatma, enquanto a Floresta de Araucária foi praticamente dizimada pela exploração madeireira – dando lugar à agropecuária e à cultura de espécies exóticas, como pínus e eucalipto –, o principal algoz da Mata Atlântica foi o desmatamento para fins energéticos (uso da lenha na substituição de óleo combustível) e também para ceder lugar à agricultura e à pastagem. Assim como em outros estados brasileiros, o desmatamento em Santa Catarina atingiu seu auge ao longo do século XX.
Porém, levantamentos realizados pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revelam que, enquanto outros estados do país estancaram a destruição da floresta, Santa Catarina continuou a desmatar no início desta década. “Santa Catarina sempre figurou entre os estados com maiores índices de desmatamento, mas até o começo desta década registrava-se uma tendência de queda. O crescimento no nível de desmate é grave e preocupante”, afirma a diretora de gestão do conhecimento da SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota.
Conforme dados divulgados pela SOS Mata Atlântica no ano passado, os municípios catarinenses de Itaiópolis, Mafra e Santa Cecília estão entre os cinco que mais desmataram em todo o Brasil, entre 2000 e 2005. Juntos, destruíram no período 3.843 hectares – o equivalente a 5.382 campos de futebol. De acordo com o presidente da Fatma, Carlos Leomar Kreuz, a presença de uma coordenadoria do órgão estadual na cidade de Mafra, inaugurada no ano passado, deve contribuir para a redução dos índices de desmatamento no Planalto Norte. “A presença da Fatma na região permite uma fiscalização mais eficiente, que deve inibir ilegalidades”, explica.
Para evitar que a destruição avance, a Fatma também desenvolve o Programa de Proteção da Mata Atlântica, que, entre outras ações, prevê a ampliação das Unidades de Conservação no estado. Atualmente, Santa Catarina possui 28 UCs,
das quais 18 são federais e 10 estaduais – além dessas áreas, há cerca de 40 Unidades de Conservação municipais
no estado.

Vegetação protegida
Das 10 Unidades de Conservação estaduais, seis estão localizadas em área de Floresta Tropical Atlântica, somando 107,6 mil hectares, considerados a última reserva significativa de cobertura vegetal e, conseqüentemente, o último grande refúgio da fauna catarinense. Além da sobrevivência dos animais, a preservação das florestas garante a manutenção de importantes reservatórios de água, utilizados para o abastecimento público. “É importante que as áreas onde a vegetação original encontra-se preservada sejam transformadas em Unidades de Conservação mantidas pela estado ou em Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN, caso estejam localizadas em propriedades privadas”, explica Márcia.
A Fatma vem atuando nas duas frentes. Para ampliar a extensão do território preservado, apóia a criação de RPPNs, que já correspondem a 157 quilômetros quadrados em Santa Catarina, e investe na manutenção das UCs. Financiados pela KfW – Kreditanstalt für Wiederaufbau, agência de cooperação financeira alemã, diversos projetos vêm sendo desenvolvidos para melhorar a infra-estrutura das Unidades de Conservação estaduais, elaborar planos de manejo adequados e realizar o monitoramento ambiental. Além disso, a Fatma busca envolver as comunidades de entorno das Unidades de Conservação, por meio de programas de educação ambiental e da indicação de atividades econômicas compatíveis com a preservação dos recursos naturais.

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