Anuário Expressão de Gestão Sustentável
Newsletter Social 04/07/2008
Lucros bem distribuídos
Cooperativas bem-sucedidas no mercado praticam uma espécie de capitalismo social. O que nas empresas comuns é chamado de lucro, na cooperativa tem o nome de sobras. Retirada a parte que é reinvestida no negócio, as sobras são distribuídas aos acionistas. Em tempos de vacas gordas, grandes cooperativas agropecuárias distribuem milhões de reais a milhares de pequenos produtores...
Leia mais

De porta em porta
Na indústria de tubos e conexões plásticas Amanco acredita-se que o começo de um relacionamento comunitário bem-sucedido é o envolvimento dos funcionários. Duas vezes por ano lideranças das comunidades se reúnem com profissionais da empresa para discutir os impactos da indústria...
  Bom para todos
Wal-Mart demorou para “engrenar” principalmente pelo desconhecimento dos hábitos locais. Hoje seus produtos são diferenciados em cada região onde há lojas e a multinacional, dona das lojas Big, Nacional, Mercadorama e Maxxi, tornou-se a segunda em participação de mercado no país...
 

Arte de escutar
Para ouvir os funcionários e descobrir suas necessidades, Magazine Luiza lança mão de canais de rádio e TV internos, além da realização de grandes reuniões regionais, os chamados “encontrões”...
 
 

Questões incômodas
A chegada de uma grande empresa em comunidades menores causa grandes impactos, muitos deles positivos. Mas com a nova visão de sustentabilidade dos negócios, perguntas incômodas passaram a ser feitas...
 
 
 

Patrocínio

BRASKEM

* * *
 
9 milhões
Número de pessoas associadas a cooperativas no Brasil.
O país tem 7.603 cooperativas, sendo que 1.442 ficam na região Sul.
   

Lucros bem distribuídos
Desenvolvimento local e bem-estar social são razões de existência das cooperativas


Cooperativas bem-sucedidas no mercado praticam uma espécie de capitalismo social. O que nas empresas comuns é chamado de lucro, na cooperativa tem o nome de sobras. Retirada a parte que é reinvestida no negócio, as sobras são distribuídas aos acionistas, isto é, aos cooperados, e o dinheiro acaba circulando pelas comunidades das quais as cooperativas fazem parte. Em tempos de vacas gordas, grandes cooperativas agropecuárias distribuem milhões de reais a milhares de pequenos produtores, e todos – cooperados, funcionários e população – acabam ganhando com isso.

 
 
“A idéia é que todas as cooperativas brasileiras tivessem ao menos um projeto claro de responsabilidade social, mas não tenho poder de polícia para exigir que elas cumpram o estatuto”
Márcio Freitas
Presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)
   

Ou seja, o sucesso econômico da cooperativa acaba não sendo um fim em si mesmo, mas um meio para sustentar o bem-estar dos associados. Em tempos em que os grandes desafios sociais são distribuição de renda e desconcentração de riqueza, elas se configuram em negócios exemplares. “A cooperativa tem a responsabilidade social em seu DNA. Ela tem que estar presente na comunidade e desenvolver, principalmente, as pequenas cidades onde se situa”, afirma Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Berço do cooperativismo nacional por conta da forte imigração européia, a região Sul do país possui hoje 1.442 cooperativas. Algumas delas estão entre as maiores e mais sólidas empresas do agribusiness regional, com receitas bilionárias e gestão profissionalizada. Mas trabalham, por exemplo, com produtores integrados de frangos e suínos de porte menor do que os outros frigoríficos, que priorizam os ganhos de escala econômicos.

Leia o depoimento de três presidentes de grandes cooperativas da região Sul:

“Se não formarmos uma empatia com clientes, fornecedores e comunidade, limitamos nossas ações. Pelo social, agregamos o econômico. Não adianta a gente se vangloriar de que faz um trabalho social muito bom e não ter rentabilidade.”
Vilibaldo Schmid - Presidente da Copercampos, de Campos Novos (SC).

  Foto: Divulgação
  Programa da Cotrijal consegue arrecadar anualmente 250 mil embalagens vazias de agrotóxicos

“Verificou-se também (através de uma pesquisa sobre como a responsabilidade social mexe com a vida dos funcionários) um maior engajamento das comunidades, que de forma muito participativa contribuem e apóiam nossas ações”
Nei César Mânica - Presidente da
Cotrijal, de Não-Me-Toque (RS)

“Se as cooperativas não tivessem seus programas, o país seria um caos”,
Dorival Malacário - Presidente da Cocari, de Mandaguari (PR).

Fonte: Anuário Expressão de Gestão Social 2007


De porta em porta
Na Amanco lideranças das comunidades se reúnem com profissionais
da empresa para discutir os impactos da indústria

 
 
"Os funcionários são a cara da organização e pertencem à comunidade. O envolvimento deles
é estratégico para o sucesso do trabalho
de responsabilidade social"

Carla Maria Neves Inácio
Coordenadora de Responsabilidade
Social e Comunicação
Interna da Amanco
 

Na indústria de tubos e conexões plásticas Amanco, com unidades em Sumaré (SP) e Joinville (SC), acredita-se que o começo de um relacionamento comunitário bem-sucedido é o envolvimento dos funcionários. Assim foi, e evoluiu para o seguinte: de 2004 até hoje, religiosamente, duas vezes por ano lideranças das comunidades próximas às fábricas se reúnem com profissionais da empresa. Na pauta, a discussão dos impactos da indústria. A conversa cara a cara está alinhada a outras ações de diálogo. Uma delas é a simples consulta em forma de pesquisa, de casa em casa. Em uma feita próxima à fábrica de Sumaré, detectou-se um descontentamento com o excesso de caminhões estacionados nas ruas. A queixa entrou na matriz de análise de risco da empresa como uma pendência a ser resolvida. E foi, com o aumento do pátio interno para estacionamento.

A política de estreitamento dos laços da Amanco com a comunidade começou em 2002 e este ano será reavaliada. “Vamos realizar um balanço das ações feitas e por fazer”, diz Yazmin Trejos, gerente de comunicação. A recente compra da empresa pela mexicana Mexichem não deve interferir no modo de operação com as comunidades, diz a executiva. “Esse procedimento tem a ver com nossa estratégia de gerar valor à organização”.

É assim que pensam as modernas organizações globais, seja qual for o grupo que as controle. O verdadeiro valor está em mesclar conhecimento e capital globalizados com riqueza local e não em submeter um ao outro.

Fonte: Anuário Expressão de Gestão Social 2007


Bom para todos
Na Wal-Mart os produtos são diferenciados em cada região onde há lojas

  Em junho de 2007 o instituto Wal-Mart iniciou atividades no Rio Grande do Sul e passou a gerenciar atividades na região Sul. O instituto já desenvolveu dezenas
de projetos
de responsabilidade social
no país, totalizando, somente no ano passado, investimentos de aproximadamente
R$ 7 milhões
   

Com a imagem chamuscada nos Estados Unidos devido à fama de pagar baixos salários, o primeiro problema enfrentado pela americana Wal-Mart no Brasil não foi na esfera do relacionamento comunitário, mas de mercado. O maior grupo de varejo do mundo vendia sacolas para tacos de golfe e coletes salva-vidas em São Paulo, e por esse desconhecimento dos hábitos locais e outros motivos demorou para “engrenar” no país. Hoje é a segunda maior rede em participação de mercado, e na região Sul é dona das lojas Big, Nacional,
Mercadorama e Maxxi.

 
“O que é bom para a empresa precisa ser bom para a comunidade”
Maria Isabel
Jaekel da Silva

Coordenadora do Instituto Wal-Mart na região Sul
 

A gigante, que fatura US$ 256 bilhões (igual ao PIB da região Sul) vendendo produtos do mundo inteiro através de milhares de lojas em 15 países, assumiu uma postura “glocal”. Bandeiras locais são mantidas e o atendimento e mix de produtos são diferenciados em cada região onde há lojas. O Wal-Mart passou também a valorizar os fornecedores locais. Através do Clube dos Produtores, que começou no Sul e está sendo estendido para outras regiões, a empresa dá apoio técnico para pequenos produtores buscando otimizar a produção e garantindo canais de comercialização para seus produtos inclusive em outras regiões. “O que é bom para a empresa precisa ser bom para a comunidade”, diz Maria Isabel Jaekel da Silva, gerente de relacionamento com a comunidade e coordenadora do Instituto Wal-Mart na região Sul.

O crescimento da importância das empresas e a diminuição dos limites de atuação dos Estados nacionais devido ao avanço da internacionalização atribuíram novos papéis às companhias. Isso não quer dizer que cabe às empresas substituir o Estado e se responsabilizar por suas principais atribuições. Mas um dos papéis que os principais grupos buscam encarnar é o de exercer de modo positivo para a sociedade o poder de influência e a capacidade de articulação que possuem

Fonte: Anuário Expressão de Gestão Social 2007

VOLTAR


Arte de escutar

Magazine Luiza ouve os funcionários para descobrir suas necessidades

 
  Um dos “encontrões” do Magazine Luiza, evento que
integra funcionários e mantém
o alto astral nas lojas
O Magazine Luiza, gigante do ramo de lojas de departamentos, leva muito a sério a integração com a comunidade. Com estratégia expansionista, comprou várias redes de famílias tradicionais na região Sul e logo se dedicou a patrocinar eventos como a Festa da Uva, em Caxias do Sul, e a Festa do Divino, em Florianópolis.

Mas os funcionários sempre receberam atenção especial. No processo de aquisição das redes catarinenses Base, Madol e Kilar, em 2005, a empresa mandou diretores das áreas de recursos humanos, gestão e vendas para avaliar o clima de transição. “Os funcionários fazem parte da comunidade. O primeiro passo para integrar-se à região aonde atuamos é ouvir aqueles que trabalham conosco e perceber as suas necessidades”, diz a diretora de Relações Institucionais Ivone Santana.

  O programa Cheque-Mãe, do Magazine Luiza, atende funcionárias com filhos de até dois anos e 11 meses. Antes do programa, até 80% das mães abandonavam o emprego após a gravidez por não terem com quem deixar os filhos.

Há nove anos a empresa figura entre as 10 melhores para se trabalhar, segundo o guia do Instituto Great Place to Work. Para envolver a todos o Magazine Luiza lança mão de canais de rádio e TV internos, além da realização de grandes reuniões regionais, os
chamados “encontrões”.

Fonte: Anuário Expressão de Gestão Social 2007


Questões incômodas
Empresas avaliam problemas comunitários para evitar grandes impactos

A chegada de uma grande empresa especialmente em comunidades menores causa grandes impactos, muitos deles positivos. Empregos, desenvolvimento econômico, pagamento de impostos, tecnologia e a cultura global são alguns deles. Há poucos anos, quando o Brasil presenciou uma guerra fiscal declarada dos estados pela atração de montadoras de automóveis e outras indústrias, esses valores eram os mais considerados e as empresas globais detinham todo o poder de barganha
nas mãos.

Mas pouco tempo se passou para que a noção de sustentabilidade dos negócios ganhasse corpo, e perguntas incômodas passassem a ser feitas para quem pretende investir (muitas das perguntas sempre foram feitas, porém as empresas e governos locais não as ouviam). Elas abrangem desde situações um tanto prosaicas, como o barulho que farão os caminhões, até impactos ambientais (hoje considerados) sérios. Ou mesmo o impacto que o modelo de negócios implementado por uma multinacional trará para as pequenas empresas locais. Esta última situação é especialmente sensível no varejo, onde no caso de uma aquisição uma grande empresa ocupa o lugar no mercado de comerciantes locais.

Não foi à toa que o grupo francês Carrefour teve que alterar o projeto de um hipermercado no bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, no ano 2000, pois a população acreditava que ela iria prejudicar o pequeno comércio local e desencadear uma onda de demissões. O bairro se caracteriza pela profusão de lojas de móveis e vestuário. No saldo das negociações, além de contrapartidas no sistema viário, com incentivos para criação de uma nova avenida para a cidade, houve aumento no número de lojas no interior do próprio Carrefour, oferecidas aos comerciantes locais. Outra contrapartida negociada com a comunidade foi a construção de uma creche que hoje é administrada pela prefeitura.

Devido a problemas dessa natureza, outra grande rede varejista com capital francês, a Pão de Açúcar, teve que contratar consultoria especializada para conseguir criar vínculos comunitários. “Em localidades menores eles encarnavam a imagem do estrangeiro mau que chegou para comprar tudo”, diz Karina Milaré, da TNS InterScience, que trabalhou na melhoria da imagem da empresa.

Fonte: Anuário Expressão de Gestão Social 2007


Antispam Expressão
Para não receber mais os boletins de Responsabilidade Social da Editora Expressão responda este e-mail com o assunto REMOVER.
Editora Expressão
www.expressao.com.br

social@expressao.com.br
Av. Rio Branco, 380 / 6º andar
CEP 88.015-200 – Florianópolis (SC)
Fone: (48) 3222-9000
Fax: (48) 3222-7506