Anuário Expressão de Gestão Sustentável
Newsletter Social 20/05/2008
Gestão do capital humano, uma revolução
Uma mudança de perfil nos departamentos de recursos humanos está em curso nas principais empresas. O setor está agregando funções estratégicas dentro dos negócios, deixando de atuar burocraticamente para organizar o capital humano em termos de competência...

Bunge: o projeto é da comunidade
Com uma história que começou em 1818 na Holanda, a Bunge é hoje uma das grandes locomotivas do comércio global de alimentos, e sua atuação no Brasil é estratégica. Está presente em 16 estados, da Bahia ao Rio Grande do Sul, com 300 instalações, entre fábricas, portos, centros de distribuição e silos...
Na Lepper, alto padrão para idosos
Algumas empresas vão além do convencional ao se preocuparem não apenas com os seus empregados, mas também com idosos de toda a comunidade. É o que tem feito a Lepper, fabricante de artigos de cama, mesa e banho...
  O capitalista subversivo
Carioca, 54 anos, Fernando Almeida foi um dos responsáveis por trazer ao Brasil conceitos como ecoeficiência e desenvolvimento sustentável, nos quais é uma das principais autoridades no país. Além de presidir o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável - Cebds...
Conheça os participantes da maior pesquisa do Sul sobre gestão
de responsabilidade social empresarial

Veja a relação de empresas que responderam o questionário e garantiram participação na 5ª Pesquisa de Responsabilidade Social Empresarial da Região Sul...
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Gestão do capital humano, uma revolução

Uma mudança de perfil nos departamentos de recursos humanos está em curso nas principais empresas. O setor está agregando funções estratégicas dentro dos negócios, deixando de atuar burocraticamente para organizar o capital humano em termos de competência. Segundo a pesquisa Aligned at the Top, da consultoria Deloitte, para mais de 80% dos executivos seniores de grande empresas a área de RH é fundamental para a competitividade, e assuntos relacionados aos funcionários serão cada vez mais importantes. “Alinhada à direção do negócio e chamada agora de gestão de capital humano, a área passa a ter assento no board. Há 20 anos, havia, no máximo, a gerência de RH dentro das empresas. Hoje, já existem vice-presidências dedicadas a isso”, explica Henri Vahdat, diretor da Delloite Brasil.

Os setores de gestão de capital humano mantêm as tarefas tradicionais de recrutamento e capacitação, mas agregam a visão estratégica dando suporte no desenvolvimento de lideranças, nos processos de entrada em novos mercados ou de aquisição. “Nas fusões entram em cena questões como a gestão da cultura da nova empresa, definição do sistema de liderança, nova arquitetura de reconhecimento, recompensa e benefícios”, diz Vahdat.

 
 
"A gestão de pessoas foi elevada ao mesmo nível de importância da estrutura de crescimento e expansão dos negócios"
Carlos Liendstadt
Gestor corporativo de
pessoas da Embraco
Um bom exemplo é a Embraco, de Joinville, especializada em soluções para refrigeração e fabricante de compressores, do grupo norte-americano Whirlpool. Com 10 mil funcionários em quatro plantas – Brasil, Itália, Eslováquia e China – e escritório e central de distribuição nos Estados Unidos ela reconheceu, há quatro anos, a necessidade de um comando único na gestão de pessoal e a importância da estrutura para a expansão do empreendimento. Instituiu o cargo de diretor corporativo de pessoas, sediado no Brasil. “A gestão de pessoas foi elevada ao mesmo nível de importância da estrutura de crescimento e expansão dos negócios”, afirma Carlos Liendstadt, gestor corporativo de pessoas.

Na Lepper, alto padrão para idosos

  O objetivo da Fundação 12 de Outubro não é administrar entidades de assistência a idosos, mas construir casas que serão administradas por associação ou ONG especializada.
  

Algumas empresas vão além do convencional ao se preocuparem não apenas com os seus empregados, mas também com idosos de toda a comunidade. É o que tem feito a Lepper, fabricante de artigos de cama, mesa e banho de Joinville. O apoio a programas voltados para a chamada terceira idade é realizado pela Fundação 12 de Outubro, criada em 1987 pelo proprietário da Lepper, José Henrique Loyola, e por ele presidida até hoje. O presidente do conselho curador da fundação, Zeno Fischer, explica que o principal objetivo não é administrar entidades de assistência a idosos, mas construir casas que possam abrigar idosos e adolescentes. Uma vez construídas, elas passam a ser administradas por alguma associação ou entidade não-governamental especializada.

 
  Lar Abdon Batista: apoio da Lepper a crianças e proposta de interação com idosos do Lar Betânia
  

O objetivo da Fundação 12 de Outubro não é administrar entidades de assistência a idosos, mas construir casas que serão administradas por associação ou ONG especializada. O principal exemplo da atuação da família Loyola é o Lar Betânia, construído em Joinville, com 45 apartamentos. A Fundação 12 de Outubro construiu o prédio, que segue administrado pela Associação Diocesana de Promoção Social de Joinville (Adipros) – entidade social da igreja católica. Foi só o começo. Fischer conta que a fundação vai construir um segundo prédio na cidade, maior do que o primeiro, ao qual deverá destinar R$ 5 milhões. As obras devem ser concluídas no fim de 2008. Ao contrário do Lar Betânia, a futura casa não será destinada apenas a pessoas pobres. Segundo Fischer, as pessoas vão pagar de acordo com as possibilidades de cada um. O prédio terá farmácia, consultório médico, lavanderia, hidroginástica, refeitório etc., e os “hóspedes” poderão ter assistência psicológica e fisioterápica e acesso à hidroginástica. “Vai ser como se estivessem num flat”, brinca Fischer.

Ele lembra que o conceito é muito comum na Europa, nestes tempos em que os filhos já não têm mais tempo para cuidar dos pais de forma adequada. Outra novidade será a possibilidade de os idosos se integrarem com as crianças do Lar Abdon Batista, também apoiado pela família Loyola. Homens e mulheres que quiserem poderão – de alguma forma ainda não definida – interagir com as crianças e adolescentes (sem pais) assistidos pelo Abdon Batista.

Bunge: o projeto é da comunidade

 
O Projeto Baús é baseado em atividades lúdicas para tornar o aprendizado mais atrativo. Envolve 29 voluntários, 208 alunos e 16 professores da Escola Municipal Navegantes, de Rio Grande (RS). Mais de 80% dos professores atribuem ao projeto mudanças nas práticas pedagógicas e melhor desempenho dos alunos.
  

Com uma história que começou em 1818 na Holanda, a Bunge é hoje uma das grandes locomotivas do comércio global de alimentos, e sua atuação no Brasil é estratégica. Está presente em 16 estados, da Bahia ao Rio Grande do Sul, com 300 instalações, entre fábricas, portos, centros de distribuição e silos. Trabalha com mais de 30 mil produtores rurais, de quem adquire cerca de 15 milhões de toneladas de produtos agrícolas, atuando de forma integrada, da produção no campo até a entrega do produto final. Porém se o grosso do que produz é commodity, o mesmo não se pode dizer de sua política de relacionamentos. Costuma-se dizer na empresa que há uma Bunge diferente em cada um dos rincões onde está instalada. E de certa forma é por isso que as suas ações sociais no Brasil estimulam o protagonismo social que valoriza os agentes locais, evitando a criação de dependência da empresa.

 
 
“Cada parceiro tem que se apropriar do projeto implantado, assumindo suas responsabilidades
no processo”

Cláudia Calais
Gerente de projetos da Fundação Bunge
  

“Esse é um dos nossos maiores desafios”, assinala a gerente de projetos da Fundação Bunge, Cláudia Calais. O foco principal das ações é a área de educação, e envolve os colaboradores das empresas e demais stakeholders na discussão e solução dos desafios que se apresentam nas comunidades do entorno das unidades. “Cada parceiro tem que se apropriar do projeto implantado, assumindo suas responsabilidades no processo”, enfatiza Cláudia.

Essa é uma das grandes dificuldades, pois embora desejado pelas comunidades o processo participativo pode “assustar” os envolvidos, na medida em que exige divisão de responsabilidades. “É até uma questão cultural, que está mudando aos poucos. As pessoas querem participar, mas, ao mesmo tempo, percebem que vão ter que assumir responsabilidades para as quais, muitas vezes, acreditam não estarem preparadas.”
 
Fernando Almeida
Presidente executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável
 

O capitalista subversivo

Carioca, 54 anos, Almeida foi um dos responsáveis por trazer ao Brasil conceitos como ecoeficiência e desenvolvimento sustentável, nos quais é uma das principais autoridades no país. Além de presidir o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável - Cebds, é professor da Coppe/UFRJ, integrante do board do Millenium Ecosystem Assessments (Avaliação Ecossistêmica do Milênio), da ONG World Resources Institute (WRI). Engenheiro sanitarista com mestrado em Engenharia do Meio Ambiente pelo Manhattan College, foi diretor de Meio Ambiente e Meteorologia da campanha RIO 2004 e presidente da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente – Feema.
Lançou em junho o livro “Os Desafios da Sustentabilidade – uma Ruptura Urgente”.

Que ruptura é essa que você propõe?
O raciocínio da ruptura não é meu, é do economista Joseph Schumpeter, que há quase um século desenvolveu a teoria da destruição criativa. Schumpeter advoga que o capitalismo prefere ter empresas novas porque elas geram riqueza mais rapidamente. Então o capitalismo obedece à lógica da destruição e recriação. Um bom exemplo disso é a Dupont, que já se recriou duas vezes. Primeiro saindo do negócio de pólvora e entrando em lycra e neoprene, e depois saindo do negócio da petroquímica e entrando no de ciências da vida. Quando eu falo de ruptura falo em romper e recriar, mas recriar em bases sustentáveis. Porque se não for assim não é perene. Só vamos conseguir isso se entendermos que o processo de inserção numa fase de sustentabilidade é subversivo. Ele vai ter que subverter a ordem reinante.

A destruição criativa deixou para trás mortos e feridos...
Nesse processo de ruptura nem todos vão ganhar. Quem estiver em negócios complicados nas dimensões social e ambiental vai ter muita dificuldade em se adptar e pode desaparecer. Para dar um exemplo bem brasileiro, há o caso da carcinicultura no Nordeste, que devasta áreas imensas de manguezais para introduzir o cultivo de camarão. Não sou louco de ser contra a cultura de camarão, mas eu não posso concordar que para produzir tenha que se acabar com o manguezal, que é base de sobrevivência dos oceanos. Eu não compro camarão produzido em cativeiro e provavelmente muitos consumidores que têm consciência da degradação não compram agora ou não comprarão no futuro. O norte deles é a falência. Com algum grau de tragédia nós vamos ter que conviver, o que vai ser, digamos, o combustível da ruptura. A questão é o grau da tragédia, e por isso temos que planejar a ruptura.

Quais os resultados mensuráveis do movimento de responsabilidade socioambiental empresarial?
Já houve uma mudança muito grande nas empresas conscientes. Ninguém mais quer ter passivo social e ambiental. A Nike quase faliu com aquela famosa questão da exploração da mão-de-obra infantil na Ásia. Para entrar hoje no índice Dow Jones Sustainability Index é uma parada, e para se manter nele é mais difícil ainda. Há um movimento em curso e as empresas vêm mudando – umas mais, outras menos. Algumas passaram por um processo de crise e mudaram. Outras desapareceram. Há muitas lideranças empresariais que estão buscando seriamente esses caminhos, mas não chegaram a lugar nenhum porque a noção de empresa sustentável é uma abstração. Sustentável é a sociedade. Tenho avisado aos empresários: a sociedade mundial espera de vocês algo muito além de resolver seus problemas intramuros, e vocês vão se envolver com questões extramuros. Aí nasce o estadista corporativo.


Conheça os participantes da maior pesquisa da região Sul sobre
gestão social empresarial

Os resultados e análises da pesquisa serão publicados no Anuário Expressão de Gestão Sustentável 2008, que circula em julho. As empresas públicas e privadas, entidades e instituições que se destacarem na pesquisa serão homenageadas e receberão certificados durante o Seminário de Responsabilidade Social Empresarial da Região Sul, que será organizado pela
Editora Expressão.

Confira as empresas que já responderam à pesquisa em 2008:
MARKET ANALYSIS
UNIMED PONTA GROSSA
HSBC
UNIMED BLUMENAU
ALTUS
IRANI
RUDOLPH USINADOS DE PRECISÃO LTDA
C.VALE
BESC
METALUS INDÚSTRIA MECÂNICA
COOP. AGROIND. LAR
COCARI
RISOTOLÂNDIA
FURUKAWA
EMBRACO/WHIRLPOOL
KBH&C TABACOS
SENAC/SC
COPERCAMPOS
INST. PESQ. QUÍMICAS
CARRIS
FRANCINE GHANEM FARMÁCIA DE MANIPULAÇÃO
OPUS MÚLTIPLA
COAGRISOL
ELETROSUL
SIEMENS
REUNIDAS
CONDOR
BAESA
LABORATÓRIO GHANEM DE ANÁLISES CLÍNICAS
KG LABORATÓRIO
UNIMED LITORAL
BRDE - BANCO REGIONAL DE DESENVOLVIMENTO DO EXTREMO SUL
WEG
WHIRLPOOL
UNIMED GRANDE FLORIANÓPOLIS
HERING
CONPASUL
ECODIMENSÃO
LUNELLI
COCAMAR
CIEE-SC
CEUSA
SENAI/SC
ALLIANCE ONE
PUC/RS
INNOVA
PORTOBELLO
UNIMED NORDESTE/RS
UNIMED DE CANOINHAS
UNIMED EXTREMO OESTE CATARINENSE
COPACOL
UNIVILLE
ARTECOLA
UNIMED VIDEIRA
SANEPAR
PERDIGÃO S/A
ARCELORMITTAL VEGA
ALL LOGÍSTICA
INTERFACEFLOR
AURORA ALIMENTOS
BANRISUL
BUNGE ALIMENTOS
AMANCO BRASIL LTDA
ALBERTO PASQUALINI – REFAP S/A
METROPOLITANA VIGILÂNCIA COMERCIAL E INDUSTRIAL S/A
UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS – UNISINOS
YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A
CIA. IGUACU DE CAFÉ SOLÚVEL
INSTITUTO RPC
ITAIPU BINACIONAL
ARACRUZ CELULOSE S/A
RIO GRANDE ENERGIA S/A
CELESC S/A
CONDOMÍNIO COMPLEXO SHOPPING CURITIBA
PURAS DO BRASIL SOCIEDADE ANÔNIMA
ENGEVIX
HABITASUL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS
TRACTEBEL ENERGIA S/A


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